sexta-feira, 23 de abril de 2010

SEJA O SENHOR DE SI


Desde criança nossos ouvidos se acostumam a ouvir “não”. Não pode nadar depois de comer. Não pode bater nos amiginhos da escola. Não pode tomar sorvete antes de almoçar. É tanto "não" que até perde a graça e talvez de tanto ouvir, não aprendemos a falar.
Não aprendemos a atribuir nosso valor e não conseguimos perceber que as pessoas podem nos amar mesmo que não sejamos suas escravas. Vivemos num mundo em que somos ensinados a ser mais aparência do que essência e onde vale mais ser o que os outros precisam que sejamos, do que fazer valer nossas vontades.
Pense em quantas vezes você saiu insatisfeito de uma situação em que não conseguiu dizer não. Os motivos podem ser vários: sentir-se ameaçado, querer agradar ou querer provar ser um super-herói que na verdade não existe – uma pessoa perfeita que pode sozinha realizar suas tarefas, cuidar da família, da sua comunidade e ajudar as pessoas, mesmo que isso a prejudique ou sacrifique suas próprias vontades.
Mas será que precisamos mesmo disso?
Para ser uma pessoa boa, de verdade, é preciso impor limites. Ser boa, antes de tudo, para si mesmo e deixar de ter medo do que os outros vão falar ou fazer.
Dizer “não” é responsabilizar-se por si, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza e permitir-se fazer aquilo que realmente você quer sem sentir-se culpado.
Não significa que você precise virar o senhor de si mesmo e fazer apenas o que quer, mas sim que saiba construir e manter relacionamentos adequados e positivos e que coloque seus próprios valores pessoais acima dos valores do seu grupo ou de sua empresa. Saber dizer “não” é uma arte, um respeito a você mesmo.
Aceitar propostas com as quais você não concorde através de um “sim” hesitante, além de demonstrar incerteza e insegurança no presente; no futuro irá gerar frustração, raiva e nada mais. A cada momento que você deixa de questionar e abaixa a cabeça para qualquer pedido, você perde a chance de exercitar seu próprio discernimento, o que pode, inclusive, interferir na sua competência profissional ou na manutenção de um relacionamento.
Por isso, aperfeiçoe sua habilidade interpessoal, sua compreensão e sua empatia. Estude seu interlocutor e perceba a maneira como ele se comunica. Procure estar em sintonia com seu tom de voz, vocabulário, estilo, objetividade ou subjetividade nas colocações. Ofereça alternativas que solucionem a questão em troca de um simples “não” e faça o outro entender os seus motivos. Isto requer treino, observação e ação.
Procure não voltar atrás na decisão tomada. Acabe hoje mesmo com essa história de “não sei dizer não”. Quando sentir que é o momento do exercício, diga “não” com coragem, convicção e sabendo que você está apenas colocando os seus limites, e nada mais.

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no Caderno Opinião
MogiNews - 24 de abril de 2010

3 comentários:

  1. Isso é muito importante! A sensação é de que, ao destruir o "não" quando este for necessário, fere a sua própria identidade. Você não é mais você, destrói sua opnião, acaba sua auto-estima com os excessos, tira seu tempo... Enfim, sabota sua vida pessoal e profissional. Ambas estão ligadas! Assim como mente e corpo!

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  2. o Nome ja diz "Senhor de si "aquele que tem domínio sobre si ,Lu Di Paula

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  3. A dificuldade normalmente está entre a necessidade de ser aceito e a divergência entre o que essa aceitação provoca vs. nossos próprios valores e metas.
    Ter a certeza de nossos próprios limites é fundamental para assumir o domínio e não nos auto-sabotar.
    Um beijo e obrigada pela contribuição!
    Ana Maria

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