sábado, 9 de julho de 2011

NÃO ESTAMOS EM CASA


Sejamos sinceros: quem não gosta de cantarolar de vez em quando? E assoviar aquela música que não sai da cabeça? Estão aí, atitudes que, muitas vezes, fazemos sem perceber. E como não falar sobre as canetas que têm aquele botãozinho em cima, que dá para ficar apertando e desapertando continuadamente? Seja tique nervoso, válvula de escape ou produto do nosso inconsciente, atitudes como essas devem ser deixadas em casa, todos os dias, ao irmos para o trabalho.
Ocorre que ambiente corporativo não pode ser confundido com o “lar doce lar”, onde tudo podemos sem delongas e com poucas regras. Além de demonstrar falta de educação, sibilar, cantar, ouvir música, rir e falar alto atrapalham o colega ao lado e, conseqüentemente, o rendimento da empresa.
Devemos levar em consideração, ainda, que o local onde atuamos como profissionais (é como queremos ser reconhecidos, não?) deve ser neutro ao máximo. Mesmo reunindo diversos tipos de pessoas, com as mais variadas crenças, credos, culturas, gostos, opiniões, etnias e condição social, esse ambiente não pode lembrar (nem de longe) as características da "casa da Mãe Joana". Passamos no trabalho oito horas ou mais por dia, então, a paz precisa reinar para que o ofício não se torne penoso e questionável.
Me respondam: até que ponto vale a pena suportar o sujeito ao lado batucando o lápis na mesa de forma displicente enquanto fala ao telefone? Tem ainda aqueles que tamborilam sistematicamente com a ponta dos dedos a mesa de reunião, ou aqueles que balançam as pernas embaixo da mesa, fazendo com que as que estão próximas também se mexam. Quer coisa mais chata e irritante? Mas os “campeões” são os que assoviam (mesmo baixinho) e cantam! Imaginem um ambiente que abriga 50 colaboradores. Já pensou se todos eles resolverem assoviar e soltar a voz? Seria uma espécie de "Bem Vindo ao Caos"; afinal, onde alguém pode, todos podem, certo?!?
Conviver civilizadamente é um bom começo para uma rotina tranquila e pacífica. Para tanto, basta lançar mão da política da boa vizinhança e respeitar os direitos e as diferenças, além de obedecer, é claro, as regras estabelecidas pelo Departamento de Recursos Humanos da sua empresa.
Ao fazer uso do computador, por exemplo, não ligue a caixinha de som com a sua playlist preferida! Acredite, nem todo mundo gosta de ouvir David Guetta, Maria Gadú ou aquele sertanejo rimado. Por outro lado, é imperdoável o funcionário que radicaliza e se isola com o fone de ouvido ao ponto de obrigar seus colegas e o próprio chefe a lhe sacudir quando querem solicitar algo.
Ao telefone, controle o tom de sua voz e o volume do toque durante a chamada. Viva voz?!? Só em reuniões ou em salas fechadas, afinal nem toda a equipe precisa saber sobre temas e assuntos relativos apenas ao seu trabalho. A regra também vale para o celular, que digo e repito, não é discoteca. Por mais tentadores que sejam os tons animadinhos e bem-humorados oferecidos no mercado, opte por sons mais neutros e não enjoativos, ou seja, nada de ringtones no último volume, nem as melhores do Coldplay. E, se for sair para um cafezinho ou para o banheiro, leve seu celular. Esse cuidado evita que os que ficaram tenham de aturar o aparelho tocando na sua ausência enquanto atendem um cliente ou finalizam um relatório.
E tanto quanto cantar e assoviar, no ambiente corporativo também é proibido rir e falar alto (para nós mulheres, o cuidado ainda é maior, pois pode sinalizar deselegância). Conversas paralelas, inclusive, podem fazer com que o vizinho de bancada perca o raciocínio durante o trabalho. Por mais integrada que seja a equipe, existe hora para cada manifestação, seja brincadeira, discussão ou a fofoca mais quente do momento.
É válido, ainda, não abusar do perfume, nem de roupas inapropriadas, como decotes, fendas e transparências. Roupa íntima amostra e os modelos curtos devem ser deixados para as "baladas" e não para os dias de visitas a clientes ou de atividades internas de rotina. Ah! E nada de chinelos e regatas, por mais que estejamos no verão. Reitero: por mais acolhedora que seja a empresa onde você trabalha, ela não é a sua sala de estar.
E, por último, seja gentil e prestativo, e sempre se coloque no lugar do outro. Não fazer aos outros o que não gostaria que fizessem com você continua sendo uma ótima receita de sucesso e a melhor das etiquetas. Pratique!

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no Caderno Opinião - MogiNews
09 de julho de 2011

3 comentários:

  1. Excelente!
    Só peço perdão para o meu isolamento via fones de ouvido - se o ambiente é barulhento, pessoas cantam, assoviam, falam no viva voz, veem videos com as caixas de som ligadas, te interrompem a todo momento e conversam entre si ao seu redor enquanto tem q conciliar 7 planilhas, a pessoa pode ter uma "licencinha poética" para amenizar os ruídos externos? ;)

    Mary Matsumura

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  2. ‎...rs...
    Mary, eu ri sozinha aqui em casa agora!
    Mas, esse texto é de julho de 2011, portanto qualquer semelhança é mera coincidência ;-)

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  3. Parabéns pelo artigo. Imagine um bancário fazendo tudo isso em pleno horário de expediente, e quando solicitado a parar ainda responde com a maior cara de pau que ele está de bom humor. Isso acaba com o humor de qualquer um que está tentando fazer seu trabalho em paz. Parabéns pelo artigo.

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