sábado, 14 de maio de 2011

O BANHEIRO - DISCRIMINAÇÃO OU INTEGRAÇÃO EM EQUIPE

"Existiria a verdade
Verdade que ninguém vê
Se todos fossem no mundo iguais a você"
Tom Jobim / Vinicius de Moraes


Percorro várias cidades para palestrar, participar de eventos em empresas, associações e entidades, frequentar ou ministrar cursos. Por mais que a atividade em si não seja didática, sempre há algum ensinamento que me faça refletir e desperte o desejo em compartilhar com vocês. Aliás, muitos destes momentos acontecem simplesmente ouvindo as pessoas.
Recentemente, ao conferir um encontro numa entidade de classe, encontrei-me com um empresário da área da Saúde. Sempre muito bem vestido, educado e dono de uma gentileza sem igual, ele veio falar comigo sobre negócios, após, é claro, cumprimentar-me, perguntar se eu estava bem, como andavam as coisas no trabalho e em casa e me agradecer por eu prestigiar uma atividade na instituição da qual era diretor.
Num determinado momento, me confidenciou que estava incomodado com a atitude de a entidade ter destinado um banheiro para a diretoria e outro para os funcionários (que não chegavam a 30 pessoas). As portas dos sanitários ficavam lado a lado. Mesmo piso, mesmo corredor, mas as placas fixadas às portas não deixavam dúvidas de quem deveria usar qual.
Ele me disse: “Ana, se eu não frequento o banheiro que os meus funcionários usam, fico sem saber como está a empresa, do que ela precisa. Não adianta o meu banheiro estar impecável e o do lado, não. Será que ali, ao lado, o papel higiênico também é de qualidade? Será que a descarga está funcionando adequadamente? E se a torneira estiver com vazamento?”.
Logo, outro amigo que acompanhava nossa conversa e que também mantém um pequeno negócio na região, complementou:
“Por outro lado, eu conheço um empresário que, ao lado dos três filhos, também diretores da empresa da família, almoçam com seus colaboradores, no mesmo horário, na mesma mesa, a mesma comida, o mesmo talher, sem distinção. Ele diz que no dia em que a comida não estiver boa, será o primeiro a reclamar e brigar para que haja melhorias para o coletivo. Se todos trabalham por um só objetivo, nada mais justo que todos tenham a mesma qualidade na hora de almoçar”.
Observações edificantes, não? Mas, que fique claro: a intenção não é discutir a divisão de banheiros ou refeitórios! Até porque tudo depende do número de colaboradores, da disposição de departamentos e do porte da empresa para atender a totalidade dos funcionários. Mas, temos de admitir que a ideia de distinção pela distinção se enfraquece quando pensamos no coletivo.
Há dois meses, assistindo TV, encerrei meu aprendizado sobre a história do banheiro com uma frase de Alcides Braga, presidente da Truckvan: “não é possível viver com o seu time, fazê-lo produzir e ter sucesso se você não se tem humildade com o outro e não participa de todas as escalas dentro da empresa. Só assim quando cobrar, poderá saber o quanto custa conquistar o que foi pedido, o tempo que levará para ser cumprido e as dificuldades que poderão ser encontradas no caminho”.
Alcides Braga
Presidente da Truckvan
Ah, Braga, que bom seria se todos fossem iguais à você!
Alcides Braga teve uma infância pobre e começou a trabalhar aos 7 anos como engraxate, em Guarulhos. Também foi vendedor de pamonha e office boy. Tempos depois, com garra e um pouco de sorte, montou a Truckvan, empresa que abarca 200 colaboradores, prevê um faturamento de R$ 50 milhões para 2011 e que, pelo visto, não deve ter banheiros separados por capricho ou diferenciação.
Vivendo e aprendendo.

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