quarta-feira, 25 de maio de 2011

O CAVALO QUEIMADINHO - VALENTIA, CORAGEM E PROPÓSITO


Quem já teve um cachorro, um gato, um periquito, um papagaio, um ramister ou vários deles sabe que esses bichinhos são verdadeiros mestres. Longe das vaidades e dos interesses humanos, esses seres puros dão um show de sabedoria no momento de agradar, de pedir colo, de requerer comida e até na hora de nos tirar do sério.
Afinal, sabem exatamente o que nos irrita e, quando querem chamar a atenção, sabem colocar em prática todas as suas artimanhas irracionais! Irracionais? Nessa hora, muitos de nós questionamos: “será mesmo que não pensam, esses bichinhos?”
Pode soar estranho, mas além de pensarem, animais também lutam por espaço e pela própria vida e têm ciência do que está acontecendo ao redor. No último dia 15 de maio, ao assistir à história do cavalo Queimadinho na TV Record, me veio à mente as centenas de empresários que conheço.
Pensei na quantidade de empreendedores que já chegaram, em algum momento de suas biografias empresariais, a desistir de seus negócios, de um projeto, ou de um funcionário, simplesmente por esgotamento físico ou mental, financeiro ou moral. E Queimadinho, ao contrário, lutou da maneira que pode, até o fim, pela vida que quiseram lhe ceifar brutamente! 
Queimadinho, no Desfile Cívico
 Em abril de 2010, na madrugada de um domingo, enquanto dormia num terreno baldio no bairro de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, o equino foi vítima de um adolescente, de 16 anos, que voltava de uma “balada”.
Sem cerimônia e, pelo visto, por pura maldade, o rapaz jogou gasolina no cavalo e ateou fogo. Nem esperou para assistir. Deixou o local, sem culpa, consciência pesada ou preocupação! #SimplesAssim, como sempre costumo (dizer) escrever no Twitter.
Desesperado e sozinho, o quadrúpede, franzino e sem raça definida, rolou na pouca grama que havia naquele espaço e, depois de longa batalha, venceu as labaredas.
A movimentação despertou a atenção e por sorte, o cavalo foi encontrado ainda vivo. Estava com 70% do corpo queimado, mas vivo! Levado até o Batalhão da Política Montada do Rio de Janeiro, o animal foi batizado carinhosamente de Queimadinho, quase no mesmo instante em que sofria duas paradas cardíacas. Forte, o bichinho sobreviveu às falhas do coração e não desistiu de viver. Passou por longo tratamento e, quando já se livrava das profundas cicatrizes, foi surpreendido por tumores, que se desenvolveram em razão dos medicamentos utilizados na fase de recuperação. Mas Queimadinho surpreendeu uma vez mais, passando vitorioso por uma delicada cirurgia para a retirada do câncer. Milagre, diziam os especialistas.
Só que uma nova surpresa da vida parecia querer mesmo surpreender aquela carcaça frágil, que nada tinha a ver com a imensa valentia que demonstrava ter o cavalo. Um parasita acabou vitimando Queimadinho no dia 1º de abril deste ano, para a tristeza de médicos, veterinários, zootecnistas e tratadores que aprenderam a superar diversidades com o equino, passo a passo, dia a dia. Valentia em seu estado mais puro, diziam alguns, derramando lágrimas de saudade. 
É claro que a altura da história, eu também já chorava. Lembrei-me da Misty e de sua luta corajosa contra a cinomose e da partida sem explicação do Cadu alguns poucos meses depois.
Queimadinho, assim como eles, se foi, mas deixou um grande ensinamento; o mesmo que busco transmitir incisivamente em palestras e treinamentos, preferencialmente em letras garrafais: independentemente da dificuldade que encontrar, vá além, dê o seu melhor, não desista, lute com amor por seus propósitos, por seus negócios, por um planejamento que é compensador, mas que também é desafiador. O possível está à disposição de todos. É o impossível que faz a diferença.
O ensinamento tão simples vale para sempre!
Desde os momentos de tranqüilidade e principalmente para quando é preciso pelejar pela vida. E, para ter coragem, para ir além, não é preciso ter como passaporte status, dinheiro ou um sobrenome que soe agradável aos ouvidos.
Um dos últimos registros do cavalo de Belford Rocho foi no desfile militar de 7 de Setembro de 2010, realizado no centro da cidade maravilhosa. Lá estava o equino, participando lado a lado dos Mangalargas da Cavalaria da Polícia Montada do município. Na parada, e em todos os momentos em que fez mais por sua existência, Queimadinho foi um herói e nos provou que ser puro sangue independe de ter pedigree.


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