A AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) foi reconhecida como crise global em meados da década de 80. Em 1986, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou em 100.000 o nº de casos de AIDS no mundo inteiro e de 5 a 10 milhões o número de casos de infecção pelo HIV. Pesquisadores estimavam que o nº anual de mortes devido à AIDS atingiria o pico de 1,7 milhões em 2006. Mas, somente em 2001, foram relatadas 3 milhões de mortes devidas à doença.
Avaliar o impacto social e econômico do HIV/AIDS é mais difícil do que fazer qualquer outro tipo de previsão. Ouso afirmar que a epidemia (ou seria, pandemia?) ainda não encerrou seu ciclo em nenhum país e que certos impactos do HIV/AIDS, tais como o preconceito, o desespero e a dor, jamais poderão ser medidos facilmente.
No entanto, é provável que a morte prematura de tantos adultos provoque escassez de mão-de-obra e sobrecarregue a assistência dos serviços sociais e também que jovens e crianças sejam prematuramente incumbidos de cuidar de seus pais e trazer o sustento à sua família.
Foi assim comigo em 1994!
A AIDS foi a causa da minha despedida prematura da minha mãe e do mergulho da minha existência no mundo dos adultos.
Hoje, 1º de Dezembro, comemora-se o Dia Mundial da Luta contra a AIDS. Com a evolução do sistema de saúde brasileiro, a luta principal não é apenas contra a doença, mas principalmente contra o preconceito.
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| Minha mãe Magali e eu com 15 anos |
Em 1994, ano em que perdi minha mãe para a doença, AIDS era doença de prostituta, drogado ou travesti. Mulheres preferiam o silêncio e a solidão do sofrimento a terem que assumir uma contaminação por seus maridos, namorados e parceiros.
Tenho certeza que, por vergonha, minha mãe preferiu nos dizer que sofria de leucemia durante todo o período de manifestação e tratamento da doença.
Obviamente, ela não poderia esconder as feridas, o sofrimento, a luta, os remédios e as injeções. Mas, a causa?
Ah! Nisso a "dona Magali" mandou super bem. Afinal eu tinha menos de 18 anos, os sintomas ainda não eram tão divulgados e talvez, eu também acreditasse que a AIDS jamais aconteceria na minha família.
Só descobri a verdade ao receber o atestado de óbito.
Susto? Medo? Angústia? Não lembro bem qual foi a minha primeira reação...
Lembro-me apenas que logo quis viver a doença mais de perto e dedicar um pouco da minha vida a outros portadores do vírus. Me revezei entre várias entidades de apoio aos soropositivos. Tive a emoção de viver momentos com pessoas maravilhosas, algumas que também já se foram e outras que permanecem na luta, com dignidade.
Desde 1996, o coquetel é oferecido pelo ministério da saúde e pode auxiliar no controle da doença, embora às vezes provoque muitos efeitos colaterais, que são superados com carinho e atenção de pessoas queridas. Vivi muito de perto uma luta que transcendia os sintomas do corpo. Muitas vezes, o soropositivo luta contra uma “morte social” que acaba fazendo-o adoecer ainda mais.
Há mais de 20 anos, a AIDS assombra a população e mesmo assim, ainda não somos livres de julgamentos e preconceitos. Nem todas as pesquisas, tratamentos e campanhas contra a discriminação foram capazes de nos livrar do pensamento mesquinho, tacanha e repleto de falso moralismo.
Por isso, em 2002 foi criada uma Lei (nº 11.199/02) para proteger os direitos à cidadania dos portadores do vírus que prevê pena de até quatro anos de detenção para os que a transgridam.
Na verdade, quem tem pena sou eu.
Pena e vergonha de pessoas que precisem de uma lei para exercer um comportamento tão óbvio como o RESPEITO e a LIBERDADE. Até hoje, convivo com pessoas que me dizem: “Mas, Ana, você é uma executiva de tanto sucesso, não pode sair falando por aí que perdeu sua mãe por causa da AIDS.”
Uau!!! Não posso mesmo???
Pois saibam que tenho o maior orgulho em utilizar o espaço do Lounge Empreendedor para contar essa história e defender a prevenção como único caminho coerente para salvar portadores do isolamento e todos nós de uma possível contaminação.
Infelizmente, a prevenção tem sido um difícil processo para os programas de controle da AIDS. Anteriormente, era grande o desconhecimento sobre a doença e hoje, mesmo com o aumento do conhecimento científico acerca do vírus, suas interações com o organismo, as formas de evitar a transmissão e contágio; as pessoas ainda não se conscientizam e mantém o pensamento de que nunca acontecerá com elas.
ACONTECE, SIM!
A AIDS não escolhe pessoas.
Minha mãe foi contaminada pelo segundo homem com quem manteve relações em toda sua vida, marido a quem tanto amava e era fiel (meu padrasto). Betinho, um dos maiores símbolos da luta contra a doença, fatalmente contraiu o vírus em uma transfusão de sangue, procurando se tratar como hemofílico.
Tudo bem que na época os tratamentos de saúde eram mais precários, o sangue não passava por tantos testes como hoje, mas não existem escolhidos. A fatalidade pode acontecer comigo, com você e com qualquer pessoa.
Assim, o que temos a fazer é parar de esconder o problema e conscientizar a maior parte da população sobre a importância do movimento da prevenção e luta contra a AIDS.
No Brasil, assim como na Austrália, Senegal, Tailândia e Uganda, os programas de prevenção da doença devem seu sucesso (ainda relativo, em minha opinião) à colaboração entre o governo, setor privado e organizações não governamentais. É preciso que hajam metas e orçamento destinados a promoção da educação e da comunicação aberta junto aos jovens sobre os riscos do vírus e sobre a importância de um comportamento mais saudável. É preciso oferecer e estimular o uso de preservativos, que constituem o único método anticoncepcional que também previne contra a transmissão.
É preciso incentivar o exame voluntário e encaminhamento médico dos soropositivos. Quanto mais cedo a pessoa se apresentar voluntariamente para receber orientação e submeter-se a exames, mais cedo ela poderá se tratar. O medo do resultado do exame afasta o paciente de um acompanhamento médico que promova ao portador do HIV uma vida normal antes que a doença se manifeste.
Somente uma abordagem estratégica, coordenada e de grande escala representará esperança real no que a OMS chama de holocausto demográfico da AIDS.
Caso você tenha se interessado e deseje contribuir efetivamente com a causa, o site Apontador.com, realizou uma lista de instituições de estudo, pesquisa e de apoio a prevenção da AIDS. Entre em contato com esse pessoal e veja como fazer:
Programa Nacional de DST e AIDS
http://aponta.me/2FvuL
Gada - Grupo Amparo Ao Doente de AIDS
Gipa -Grupo de Incentivo a Prevenção da AIDS
Disk AIDS
Programa Municipal de DST AIDS