domingo, 4 de setembro de 2011

TEATRO DA VIDA

No post de hoje irei me fazer valer de um texto de Lya Luft recebido por e-mail. (nunca sei se os textos que recebo por e-mail são mesmo de autoria de seus "autores virtuais", mas como gostei do tema, resolvi trazê-lo ao Lounge Empreendedor)
Na verdade, ainda me surpreendo como entre a infinidade de "correntes" e e-mails com anjinhos e florzinhas brilhando, ainda podemos selecionar boas coisas.
Se escrevemos aquilo que somos ou o que sentimos em determinados momentos de nossas vidas... Assim funciona também com aquilo que lemos!
Não aceito vender a alma para que o espetáculo da vida siga em frente. O tempo passa rápido demais e sobram poucos espaços para arrependimento no futuro. Não quero ser hamster nem tampouco participar da manada...

Multiplas Escolhas

Escrevi no meu mais recente livro que a vida é como um teatro. Nós somos os roteiristas, iluminadores, personagens, faxineiros, platéia, os que desenham os cenários e vendem entradas. (Às vezes, vendemos a alma)
O primeiro grande personagem, senhor absoluto, é o tempo, correndo entre os bastidores ou poltronas como um hamster em permanente agitação. Corre daqui, corre dali, às vezes um tapa com a patinha, e um de nós cai do placo, quebra a perna, quebra a cara, perde a vida.
Alguma parte maior que nós dita a parte que nos escapa: o inesperado e imprevisível, o cruel ou o bondoso que nos acontece e nos posta de um lado ou outro do palco, assumindo este ou aquele papel, esquecendo falas, trocando personagens, vestindo a roupa errada, ou acertando lindamente até sem querer. São os momentos felizes, em que podemos tirar a máscara e dizer ao espelho ou aos espectadores: este sou eu. E alguém vai nos amar assim como somos ou pensamos ser.
É muito rica a vida nesse teatro. Nós nos fantasiamos no camarim, choramos nos bastidores, espiamos atrás das cortinas, recitamos nossas falas. Um ponto desconhecido sopra palavras e dita silêncios, quando somos muito distraídos. Freqüentemente nos distraímos, pois há uma luz intensa que vem de cima, uma escuridão de segredos escancarada embaixo. E todos esses rostos, conosco no palco ou na plateia , nos chamam, nos interrogam, quem é você, o que faz aí plantado ou se agitando o tempo todo?. À vezes estabelecemos diálogos: abrem-se círculos de claridade, de amor, de amizade, de alegria. A gente ri, bate palmas, sente-se acolhido e reconfortado. Ou alguém nos coloca sozinhos na boca de cena, sem roteiro algum, e agora, e agora, o que fazer, o que dizer?
A vida como um teatro nunca é tediosa, se sabemos enxergar: ali tudo nos seduz, nos joga fora, nos chama de volta, nos leva aos consultórios dos terapeutas ou aos braços dos amantes, ou nos transforma em personagens de ficção complicada. Mas no fundo a gente sabe: “Eu sou isso” ou “Eu sou esse não saber direito coisa alguma, mas vou em frente, e me esforço, e luto, e me entrego, e sou terno ou zangado, sou absurdo, mas esta é a minha vida, e estas são as minhas decisões. Algumas delas”.
O cenário de papelão pintado é desenhado por mim ou pelos meus fantasmas, ou ainda pelos meus parceiros de aventura: quase sempre há neles algumas portas. Muitas portas. Por trás delas, mais portas: e só quando eu abro alguma delas é que se desenham atrás, com minha ajuda, a sala, o quarto, o corredor (com mais portas), a janela, o pátio, quem sabe um portãozinho que leva a muitos caminhos. É a minha existência.
Que porta vou abrir? O que vou desenhar além dela? Que pessoas vou instalar aí, que objetos, que futuros? Que passado quero guardar ou permitir que seja passado?

Assim somos heróis, guerreiros, realizadores, fracassados, condenados, conduzidos ou criadores. Mesmo quando temos de recolher papéis usados no chão da plateia ou costurar a bainha de um traje no camarim, podemos ser reis e rainhas. Basta parar de vez em quando, para pensar, e decidir até onde se pode decidir: “Sim eu assumo este papel”. “Não eu não digo esta fala”. “Sim, eu vou abrir aquela porta e enfrentar o que vem depois dela”.
Ou: “Não, eu não quero. Vou me enrolar na cortina enquanto o tempo continua correndo. Não quero ser herói: posso ser apenas humano”.
Não precisamos ser unicamente bonecos. Podemos ser também aqueles que inventam os bonecos, manejam suas cordinhas, escrevem e dizem as falas, e conseguem ser ao mesmo tempo magníficos, inocentes, fortes, solidários, pobrezinhos, desamparados, desiludidos ou melancólicos. Pois a dor e o pranto fazem parte da vida, e sentir que afinal nossas atitudes foram as que pudemos tomar significa que não nos deixamos sempre enganar e conduzir feito manada. Essa é a nossa vida, a nossa múltipla escolha, até o último instante – se tivermos fervor e audácia ou lucidez.


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