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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

PELAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS


Em seu primeiro pronunciamento como presidenta eleita de nosso País, Dilma Rousseff verbalizou em vários momentos a importância de um tratamento diferenciado aos empreendedores individuais e às micro e pequenas empresas.
Como o governo ainda nem começou e caberá a cada cidadão acompanhar a realização dessas metas, o Lounge Empreendedor não poderia deixar de registrar a íntegra do discurso de Dilma Rousseff  (fonte: Folha.com)
Que assim, seja!

PRONUNCIAMENTO DE 31 DE OUTUBRO DE 2010

Principais palavras citadas em campanha pela, então, candidata
Dilma Rousseff

Minhas amigas e meus amigos de todo o Brasil,

É imensa a minha alegria de estar aqui.
Recebi hoje de milhões de brasileiras e brasileiros a missão mais importante de minha vida.
Este fato, para além de minha pessoa, é uma demonstração do avanço democrático do nosso país: pela primeira vez uma mulher presidirá o Brasil. Já registro portanto aqui meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural. E que ele possa se repetir e se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades representativas de toda nossa sociedade.
A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio essencial da democracia. Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: SIM, a mulher pode!
Minha alegria é ainda maior pelo fato de que a presença de uma mulher na presidência da República se dá pelo caminho sagrado do voto, da decisão democrática do eleitor, do exercício mais elevado da cidadania. Por isso, registro aqui outro compromisso com meu país:
Valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social.
Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa.
Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto.
Zelarei pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados em nossa constituição.
Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da presidência da República.
Nesta longa jornada que me trouxe aqui pude falar e visitar todas as nossas regiões.
O que mais me deu esperanças foi a capacidade imensa do nosso povo, de agarrar uma oportunidade, por mais singela que seja, e com ela construir um mundo melhor para sua família.
É simplesmente incrível a capacidade de criar e empreender do nosso povo. Por isso, reforço aqui meu compromisso fundamental: a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras.
Ressalto, entretanto, que esta ambiciosa meta não será realizada pela vontade do governo. Ela é um chamado à nação, aos empresários, às igrejas, às entidades civis, às universidades, à imprensa, aos governadores, aos prefeitos e a todas as pessoas de bem.
Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte.
A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos que possam ajudar o país no trabalho de superar esse abismo que ainda nos separa de ser uma nação desenvolvida.
O Brasil é uma terra generosa e sempre devolverá em dobro cada semente que for plantada com mão amorosa e olhar para o futuro.
Minha convicção de assumir a meta de erradicar a miséria vem, não de uma certeza teórica, mas da experiência viva do nosso governo, no qual uma imensa mobilidade social se realizou, tornando hoje possível um sonho que sempre pareceu impossível.
Reconheço que teremos um duro trabalho para qualificar o nosso desenvolvimento econômico. Essa nova era de prosperidade criada pela genialidade do presidente Lula e pela força do povo e de nossos empreendedores encontra seu momento de maior potencial numa época em que a economia das grandes nações se encontra abalada.
No curto prazo, não contaremos com a pujança das economias desenvolvidas para impulsionar nosso crescimento. Por isso, se tornam ainda mais importantes nossas próprias políticas, nosso próprio mercado, nossa própria poupança e nossas próprias decisões econômicas.
Longe de dizer, com isso, que pretendamos fechar o país ao mundo. Muito ao contrário, continuaremos propugnando pela ampla abertura das relações comerciais e pelo fim do protecionismo dos países ricos, que impede as nações pobres de realizar plenamente suas vocações.
Mas é preciso reconhecer que teremos grandes responsabilidades num mundo que enfrenta ainda os efeitos de uma crise financeira de grandes proporções e que se socorre de mecanismos nem sempre adequados, nem sempre equilibrados, para a retomada do crescimento.
É preciso, no plano multilateral, estabelecer regras mais claras e mais cuidadosas para a retomada dos mercados de financiamento, limitando a alavancagem e a especulação desmedida, que aumentam a volatilidade dos capitais e das moedas. Atuaremos firmemente nos fóruns internacionais com este objetivo.
Cuidaremos de nossa economia com toda responsabilidade. O povo brasileiro não aceita mais a inflação como solução irresponsável para eventuais desequilíbrios. O povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável.
Por isso, faremos todos os esforços pela melhoria da qualidade do gasto público, pela simplificação e atenuação da tributação e pela qualificação dos serviços públicos.
Mas recusamos as visões de ajustes que recaem sobre os programas sociais, os serviços essenciais à população e os necessários investimentos.
Sim, buscaremos o desenvolvimento de longo prazo, a taxas elevadas, social e ambientalmente sustentáveis. Para isso zelaremos pela poupança pública.
Zelaremos pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência do serviço público.
Zelarei pelo aperfeiçoamento de todos os mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo.
Valorizarei o Micro Empreendedor Individual, para formalizar milhões de negócios individuais ou familiares, ampliarei os limites do Supersimples e construirei modernos mecanismos de aperfeiçoamento econômico, como fez nosso governo na construção civil, no setor elétrico, na lei de recuperação de empresas, entre outros.
As agências reguladoras terão todo respaldo para atuar com determinação e autonomia, voltadas para a promoção da inovação, da saudável concorrência e da efetividade dos setores regulados.
Apresentaremos sempre com clareza nossos planos de ação governamental. Levaremos ao debate público as grandes questões nacionais. Trataremos sempre com transparência nossas metas, nossos resultados, nossas dificuldades.
Mas acima de tudo quero reafirmar nosso compromisso com a estabilidade da economia e das regras econômicas, dos contratos firmados e das conquistas estabelecidas.
Trataremos os recursos provenientes de nossas riquezas sempre com pensamento de longo prazo. Por isso trabalharei no Congresso pela aprovação do Fundo Social do Pré-Sal. Por meio dele queremos realizar muitos de nossos objetivos sociais.
Recusaremos o gasto efêmero que deixa para as futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.
O Fundo Social é mecanismo de poupança de longo prazo, para apoiar as atuais e futuras gerações. Ele é o mais importante fruto do novo modelo que propusemos para a exploração do pré-sal, que reserva à Nação e ao povo a parcela mais importante dessas riquezas.
Definitivamente, não alienaremos nossas riquezas para deixar ao povo só migalhas.
Me comprometi nesta campanha com a qualificação da Educação e dos Serviços de Saúde.
Me comprometi também com a melhoria da segurança pública.
Com o combate às drogas que infelicitam nossas famílias.
Reafirmo aqui estes compromissos. Nomearei ministros e equipes de primeira qualidade para realizar esses objetivos.
Mas acompanharei pessoalmente estas áreas capitais para o desenvolvimento de nosso povo.
A visão moderna do desenvolvimento econômico é aquela que valoriza o trabalhador e sua família, o cidadão e sua comunidade, oferecendo acesso a educação e saúde de qualidade.
É aquela que convive com o meio ambiente sem agredi-lo e sem criar passivos maiores que as conquistas do próprio desenvolvimento.
Não pretendo me estender aqui, neste primeiro pronunciamento ao país, mas quero registrar que todos os compromissos que assumi, perseguirei de forma dedicada e carinhosa.
Disse na campanha que os mais necessitados, as crianças, os jovens, as pessoas com deficiência, o trabalhador desempregado, o idoso teriam toda minha atenção. Reafirmo aqui este compromisso.
Fui eleita com uma coligação de dez partidos e com apoio de lideranças de vários outros partidos. Vou com eles construir um governo onde a capacidade profissional, a liderança e a disposição de servir ao país será o critério fundamental.
Vou valorizar os quadros profissionais da administração pública, independente de filiação partidária.
Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio.
A partir de minha posse serei presidenta de todos os brasileiros e brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de orientação política.
Nosso país precisa ainda melhorar a conduta e a qualidade da política. Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, numa reforma política que eleve os valores republicanos, avançando em nossa jovem democracia.
Ao mesmo tempo, afirmo com clareza que valorizarei a transparência na administração pública. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. Serei rígida na defesa do interesse público em todos os níveis de meu governo. Os órgãos de controle e de fiscalização trabalharão com meu respaldo, sem jamais perseguir adversários ou proteger amigos.
Deixei para o final os meus agradecimentos, pois quero destacá-los. Primeiro, ao povo que me dedicou seu apoio. Serei eternamente grata pela oportunidade única de servir ao meu país no seu mais alto posto. Prometo devolver em dobro todo o carinho recebido, em todos os lugares que passei.
Mas agradeço respeitosamente também aqueles que votaram no primeiro e no segundo turno em outros candidatos ou candidatas. Eles também fizeram valer a festa da democracia.
Agradeço as lideranças partidárias que me apoiaram e comandaram esta jornada, meus assessores, minhas equipes de trabalho e todos os que dedicaram meses inteiros a esse árduo trabalho.
Agradeço a imprensa brasileira e estrangeira que aqui atua e cada um de seus profissionais pela cobertura do processo eleitoral.
Não nego a vocês que, por vezes, algumas das coisas difundidas me deixaram triste. Mas quem, como eu, lutou pela democracia e pelo direito de livre opinião arriscando a vida; quem, como eu e tantos outros que não estão mais entre nós, dedicamos toda nossa juventude ao direito de expressão, nós somos naturalmente amantes da liberdade. Por isso, não carregarei nenhum ressentimento.
Disse e repito que prefiro o barulho da imprensa livre ao silencio das ditaduras. As criticas do jornalismo livre ajudam ao pais e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório.
Agradeço muito especialmente ao presidente Lula. Ter a honra de seu apoio, ter o privilégio de sua convivência, ter aprendido com sua imensa sabedoria, são coisas que se guarda para a vida toda. Conviver durante todos estes anos com ele me deu a exata dimensão do governante justo e do líder apaixonado por seu pais e por sua gente. A alegria que sinto pela minha vitória se mistura com a emoção da sua despedida.
Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós.
Baterei muito a sua porta e, tenho certeza, que a encontrarei sempre aberta.
Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade. A tarefa de sucedê-lo é difícil e desafiadora. Mas saberei honrar seu legado.
Saberei consolidar e avançar sua obra.
Aprendi com ele que quando se governa pensando no interesse público e nos mais necessitados uma imensa força brota do nosso povo.
Uma força que leva o país para frente e ajuda a vencer os maiores desafios.
Passada a eleição agora é hora de trabalho. Passado o debate de projetos agora é hora de união.
União pela educação, união pelo desenvolvimento, união pelo país. Junto comigo foram eleitos novos governadores, deputados, senadores. Ao parabenizá-los, convido a todos, independente de cor partidária, para uma ação determinada pelo futuro de nosso país.
Sempre com a convicção de que a Nação Brasileira será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ela.
Muito obrigada, Dilma Rousseff

sábado, 23 de outubro de 2010

REFLEXOS NO ESPELHO


Os presidenciáveis deixaram de lado a polêmica do aborto para investir em outro ponto de discórdia. Enquanto incitam a violência e o acirramento de ânimos na reta final do processo eleitoral, cabe ao eleitor escolher seu candidato por exclusão.
Você prefere bolinhas de papel ou bexigas de água? Será que esse é o Brasil do futuro que ouvíamos desde criança? Um futuro construído sobre as promessas de manutenção do passado?
Se os candidatos debatessem realmente o futuro ou pautas claras sobre educação, segurança e meio-ambiente não haveria ataques, mas uma visão de desenvolvimento com soluções em prol do bem-comum de nosso país. O eleitor poderia escolher por identificação.
Entretanto, o que vemos desde o anúncio do resultado do primeiro turno é uma sucessão de disparates. A agressão foi a tônica de toda campanha nessa fase, e por isso, não me surpreende que ela se expresse fisicamente aos candidatos nesse momento.
Desde criança, ouço meus avós me dizerem que a vida é o espelho das ações que realizamos.
É hora de olharmos ao redor e aprendermos a lição: de todas as escolhas que fizermos, receberemos de volta as suas conseqüências. E, geralmente, em dobro!
O mundo reflete aquilo e quem você é. Se você não está feliz com o que está acontecendo ao seu redor, o tipo de pessoa que você atrai ou as oportunidades que se apresentam, pare de tentar mudar o mundo. Mude suas próprias ações e pensamentos!
Busque entender onde está seu foco. Para a maioria das pessoas, o foco está no mundo exterior. Entretanto, direcionar a responsabilidade pelos resultados de sua vida apenas ao mundo exterior pode levá-lo à infelicidade e uma busca contínua de um estado indescritível e indefinível de seu próprio ser.
O mundo é o espelho de suas atitudes, crenças e pensamentos. A chave para moldar e mudar a sua situação é focalizar a mudança em si mesmo.
Por isso, olhe para dentro. Defina aquilo que é aceitável ou não para você. Determine por quanto tempo você está disposto a receber “bolinhas de papel na sua cabeça”.
Seus pensamentos e crenças trouxeram você até aqui, mas suas escolhas atuais construirão o seu futuro. Culpar os outros e as circunstâncias significa que você não está assumindo a responsabilidade e propriedade de e para si mesmo.
Pare de tentar mudar o espelho. Negar sua responsabilidade sobre seus próprios resultados faz de você uma vítima do mundo e de suas circunstâncias. Cada faceta de sua experiência de vida é uma resposta para a essência de quem você é.
Você pode até se assustar com essa idéia quando se depara com ela pela primeira vez, mas não há como não se render.
De tudo o que acontece, sempre há um terço de responsabilidade que é exclusivamente sua! Não adianta culpar apenas o ambiente ou os outros.
Como disse Mahatma Gandhi: "devemos nos tornar a mudança que queremos ver no mundo". Espero que nossos candidatos pensem nisso durante a próxima semana e que os eleitores, mesmo com dificuldade, possam fazer a melhor escolha.

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no Caderno Opinião - MogiNews
23 de outubro de 2010


sábado, 2 de outubro de 2010

UNANIMIDADE

"Toda unanimidade é burra"
Nelson Rodrigues
“Toda unanimidade é burra”, dizia Nelson Rodrigues. Ouso acrescentar que, além de burra, pode ser perigosa. Seja ela contra ou a favor de qualquer idéia.
A palavra unanimidade vem do latim unanimis. Significa que duas ou mais pessoas vivem com um (unus) só ânimo (animus). Não haveria problema se esse ânimo estivesse apenas relacionado ao objetivo de uma equipe de trabalho ou aos sonhos e propósitos de um casal.
Entretanto, buscar a unanimidade como consenso absoluto em todas as questões pode ser um artifício perigoso para manipulação de um povo com preguiça de pensar.
Frases de efeito como as de Nelson Rodrigues despertam boas discussões e revelam na unanimidade o esforço autoritário para inibir a criatividade e enterrar a capacidade crítica e reflexiva do ser humano.
A burrice vem de pessoas despreparadas e inconseqüentes que não gostam de debater determinados assuntos e não aceitam opiniões contrárias às suas, numa clara atitude de superioridade diante de sua condição.
Unanimidade deveria ser a última busca de qualquer dirigente, seja de uma empresa ou de um país. Instituí-la como verdade pode levar uma comunidade a acomodação e a ilusão de que tudo está em ordem, quando na verdade não está. Uma zona de conforto superficial onde o risco de ser surpreendido por acontecimentos desastrosos pode ser irreversível.
É burrice adotar cegamente a opinião pública, os dogmas, as ordens, as convenções ou tradições que vêm não se sabe de onde e com quais finalidades. É burrice optar por um curso apenas pelo status que ele oferece ou ler a lista completa dos livros mais vendidos se você não puder evoluir e se desenvolver com eles.
Reconhecer que idéias prontas podem ser falhas é um passo importante para não parar no tempo e para refazer a história da sua vida, empresa ou país.
O filósofo alemão Theodor Adorno comparava qualquer estado de paralisia à burrice. Se o corpo é paralisado por um ferimento físico, o pensamento é paralisado pelo medo daquilo que parece novo. A simples repetição de qualquer modelo ou ideologia gera uma deformação relativa à capacidade de pensar e de criar de uma nação. Quem apenas repete o passado não pode inventar nada.
E convenhamos: nenhuma experiência pode ter sido tão boa ou tão negativa a ponto de tornar um ser humano burro. Burrice não é apenas pensar errado, mas pensar com inibição e conforto.
Sejamos unânimes inteligentes! A unanimidade inteligente pressupõe a liberdade de distinguir entre o nosso direito de questionar e o nosso dever de assumir a responsabilidade pela transformação que desejamos ver.
Quem segue na unanimidade alheia enxerga o mundo sob as lentes distorcidas de uma miopia que não lhe diz respeito.

Pense nisso amanhã!


ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no Caderno Opinião - MogiNews
02 de outubro de 2010

sábado, 18 de setembro de 2010

PÃO E CIRCO


Entre náuseas provocadas ao assistir participantes desesperados por R$ 500 mil se alimentarem de baratas e minhocas em “Hipertensão”, novo reality show global, e náuseas provocadas pelo horário político gratuito da televisão, não posso me furtar a compartilhar a sensação que me provoca ver o desespero dos candidatos para chamar nossa atenção em busca do seu “ordenado suado” para os próximos anos.
O programa eleitoral "gratuito" custa R$ 850 milhões aos cofres do governo a fim de compensar as emissoras pela queda de arrecadação, um pouco mais do que os participantes comedores de baratas lutam para ganhar.
Lamento tanto um quanto o outro programa de televisão. Dá vontade de desistir de tudo ao ver que, decorrido meio milênio de história, o Brasil continua escravo de oportunistas prontos a levar vantagem pela humilhação de outros cidadãos.
Seria essa a tão sonhada emancipação e autonomia política exaltada em 7 de setembro de 1822?
A resposta não exige esforço e deve doer a alma de muitos daqueles que ainda sonham e lutam por este ideal.
Assistir a propaganda eleitoral me dá a sensação de que mudamos para o país das maravilhas. Imagens mostram campos cultivados. Crianças estudam em escolas repletas de computadores. Não se fala em assaltos, balas perdidas, trânsito ou impostos abusivos. Palhaços fazem suas propagandas. Bailarinas dançam no horário nobre. A impressão é que logo seremos recebidos por Alice, o Coelho Branco e o Chapeleiro Maluco e tudo isso à custa do cofre público e de nossa própria passividade.
No início era divertido, mas hoje o programa me dá náuseas. Se um candidato a qualquer cargo político já exerce cinismo antes de ser eleito, imagino o que ele seria capaz de fazer depois de eleito.
O que podemos fazer?
Um monte de coisas: evitar a conivência e a omissão, exercitar o pensamento crítico, conversar com seus filhos, fazê-los entender que essa não é a vida política que pode mudar nosso país... E votar! Não podemos apenas silenciar.
No fundo, todos nós sabemos a cartilha de cor, mas nem sempre a praticamos.
A representação democrática de um povo é o espelho de sua qualidade e inteligência. Eleger políticos mais qualificados passa pela renovação dos valores de cidadania de nossos eleitores. Por isso, é preciso levar informações esclarecedoras para aqueles cuja circunstância de vida os mantém no cabresto da ignorância e sujeitos a sucumbir aos apelos das trocas em favor de migalhas de ocasião. Política não é responsabilidade apenas daqueles que se elegem. É de cada um de nós enquanto cidadãos.
Pense na urna como seu controle remoto. Você pode escolher em qual reality show pretende viver pelos próximos quatro anos. Só não esqueça que nesse programa não há jogo de faz de conta. O melhor é escolher um bom representante para você!

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no Caderno Opinião - MogiNews
18 de setembro de 2010
Inspirado em blog da Dad no Correio Braziliense
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