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sábado, 9 de março de 2013

CHORÃO, ANJO OU DEMÔNIO


Incrível a capacidade do brasileiro em santificar as pessoas quando elas morrem. Ela é crucificada em vida e beatificada na morte. Curioso, não? Certamente, mais uma herança católica deixada por aqui.
De qualquer forma, perdemos Chorão, líder da banda Charlie Brown Jr., na última quarta-feira, 06 de março. Um ídolo de uma juventude sem muitas razões para ser rebelde, mas cheia de inquietudes e perguntas buscando alcançar o seu “lugar ao sol”, buscando “aquela paz” de um “céu azul” que com certeza para ele não voltará a brilhar.
Seu “papo reto” tornou menos dura a batalha de tantos “dias de luta e dias de glória”, mas nem ele próprio pode ser o “senhor do tempo” sobre algo que “só os loucos sabem” ser. Eu curtia o som do Chorão, entendia sua personalidade polêmica e acredito que fará (como já fazia durante suas crises e brigas com os músicos da banda) falta no cenário musical.

sábado, 3 de novembro de 2012

MUITO PRAZER

"A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido.
Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz."
-- Sigmund Freud --


Como é bom estar de volta! Por mais que o corpo grite por um período de descanso, a mente nos direciona para aquilo que nos dá prazer e, sinceramente, adoro estar com vocês todos os sábados para colocar a “Boca no Trombone”.
Furacão Sandy nos EUA, ampliação do período de votação da CPI do Cachoeira em Brasília, pacificação em São Paulo e eu aqui de volta falando em prazer. Sim! Prefiro voltar falando em prazer; aquela sensação de bem-estar que vem como resposta do nosso organismo ou da mente indicando um momento em que fazemos algo benéfico à nossa saúde.
O prazer pode ser atingido de várias maneiras, como praticando exercícios físicos, comendo, tendo relações sexuais, escutando música, lendo, conversando, trabalhando, etc. E, por incrível que pareça, nem sempre ele precisa estar relacionado à demonstração de alegria. Quer ver?

sábado, 7 de abril de 2012

PÁSCOA PESSOAL

Faça desta páscoa, a tua páscoa. Faça desta ressurreição, tua ressurreição.
Nunca se entregue, pois é somente a cada adversidade
que poderemos vislumbrar uma nova oportunidade.
-- Ivan Teorilang--


A celebração da Páscoa tem um significado importante, de renovação, de mudança, de libertação. Também é um momento para fazermos uma reflexão sobre a vida, a família, a profissão, o país e o mundo que desejamos ver acontecer buscando trazer luz, onde haja escuridão; esperança, onde reine o desespero; compaixão onde vigore a dor.
Viver a Páscoa é ser capaz de mudar; é partilhar a vida na esperança; é lutar para vencer toda a sorte de sofrimento. Viver a Páscoa é ajudar mais gente a ser gente; é viver em constante libertação; é crer na vida capaz de vencer a morte.
Independente de sua crença religiosa, um mundo mais humano é aquele onde as pessoas investem na fraternidade e vivenciam a solidariedade. É renascimento, recomeço e amor constante. É ter sempre a certeza de uma nova chance para melhorarmos as coisas que não gostamos em nós, para lutarmos por nossos ideiais e para sermos mais felizes por sermos simplesmente o melhor que podemos ser.

sábado, 24 de março de 2012

DECISÕES E ESCOLHAS

de.ci.dir v.t.d. 1. Determinar, resolver 2. Solucionar
3. Dar decisão 4.Tomar deliberação 5. Resolver-se
es.co.lher v.t.d. 1. Ter como preferência; preferir 2. Fazer seleção de
3. Optar entre duas ou mais pessoas ou coisas 4. Eleger; nomear



A vida é como uma estrada. Há estradas longas e curtas; retas e curvas; planícies e planaltos. Há estradas que conduzem a felicidade, a fama e a fortuna, mas também existem aquelas cujo destino é o isolamento, a decepção e a pobreza, seja moral ou financeira.
Tal como em qualquer estrada, os caminhos que adotamos dependem de nossas decisões e escolhas. Sim! Decisões e escolhas são coisas diferentes e, por mais sutil que possa parecer, devemos ter consciência desta desigualdade para evitar frustrações e angústias no futuro.
Decisões são mais abrangentes. Escolhas mais específicas. E eu aprendi isso na última semana depois de uma conversa virtual com o Dr. Flavio Gikovate pelo twitter.
Decidimos por trabalhar ou não, por casar ou não, ter filhos ou não. 
Escolhemos aquilo que deriva de nossas decisões: decido casar e escolho quem será o parceiro; decido trabalhar e escolho entre essa ou aquela profissão; decido ter filhos e escolho entre naturais ou adotivos; decido empreender e escolho o segmento do negócio.

sábado, 12 de novembro de 2011

EM QUE DEVEMOS ACREDITAR?


Sempre que ouço as pessoas utilizando o dicionário empresarial para resolver os desafios de suas vidas me pergunto: “será que tudo aquilo que se aplica às empresas pode ser automaticamente aproveitado em nossas vidas?”
Há pouco mais de 5 anos, o conceito de planejamento estratégico trouxe as palavras cenário e tendência para o centro das reflexões e decisões empresariais. Entretanto, será que toda tendência merece ser seguida sem o questionamento de outros possíveis caminhos e estratégias? Será que o cenário construído por analistas e consultores contempla todas as possibilidades?
São tantos "serás" que me sinto numa música da Legião Urbana. “Será que nada vai acontecer? Será que é tudo isso em vão? Será que vamos conseguir vencer?”

terça-feira, 27 de setembro de 2011

ELAS SAEM NA FRENTE


No último domingo, 25 de setembro, uma surpresa no Diário do Comércio me deixou muito feliz! Depois de representar bravamente os poucos homens presentes ao Encontro Empresarial de Mulheres de Negócios na Zona Leste, o jornalista André de Almeida publicou o texto a seguir.
Além de contar com um fator emocional muito forte, a palestra me permitiu conhecer e interagir com mulheres inteligentes, competentes e realmente dispostas a assumir o leme de suas carreiras e fazer a diferença no mundo de negócios!
Conheça aqui o material da palestra.

"As mulheres abrem duas vezes mais negócios do que os homens no mundo, totalizando mais de 9 milhões de empreendimentos, que movimentam algo em torno de US$ 3,6 trilhões e geram emprego para 27,5 milhões de pessoas. Para debater a importância e o crescimento das mulheres no mercado de trabalho e do empreendedorismo, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP), com o apoio da Distrital Mooca da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), promoveu, semana passada, o Encontro Empresarial Mulheres de Negócios.
Realizado no Círculo de Trabalhadores Cristãos de Vila Prudente, o evento teve a palestra Sensibilidade e Negócios, com Ana Maria Magni Coelho, gerente do Sebrae-SP/Alto Tietê, e um talkshow com a executiva e vencedora estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2010, Rosana Sangiuliano.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

ESCOLHAS

"Tornando-se um consciente criador de escolhas, você começa a gerar ações que são evolucionárias para você." (Deepak Chopra)

Nos últimos dias, noticiei a minha saída do SEBRAE-SP. Uma decisão que envolveu um processo importantíssimo de retomada de valores, direcionamento de carreira e orientação das minhas atitudes para aquilo que considero ser a minha missão.
Muitas empresas também passam por esses momentos! O que vale para as pessoas vale também para as empresas. Uma empresa sobrevive ou não, tem êxito ou fracassa, de acordo com as decisões e escolhas que fez ou faz, de suas estratégias e foco, seus sistemas de crenças e valores, seu estilo gerencial, seus processos, suas estruturas, as pessoas que seleciona, o sistema de treinamento e desenvolvimento que adota. Ou, de acordo com Peter Drucker, "o produto final do trabalho de um gerente são decisões e ações". Resumindo: ESCOLHAS!

domingo, 4 de setembro de 2011

TEATRO DA VIDA

No post de hoje irei me fazer valer de um texto de Lya Luft recebido por e-mail. (nunca sei se os textos que recebo por e-mail são mesmo de autoria de seus "autores virtuais", mas como gostei do tema, resolvi trazê-lo ao Lounge Empreendedor)
Na verdade, ainda me surpreendo como entre a infinidade de "correntes" e e-mails com anjinhos e florzinhas brilhando, ainda podemos selecionar boas coisas.
Se escrevemos aquilo que somos ou o que sentimos em determinados momentos de nossas vidas... Assim funciona também com aquilo que lemos!
Não aceito vender a alma para que o espetáculo da vida siga em frente. O tempo passa rápido demais e sobram poucos espaços para arrependimento no futuro. Não quero ser hamster nem tampouco participar da manada...

sábado, 28 de maio de 2011

EPIDEMIA WORKAHOLIC

Se não pisarmos no freio no mundo corporativo, vamos morrer cedo! É fato, notório e bem sombrio. Isso é o que afirma a matéria principal da revista Você S/A deste mês (maio/2011) e também o que tenho refletido demais nessa primeira semana de uma licença médica que me afastou do trabalho em função de uma lombalgia e problemas no ciático. 
O texto da revista Você S/A não tem outro objetivo senão colocar um certo medo em executivos que estão se acorrentando (às vezes, sem perceber) aos seus computadores, idéias, dinheiro, blackberrys e ao clube do uísque – durante uma boa reunião de negócios, é claro. 
Sendo consciente ou não, o fato é que qualquer escolha gera conseqüências. Uma delas é a sensação de que hoje o mundo gira muito mais rápido que antigamente. 
Por mais que façamos várias coisas durante o dia e até de noite, vamos dormir (quando sobra tempo) com um sentimento estranho, que grita aos nossos ouvidos que não fizemos nada, que o tempo não rendeu e que amanhã será pior.
Afinal, somam-se às tarefas de ontem, as responsabilidades de hoje e haverá acúmulo de trabalho, de obrigações e, sobretudo, de cobranças – inclusive, as próprias, que entopem artérias tão bem quanto um bom pedaço de bacon. Os americanos criaram uma expressão para definir essa sensação angustiante: FOMO – um acrônimo de Fear Of Missing Out. Traduzindo: o medo de perder algo importante.
Tudo bem que, às vezes, é bacana esticar um pouco mais no trabalho, para ver, finalmente, aquele projeto pronto (não é preciso esperar pelo amanhã, não é?) É bacana, esporadicamente, levar alguma coisinha do escritório para casa para melhor refletir, esboçar, ou finalizar. Assim como é ótimo, de vez em quando, pegar aquele domingão de sol para colocar fim num trabalho que está há meses morando em cima da mesa de seu home office.
Às vezes, às vezes, às vezes, que fique claro!
Quando o quebra-galho vira rotina, quando o provisório vira permanente a vaca vai para o brejo. Não há sono de oito horas, banho quente, floral e chá de sete ervas que dê jeito em sua cabeça e você não consegue se desligar. A mente não consegue mais se organizar por horários, pois todas as horas são para o trabalho. O lazer, a ginástica diária, aquela ida ao salão de cabeleireiros e até mesmo os momentos fúteis em frente à TV dão lugar, apenas, à profissão. 
E essa neurose (ih, olha eu escrevendo novamente sobre neurose!) não tem ligação íntima com competência, é bom lembrar.
Dá para ser competente e comprometido sem ter de ficar conectado 24 horas por dia, pensar em trabalho nos momentos de folga e cancelar compromissos familiares ou com amigos para arrumar o armário do escritório!
Para não enlouquecer, sugiro que defina prioridades, de acordo com o momento de sua carreira. É sadio, também, selecionar fontes de informação relevantes. Você não precisa ler todos os e-mails minuto a minuto, atualizar o Facebook a cada uma hora ou ficar preocupado com o Twitter. Essas ferramentas surgiram para facilitar a comunicação e o acesso à informação; não para ser fonte de preocupação. Aprenda, ainda, a não se comparar a todo instante. A angústia que isso causa é fatal. 
É claro que não estou escrevendo esse post com a idéia de dar lição de moral em ninguém, afinal se a matéria me chamou tanto a atenção é porque obviamente me identifiquei imediatamente com o seu título. Aliás, entre os meus amigos mais próximos poucos são aqueles que vivam situações diferentes das descritas no parágrafo anterior.
Ou pior, poucos são os que não se identificam com as frases da matéria:
"Trabalho 60 horas por semana" (a equação é simples: ou trabalham 12 horas por 5 dias ou deixam o final de semana ao esquecimento)
"Estou 24 horas plugado no meu smartphone" (e até durmo com ele na minha cama)
"Não basta ser competente, preciso ser eficaz e inovador" (isso me lembrou o ambiente psicótico da Superinteressante)
"Vivo em fadiga permanente" (até o corpo te mandar parar, né???)
Segundo o médico Gilberto Ururahy, diretor do laboratório carioca de diagnósticos Med-Rio, 50 mil check-ups de gestores brasileiros foram alvo de análise criteriosa em 2010. Do total, 70% convivem com altos níveis de estresse, 50% são obesos e sujeitos a doenças cardíacas e diabetes, e 8% sofrem de depressão, ou seja, o atual estilo de vida do trabalhador brasileiro, do estagiário ao presidente da companhia, está doente.
Por isso, equilibre o desejo em ascender profissionalmente com a necessidade de viver. Entenda os limites entre trabalhar duro e alimentar o workaholic que existe em você.


E por falar em alimentar: elimine aquele pacote de biscoito recheado esfarelando em cima de seu teclado. Não faça de seus horários de almoço mais um momento da empresa. Estabeleça um horário regrado para colocar no prato grãos, proteína magra e muito verde, entre legumes e verduras com direito à mastigação eficiente e demorada. E água, muita água. A má alimentação vem sendo desculpa certeira dos que têm uma jornada de trabalho pesada. Mas isso também é uma questão de escolha!
Então, nesse momento, você já deve estar louco pra me perguntar: “O que fazer, Ana?”
Ora, passar a gostar da sua própria vida pode ser um grande incentivo para querer melhorar certas coisinhas.
Há hora para tudo, para trabalhar e para descansar. Defina horários para ser o melhor profissional e não cumpra esse papel nos momentos reservados para os parentes ou para o seu edredom, pantufa e roupão. Estabelecer limites para ligações também é uma boa. Após um determinado horário, inclusive, não atenda ao celular, ao telefone fixo e ao skype. Sossego é a palavra de ordem! E ser for alguém importante? Imagino que não há nada e nem ninguém mais importante que VOCÊ! 

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no Caderno Opinião - MogiNews
28 de maio de 2011 

domingo, 30 de janeiro de 2011

PERMITA-SE UMA VIDA BOA

Já dizia Caetano Veloso: "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".
Descobrir quem somos efetivamente e aquilo que tem significado real à nossa essência talvez seja nossa principal missão em um processo cada vez mais avassalador de aceitação social.
Hoje, ser alguém é respeitar bulas reducionistas de experiências humanas, seguir padrões determinados por terceiros e cumprir muito mais responsabilidades do que prazeres.
O desnorteado progresso da tecnologia e da globalização dos mais variados ramos das atividades humanas nos leva a nos sentir mais um estrangeiro num país de muitos.
Ninguém se entende, mas todos buscam um idioma comum. Ninguém mais quer saber da dor inerente a ser o que se é.
Pasteurizam-se as experiências e as necessidades e todos vivem a dor de ser o que não são.
A mídia não pára de gritar, o tempo todo, no ouvido de todo mundo, que o legal é seguir um padrão: dormir e acordar cedo, não comer carne vermelha, não beber (ou beber um cálice de vinho todos os dias?), não usar medicamentos (ou tomar uma aspirina por dia?), malhar todos os dias 20 minutos (ou 1 hora completa, 3 vezes por semana?).
Livros, revistas ou qualquer amigo mais próximo podem lhe vender “pílulas de felicidade” em troca da “tão desejada” qualidade de vida.
Mas será que você já parou para pensar no que é a sua vida? Conseguiria qualificá-la naquilo que tenha significado para você em vez de enquadrá-la em algum padrão sem sentido determinado por alguém?
Tomemos a mim como exemplo: Por que não posso viver conectada o tempo todo, se isso for vida boa para mim? Por que eu deveria pesar 60 quilos, se meu padrão corporal jamais me permitiria tal “sonho”? Por que dormir 8 horas por dia, se ao dormir 6 horas meu corpo já se sente pronto a um novo dia?
Padrões pré-estabelecidos de qualidade de vida, aos poucos, vão transformando a população em uma massa homogênea, passiva e disciplinada para seguir uma vida sem sentido. Não é a toa que os consultórios psiquiátricos enchem-se se pessoas deprimidas...
Pessoas que poderiam ser felizes transformam-se em simples corpos viventes sem a menor chance de conciliar suas responsabilidades com seus desejos reais. Em detrimento de uma vida qualificada, seguem regras para uma qualidade de vida que atenda a família, ao chefe, ao vizinho, às estratégias empresariais, ao poder não legitimado ou ao medo de não atenderem aos padrões convencionados como corretos.
Por isso, faço um convite a você, leitor do Lounge Empreendedor: assuma o controle sobre sua própria vida. Desconecte-se dos padrões e pense naquilo que é vida boa pra você. Permita-se viver aquilo que é importante pra você.
Garanto que valerá a pena!

ANA MARIA MAGNI COELHO
Após sequestro para uma tarde de @vidaboayb

sábado, 29 de janeiro de 2011

VOLTA ÀS AULAS

Entra ano e sai ano, pais e mães vivem uma mesma rotina durante as últimas semanas de janeiro: pesquisa cuidadosa de preços para o material escolar, compra de uniforme, reunião de pais e mestres, correria geral.
Imergida nessa rotina, fui surpreendida com uma novidade: meu filho de cinco anos foi convidado para sua primeira promoção. Sim! Promoção. Assim como nas empresas, ele foi avaliado e classificado como apto para assumir “um novo posto” e ingressar em uma nova etapa.
Mãe vaidosa que sou, me orgulhei pelo convite. Entretanto, por mais preparado que ele esteja a entender, assimilar e conectar-se com todo o universo ao seu redor, optei em dar-lhe o direito de ser criança por mais tempo. Afinal, qual seria o objetivo de antecipar vivências que automaticamente virão com o seu desenvolvimento e privá-lo de momentos que se não forem vividos agora podem nunca mais acontecer?
Educar, sob qualquer condição, exige a visão do ser humano como um sistema complexo. Suas propriedades são conseqüências naturais de elementos que não podem ser vistos isoladamente e envolvem múltiplos agentes e variáveis que interagem entre si e entre o meio em que estão inseridos. Não há um “manual de instruções” que garanta a melhor escolha, mas certamente era preciso analisar mais do que suas lições de casa para decidir se esse seria o momento de encarar a “promoção”.
Busquei me lembrar do processo da formalização do ensino, conversei com amigos, despertei meu lado pedagoga e assumi minha responsabilidade pelo processo de desenvolvimento do meu pequeno.
Hoje, trabalhando mais de 12 horas por dia, seria inconcebível abrir mão da escola para uma boa formação educacional de meus filhos, mas assumir meu papel nessa decisão foi fundamental. Antes da institucionalização das escolas toda a aprendizagem acontecia em casa. Pais ou tutores eram os únicos responsáveis por momentos de ensino e aprendizagem. Com a Revolução Industrial e o crescimento das populações, essa forma de produzir e transmitir conhecimento ficou inviável. Os pais deixaram suas próprias casas e, para sobreviver, tiveram de se ligar às fábricas, não lhes sobrando tempo para ensinar os filhos. Por outro lado, os saberes que as fábricas e a vida urbana passaram a demandar também não poderiam mais ser aprendidos apenas em casa. Crescer passou a ser um processo dialético onde as escolas deveriam ensinar e as famílias, educar.
Mas será que temos feito nosso papel com responsabilidade ou delegamos a aprendizagem para que aconteça apenas na escola? Para ser humano, basta conquistar o saber legitimado por um diploma expedido por uma escola oficial? O que fazer com as crianças que desejam aprender coisas diferentes daquelas prescritas pelos programas escolares? Curtir a pré-escola ou correr para o ensino fundamental? Quantas questões foram motivadas pelo simples convite à promoção do meu filho...
Recordo-me das aulas na faculdade de pedagogia onde estudávamos a importância da educação infantil para bons processos de alfabetização. Você sabia que uma criança com 10 anos que cursou a pré-escola tem um desempenho escolar na média 28%, 30% acima daquela que não teve educação infantil? Privar meu filho desse momento (seja por vaidade, economia ou conveniência) poderia comprometer seu desempenho escolar, sua vida acadêmica ou profissional.
Para entender seu efetivo estágio de desenvolvimento, bem como de qualquer outra criança, era preciso ir além e transcender a avaliação de sua capacidade cognitiva. Trata-se de perceber como elas se relacionam com seus amiguinhos, como desenvolvem sua percepção motora e praxia, sua memória, atenção, crítica, planejamento, comportamento, raciocínio, etc. Além da cognição, existem aspectos como a percepção espacial, corporal, visual e temporal que serão fundamentais para um bom adulto no futuro. Avaliá-las de forma pontual e sob uma mesma técnica não funciona nem mesmo com crianças de uma mesma família. Cada ser humano requer uma atenção própria e também uma maneira de ser educada.
Cumpre-me salientar que não desejo minimizar a importância do processo cognitivo e do aprendizado formal de algumas disciplinas do currículo escolar. Entretanto, é preciso ressaltar também o valor de momentos em que o desenvolvimento acontece no “com-viver” e no “com-partilhar” conteúdos aparentemente “menos importantes”. Aprender a ser é tão importante quanto conhecer a nota de matemática no boletim de final de ano. Não deixe que as cobranças, as notas e os processos tradicionais dos sistemas educacionais matem a sede de curiosidade e a criatividade natural das crianças em seu desenvolvimento. Cada etapa tem que ser respeitada e vivida de forma plena!
Por isso, nessa volta às aulas, eleve seu pensamento para além da rotina. Reflita sobre o que deseja proporcionar a seus filhos em longo prazo e não terceirize sua responsabilidade em oferecer-lhes as oportunidades que puder HOJE. Afinal, para viver o futuro sempre haverá uma chance, mas para reviver o que ficou no passado, não existe nenhuma alternativa.
Se perdi a chance de economizar um ano de mensalidades escolares ao negar a primeira “promoção” do meu pequeno, faço render a esperança de que não haja um dia sequer em sua vida em que ele sinta falta de ter brincado e desfrutado seu talento mais extraordinário: ser criança.

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no Caderno Opinião – MogiNews
29 de janeiro de 2011

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

SEMENTES


Existe um provérbio chinês que diz que "todas as flores do futuro estão nas sementes de hoje”.
Em 13 anos da presença do SEBRAE-SP no Alto Tietê, comemorados na última semana, temos semeado muitos sonhos.
Sonhos de pessoas que desejam evoluir como empresários e como cidadãos capazes de contribuir para o desenvolvimento e crescimento local.
Escutar, atender, informar, contribuir, esclarecer, satisfazer... É assim que aramos nosso solo. Buscamos satisfazer as necessidades dos nossos clientes, mas também as nossas através de um trabalho que nos contagia e nos dá muito prazer!
Realizamos mais de 130.000 atendimentos e quase 2.000 cursos. Desenvolvemos projetos focados no fortalecimento do agronegócio e dos empresários rurais, no fomento ao crescimento industrial, na dinamização dos setores de comércio e serviços e na valorização da cultura, artesanato e do potencial turístico regional.
Paralelamente, trabalhamos pela melhoria do ambiente empresarial através da aprovação da lei geral em 50% do nosso território, a inclusão do empreendedorismo como disciplina regular do ensino fundamental, a desburocratização, o acesso a crédito e facilitação do acesso à informação aos micro empreendedores individuais.
Estamos plantando nossas sementes. E, assim, pode ser a vida de cada um de nós!
Podemos escolher viver entre queixas e reclamações, ou buscar novas soluções e inventar aquilo que ainda nem existe.
Podemos nos queixar da falta de emprego e oportunidades, ou varrer a calçada, olhar os filhos das vizinhas, fazer um bolo e vender em pedaços.
Podemos, ainda, nos isolar do mundo acreditando na idéia de que “ninguém nos ama e ninguém nos quer”, mas acabar descobrindo, depois de muito sofrer, que quem não ama na verdade é você mesmo.
Podemos falar mal do governo, ou enviar uma sugestão que ajude na solução do trânsito, da segurança ou do lixo em nosso bairro.
Podemos cruzar os braços, ou estender a mão para alguém aflito e com problemas maiores do que aqueles que nem em pesadelos imaginamos um dia ter.
Parece ousado? Realmente é!
Mas com energia, interesse genuíno e disposição somos capazes de definir objetivos e transformá-los em resultados de boas colheitas.
Boas sementes geram boas árvores e bons frutos. Escolha suas sementes hoje!
Cora Coralina
Deixar pessoas melhores para o mundo requer que vivamos repletos de paixão por empreender e por transformar sonhos em realidade.
Tome a decisão de viver e de ser feliz, de amar e ser amado, de dar mais que receber.
Você poderá sentir que é necessário recomeçar quando tudo parece negar uma nova chance, mas deixe na terra ao menos uma semente, afinal como escreveu Cora Coralina, não sabemos “se a vida é curta ou longa para nós, mas nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. É isso o que dá sentido à vida.”

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no caderno Opinião - MogiNews
27 de novembro de 2010


sábado, 23 de outubro de 2010

REFLEXOS NO ESPELHO


Os presidenciáveis deixaram de lado a polêmica do aborto para investir em outro ponto de discórdia. Enquanto incitam a violência e o acirramento de ânimos na reta final do processo eleitoral, cabe ao eleitor escolher seu candidato por exclusão.
Você prefere bolinhas de papel ou bexigas de água? Será que esse é o Brasil do futuro que ouvíamos desde criança? Um futuro construído sobre as promessas de manutenção do passado?
Se os candidatos debatessem realmente o futuro ou pautas claras sobre educação, segurança e meio-ambiente não haveria ataques, mas uma visão de desenvolvimento com soluções em prol do bem-comum de nosso país. O eleitor poderia escolher por identificação.
Entretanto, o que vemos desde o anúncio do resultado do primeiro turno é uma sucessão de disparates. A agressão foi a tônica de toda campanha nessa fase, e por isso, não me surpreende que ela se expresse fisicamente aos candidatos nesse momento.
Desde criança, ouço meus avós me dizerem que a vida é o espelho das ações que realizamos.
É hora de olharmos ao redor e aprendermos a lição: de todas as escolhas que fizermos, receberemos de volta as suas conseqüências. E, geralmente, em dobro!
O mundo reflete aquilo e quem você é. Se você não está feliz com o que está acontecendo ao seu redor, o tipo de pessoa que você atrai ou as oportunidades que se apresentam, pare de tentar mudar o mundo. Mude suas próprias ações e pensamentos!
Busque entender onde está seu foco. Para a maioria das pessoas, o foco está no mundo exterior. Entretanto, direcionar a responsabilidade pelos resultados de sua vida apenas ao mundo exterior pode levá-lo à infelicidade e uma busca contínua de um estado indescritível e indefinível de seu próprio ser.
O mundo é o espelho de suas atitudes, crenças e pensamentos. A chave para moldar e mudar a sua situação é focalizar a mudança em si mesmo.
Por isso, olhe para dentro. Defina aquilo que é aceitável ou não para você. Determine por quanto tempo você está disposto a receber “bolinhas de papel na sua cabeça”.
Seus pensamentos e crenças trouxeram você até aqui, mas suas escolhas atuais construirão o seu futuro. Culpar os outros e as circunstâncias significa que você não está assumindo a responsabilidade e propriedade de e para si mesmo.
Pare de tentar mudar o espelho. Negar sua responsabilidade sobre seus próprios resultados faz de você uma vítima do mundo e de suas circunstâncias. Cada faceta de sua experiência de vida é uma resposta para a essência de quem você é.
Você pode até se assustar com essa idéia quando se depara com ela pela primeira vez, mas não há como não se render.
De tudo o que acontece, sempre há um terço de responsabilidade que é exclusivamente sua! Não adianta culpar apenas o ambiente ou os outros.
Como disse Mahatma Gandhi: "devemos nos tornar a mudança que queremos ver no mundo". Espero que nossos candidatos pensem nisso durante a próxima semana e que os eleitores, mesmo com dificuldade, possam fazer a melhor escolha.

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no Caderno Opinião - MogiNews
23 de outubro de 2010


sábado, 4 de setembro de 2010

SOBRENOME


Nome, Sobrenome. É assim que qualquer pessoa pode ser identificada em suas comunidades e territórios, sejam países, cidades, clubes ou qualquer outro de sua preferência.
Empresas são também “territórios” sociais. Espaços que passam a oferecer aos seus colaboradores um sobrenome tal qual a primeira comunidade em que o ser humano se insere: a família.
Na medida em que o tempo passa, você deixa de ser apenas você para assumir cada vez mais o sobrenome da sua empresa. “Oi, aqui é a Maria, da empresa ABC”.
O novo sobrenome passa a transcender a questão do emprego e o trabalho assume um significado existencial. Significa integrar-se numa outra família, ter irmãos, sentir orgulho das conquistas comuns e defender essa comunidade.
É como se a perda do sobrenome deixasse o indivíduo a mercê de ser quem efetivamente é.
As escolhas corporativas passam a ser expressões de sua própria personalidade, quando na verdade não passam de armadilhas do papel que você representa. O crescimento profissional, a boa situação financeira e os compromissos sociais aos poucos ocupam o espaço de uma vida pessoal e espiritual equilibrada.
Acreditar apenas em um papel, qualquer que seja, significa mentir a si mesmo. As responsabilidades, sofrimentos e conquistas ligadas a ele são apenas ilusórios.
Responda com sinceridade: você é sua empresa ou sua essência?
Não há problema algum em aceitar o sobrenome de uma empresa que você respeita e admira, mas é importante encontrar o equilíbrio entre ter sucesso e realizar-se pessoalmente. Do contrário, você pode se tornar um executivo subalterno de seu próprio sobrenome.
Busque pontos de convergência entre a necessidade da sua empresa (sucesso profissional) e a sua própria necessidade pessoal (realização). Equilibre as demandas de curto prazo e os objetivos de longo prazo. Estabeleça um balanceamento eficaz entre seus sonhos e suas conquistas.
É preciso abrir mão de pensamentos, emoções e convicções antigas e dar espaço a novas escolhas. A ilusão de uma vida apenas de papéis pode levar a estagnação da alma.
Liberdade significa interpretar intencionalmente qualquer papel sem ser prisioneiro dele. Não significa mentir, mas sim entender que essa é uma opção estratégica. Uma tarefa que não pode ser conduzida sem uma cooperação total e despojada entre profissionais e empresas.
Para as empresas, ter um time qualificado e motivado carregando sua marca com orgulho em seu sobrenome é uma de suas maiores vantagens competitivas.
Para os profissionais, saber quais são as conquistas que efetivamente importam em sua vida é uma forma de entender a força de um sobrenome, mas principalmente a importância da liberdade.
O doce da vida não é apenas viver, mas ousar ser aquilo que você é por dentro.

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no Caderno Opinião - MogiNews
04 de setembro de 2010

sexta-feira, 30 de julho de 2010

REPUBLICADO - UMA NOVA POSTURA

Trabalhar é essencial e enobrece o ser humano, mas esquecer a vida por trás da empresa ou escritório é um perigo para a busca da qualidade de vida e dos próprios resultados organizacionais.
Você está completamente satisfeito com a forma como equilibra trabalho e lazer? Gostaria de ter mais tempo para a família e acredita que poderia melhorar a sua qualidade de vida e o desempenho profissional se soubesse balancear os dois fatores? Aliás, você já pensou nisso?
Parece haver três linhas predominantes de pensamento sobre como viver a vida. Uma delas defende o trabalho duro por muitos anos e o acúmulo de recursos financeiros visando um futuro próspero. Outra prioriza curtir o máximo que a vida possa proporcionar e depois viver dos recursos da aposentadoria, ainda que essa não seja lá grande coisa. E uma terceira tenta equilibrar trabalho e lazer durante toda a vida.
Qualquer pessoa precisa do trabalho como meio de sobrevivência, geração de renda ou desenvolvimento intelectual, mas necessita também do apoio da família, de momentos de lazer, de reflexão, de distração mental, cuidados com a saúde e relações pessoais.
Vida profissional e pessoal devem caminhar juntas e o sucesso dependerá do equilíbrio e da estabilidade nessas duas esferas.
A alta competitividade, a busca constante pela excelência e a concorrência cada vez mais acirrada faz com que as pessoas exagerem na carga de trabalho. Muitos nem se dão conta de que trabalham acima dos seus limites. Contudo, é importante saber que o excesso de dedicação apenas à esfera profissional pode diminuir consideravelmente a qualidade e a produtividade do próprio trabalho.
Se você deseja saber se está na hora de rever seu próprio estilo e mudar o ritmo de sua dedicação, tente responder essas questões:
  1. Você começa a trabalhar bem cedo e termina tarde todos os dias?
  2. Você tem tirado, em média, menos de vinte dias de férias nos últimos três anos ou tem o hábito de fracionar e adiar as suas férias?
  3. Você pensa no trabalho quando não está trabalhando?
  4. Sempre que tem oportunidade de freqüentar eventos sociais, costuma falar sobre trabalho?
  5. Costuma se sentir cansado após uma noite de sono?
  6. Domingo à noite você prepara a roupa que vai usar na segunda-feira?
Se a sua resposta for positiva para três ou mais questões é o momento de rever suas prioridades e buscar um maior equilíbrio entre trabalho e lazer.
Essa relação equilibrada fará de você uma pessoa mais feliz e, conseqüentemente, trará melhores resultados para sua empresa que pode passar a trabalhar com indivíduos completos, não somente com partes fracionadas. Entender-se, conhecer-se, exercitar-se em todas as dimensões do seu ser é sua responsabilidade.
Que tal começar agora?
Seja um profissional diferente!


ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no Caderno Opinião - MogiNews
31 de julho de 2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

TOME A DECISÃO


Peter Drucker, mestre da administração, dizia “onde há uma empresa de sucesso, alguém tomou alguma vez uma decisão valente”.
Parece muito simples, mas como não somos robôs, nossas escolhas normalmente envolvem emoções. Cada uma das escolhas que um executivo realiza ao longo de seu dia envolve milhares de mensagens e idéias que rodopiam velozmente por sua mente.
Numa fração de segundos, a mente humana é capaz de revisar fatos, explorar sentimentos, estudar conseqüências, comparar opções com suas crenças e prioridades, considerar o que outras pessoas podem pensar e, só então, dar uma sugestão para determinado modo de agir ou reagir.
A teoria da tomada de decisão tem como objetivo minimizar o impacto dessas emoções e sistematizar uma forma de análise que considere a maior quantidade possível de variáveis que influenciem a escolha de uma alternativa em um problema. Envolve além de ousadia e coragem, uma boa capacidade de planejamento e método para levar a empresa ao resultado esperado ou ao mais próximo dele.
Decisões tomadas sem método e com pressa podem ter conseqüências que duram por toda a vida. Por isso, reconheça a situação (problema ou oportunidade) com clareza de detalhes. Essa etapa é crucial, pois se não for bem feita pode levá-lo a gastar tempo de análise inútil. Visualize o objetivo a ser alcançado de modo que possa ser quantificado ao final de sua decisão.
Elabore, então, alternativas de ação. E atenção: a palavra está mesmo no plural. É necessário que você encontre várias alternativas, pois se elas não existem, não há decisão a ser tomada. Avalie as vantagens e desvantagens de cada alternativa sendo sincero e crítico. Lembre-se que a coisa mais certa a ser feita não é, geralmente, a mais fácil.
Uma vez escolhida a decisão, é hora de implementá-la. Anuncie sua decisão a todos os envolvidos com confiança e de forma decisiva, pois caso contrário poderá ser despertado um sentimento de insegurança nos outros. Estabeleça um plano de ação e mãos à obra.
Avalie os resultados da decisão sistematicamente e com a consciência de erros podem acontecer. Caso aconteçam, tenha humildade em reconhecê-los, pois se os resultados não são os esperados, muitas vezes sai mais barato admitir o erro do que manter a decisão.
Se os resultados reais não se ajustarem aos planejados, é preciso que haja mudanças na solução escolhida, na sua implantação ou no objetivo original, se este for tido como inatingível.
Nunca esqueça que uma decisão não é um fim em si mesma, mas um meio para se conseguir um fim.

Esse é um otimo exemplo de como uma simples decisão pode mudar uma situação...


ANA MARIA MAGNI COELHO
Coluna de O Diário Empresarial
15 de julho de 2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

PARA ONDE VAI A SUA VAQUINHA?


Hoje no Diário do Alto Tietê, recebi uma deliciosa e reflexiva homenagem da minha amiga Marilei Schiavi que compartilho com vocês:

O Meu Bom Dia Especial de Hoje vai para a querida amiga Ana Maria Magni Coelho. Ela é a competente gerente regional do Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo) na região do Alto Tietê. Além de grande profissional, a Ana é a mãe exemplar do Marcelo e do Luca, além de esposa do Jorge. Às terças-feiras, a Ana empresta o seu talento de mulher-mídia e participa das "Meninas da Marilei" no Radar Noticioso. Há mais de dois anos, ela me enviou uma mensagem que é uma parábola que eu vou dividir com você agora...

Não espere que alguém jogue sua vaca no precipício. Atire-a antes!

Um filósofo passeava por uma floresta com um discípulo, conversando sobre a importância dos encontros inesperados. De acordo com o mestre, tudo que está diante de nós nos oferece uma chance de aprender ou ensinar. Quando cruzavam a porteira de um sítio que, embora muito bem localizado, tinha uma aparência miserável, o discípulo comentou:
- O senhor tem razão. Veja este lugar. Acabo de aprender que muita gente está no paraíso, mas não se dá conta disso e continua a viver em condições miseráveis.
- Eu disse aprender e ensinar - retrucou o mestre. Bateram à porta da casa e foram recebidos pelos moradores: um casal, três filhos, todos com as roupas sujas e rasgadas.
- O senhor está no meio desta floresta, não há nenhum comércio nas redondezas. Como sobrevivem aqui? - perguntou.
- Temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite todos os dias. Parte desse produto vendemos ou trocamos, na cidade vizinha, por outros gêneros de alimentos. Com a outra parte, produzimos queijo, coalhada e manteiga para o nosso consumo.
O filósofo agradeceu a informação, contemplou o lugar por um momento e foi. No meio do caminho, disse ao discípulo que pegasse a vaquinha daquele homem e jogásse-a ao precipício.
- Mas ela é a única forma de sustento da família! - espantou-se o discípulo. O filósofo permaneceu calado. Sem alternativa, o rapaz fez o que lhe pedira o mestre, e a vaca morreu na queda. Muitos anos depois, já um empresário bem-sucedido, o ex-discípulo resolveu voltar ao mesmo lugar, contar tudo à família, pedir perdão e ajudá-los financeiramente. Mas para a sua surpresa, encontrou o local transformado num belíssimo sítio, com carro na garagem e algumas crianças brincando no jardim. Ficou desesperado, imaginando que a humilde família tivesse precisado vender o sítio para sobreviver. E ficou ainda mais assustado quando soube que a família continuava dona do sítio.
Espantado, ele entrou correndo na casa, e o senhor logo o reconheceu. Estava ansioso demias para saber como o homem conseguira ficar tão bem de vida.
- Bem, nós tínhamos uma vaca, mas ela caiu no precipício e morreu. Então, para sustentar minha família, tive de plantar ervas e legumes. Como as plantas demoravam a crescer, comecei a cortar madeira para vender. Ao fazer isso, tive de replantar as árvores e precisei comprar mudas. Ao comprar mudas, lembrei-me da roupa dos meus filhos e pensei que talvez pudesse cultivar algodão. Passei um ano difícil, mas quando a colheita chegou eu já estava exportando legumes, algodão e ervas aromáticas. Nunca havia me dado conta de todo o meu potencial aqui: ainda bem que aquela vaquinha morreu!".
Atirar a vaca pode ser mudar de emprego, de ramo de negócio, buscar novas oportunidades, fechar um negócio, enfim, mudar. faça algo diferente para descobrir suas reais potencialidades. Mesmo que sua vaca seja bonitinha, talvez esteja na hora de atirá-la!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

CHEGOU A SUA VEZ? PREPARE-SE!


Todo ser humano idealiza um futuro brilhante, entretanto poucos profissionais realmente planejam de forma racional uma mudança de emprego, uma transição de carreira ou o início de uma vida empreendedora.
Planejar esse momento é crucial, afinal mudar dá trabalho. E se não der, fique atento, pois se você deseja sair de um patamar que já conhece para uma aposta em uma situação ainda desconhecida, não será fácil, mas também não será impossível.
Mergulhar de cabeça no que parece ser uma grande oportunidade sem cumprir etapas importantes do planejamento pode gerar insatisfação, perda de tempo, de dinheiro e desgastes desnecessários.
Para não errar nas escolhas quando novas oportunidades surgirem, é preciso ter clareza sobre sua situação atual e sobre as variáveis que servirão de base comparativa para uma tomada de decisão consciente. Você precisa dedicar tempo e disciplina para si e não deixar que problemas atuais e pontuais influenciem sua análise. Lembre-se que problemas sempre farão parte de qualquer emprego, carreira ou negócio e que nada é só problema e nada é só solução o tempo todo.
É você que escolhe para qual lado pretende levar sua vida. Se viver mergulhado nas atividades e rotinas que cegam para o que é efetivamente um problema e para o que pode vir a ser uma solução, você não conseguirá perceber as oportunidades que podem emergir nesse mesmo mar.
Não deixe a maré conduzir você. As grandes ondas devem ser surfadas de acordo com o estágio de desenvolvimento do atleta e se você ainda não estiver pronto, não adianta querer “se jogar no mar” ou será atirado contra as pedras.
Para não se machucar no que parece ser a onda rumo ao seu futuro brilhante, entenda seu estágio profissional. O que te leva a querer mudar agora? Seu emprego atual lhe traz satisfação? Está infeliz com o trabalho ou são as relações estabelecidas entre os pares, superiores ou subordinados que lhe incomodam? Seus valores pessoais colidem com os valores corporativos? Existem perspectivas para o que você deseja atingir? Sua família está pagando um preço alto pela sua demanda profissional? O mercado está disposto a pagar pelo o que você tem a oferecer ou você está apenas realizando um sonho?
Profissionais em transição devem ter a maturidade para declinar ou não de um processo em função das suas próprias constatações. Não basta “querer sair” de onde você está, mas entender os porquês de “querer ir para o novo lugar”.
E caso você constate que não tem condições de mudar agora e fique com a sensação de que está perdendo a oportunidade dos seus sonhos, não se lamente! Continue a fazer o que precisa ser feito, dedique mais tempo ao seu planejamento de carreira, prepare suas finanças, sua família e sua vida! As oportunidades se repetem para aqueles que sabem onde querem chegar e usam o que têm para buscar aquilo que lhes falta.

ANA MARIA MAGNI COELHO
O Diário Empresarial - Mogi das Cruzes
28 de maio de 2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

SEJA O SENHOR DE SI


Desde criança nossos ouvidos se acostumam a ouvir “não”. Não pode nadar depois de comer. Não pode bater nos amiginhos da escola. Não pode tomar sorvete antes de almoçar. É tanto "não" que até perde a graça e talvez de tanto ouvir, não aprendemos a falar.
Não aprendemos a atribuir nosso valor e não conseguimos perceber que as pessoas podem nos amar mesmo que não sejamos suas escravas. Vivemos num mundo em que somos ensinados a ser mais aparência do que essência e onde vale mais ser o que os outros precisam que sejamos, do que fazer valer nossas vontades.
Pense em quantas vezes você saiu insatisfeito de uma situação em que não conseguiu dizer não. Os motivos podem ser vários: sentir-se ameaçado, querer agradar ou querer provar ser um super-herói que na verdade não existe – uma pessoa perfeita que pode sozinha realizar suas tarefas, cuidar da família, da sua comunidade e ajudar as pessoas, mesmo que isso a prejudique ou sacrifique suas próprias vontades.
Mas será que precisamos mesmo disso?
Para ser uma pessoa boa, de verdade, é preciso impor limites. Ser boa, antes de tudo, para si mesmo e deixar de ter medo do que os outros vão falar ou fazer.
Dizer “não” é responsabilizar-se por si, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza e permitir-se fazer aquilo que realmente você quer sem sentir-se culpado.
Não significa que você precise virar o senhor de si mesmo e fazer apenas o que quer, mas sim que saiba construir e manter relacionamentos adequados e positivos e que coloque seus próprios valores pessoais acima dos valores do seu grupo ou de sua empresa. Saber dizer “não” é uma arte, um respeito a você mesmo.
Aceitar propostas com as quais você não concorde através de um “sim” hesitante, além de demonstrar incerteza e insegurança no presente; no futuro irá gerar frustração, raiva e nada mais. A cada momento que você deixa de questionar e abaixa a cabeça para qualquer pedido, você perde a chance de exercitar seu próprio discernimento, o que pode, inclusive, interferir na sua competência profissional ou na manutenção de um relacionamento.
Por isso, aperfeiçoe sua habilidade interpessoal, sua compreensão e sua empatia. Estude seu interlocutor e perceba a maneira como ele se comunica. Procure estar em sintonia com seu tom de voz, vocabulário, estilo, objetividade ou subjetividade nas colocações. Ofereça alternativas que solucionem a questão em troca de um simples “não” e faça o outro entender os seus motivos. Isto requer treino, observação e ação.
Procure não voltar atrás na decisão tomada. Acabe hoje mesmo com essa história de “não sei dizer não”. Quando sentir que é o momento do exercício, diga “não” com coragem, convicção e sabendo que você está apenas colocando os seus limites, e nada mais.

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no Caderno Opinião
MogiNews - 24 de abril de 2010
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