quinta-feira, 16 de junho de 2011

CROWDSOURCING


Imagine que sua empresa necessite desenvolver para um novo cliente um projeto específico, que além de boas idéias e dinheiro, vai requerer tempo - algo cada vez mais escasso e, por isso, valorizado no mundo corporativo. Sem poder perder o cliente, mas também sem possuir todas as condições para apresentar uma solução rápida e funcional para quem contratou seus serviços lançando mão apenas de sua equipe, bate o desespero. O que fazer? Como desenvolver um projeto com qualidade e preço justos no tempo esperado?
Como nem todo empreendedor nasce sabendo, essa pode ser a hora de lançar mão sobre uma nova modalidade de gestão: o crowdsourcing. O nome ainda soa meio estranho por aí, mas, dentro em breve, será tão popular quanto o celular, afinal essa alternativa tem feito a diferença para muitas empresas que atuam na vanguarda da gestão de seus negócios.
Trata-se de uma metodologia (será que a palavra é mesmo metodologia?!? Também tenho minhas dúvidas... ), que defende a criação coletiva e a agregação de informações de diversas e diferentes pessoas, profissionais ou amadoras, que utilizam seu tempo livre para criar, de modo colaborativo, soluções para problemas, desenvolvimento projetos, ferramentas e cases que atendam as suas necessidades.
Essas pessoas, é claro, não caem no crowdsourcing por acaso...
Interessadas e competentes, elas passam a fazer parte de um conglomerado que recebe o nome de "nuvem" - uma espécie de comunidade, de grupo ou de rede. Nesta rede, alguém apresenta sua expectativa ou um problema. Dentro de poucas horas, os vários membros que fazem parte da tal nuvem e que podem estar no Brasil, na Índia, na China ou na rua atrás da sua empresa, colaboraram e produzem o que precisavam. A solução, então, é criada.  Parece loucura?
Muitas empresas já estão utilizando o crowdsourcing em seu dia a dia  e estão, inclusive, pagando pelo serviço, que é auto-corrigível e trabalha por meio de uma mão de obra que tem valor competitivo frente às competências que dispõe – afinal, não há gastos empregatícios, nem grandes ônus como na contratação de serviços terceirizados. Utilizado adequadamente, o sistema oferece a possibilidade de se trabalhar com idéias novas, com direito a redução de tempo no momento da investigação e do desenvolvimento dos projetos.
Alguns exemplos de casos de sucesso de produtos obtidos por meio do crowdsourcing são o sistema operacional Linux, o navegador Firefox e a Wikipédia, que foram criados por um grupo de voluntários e que estão crescendo aceleradamente com o passar do tempo. Outro bom exemplo que obteve sucesso por meio deste sistema ganhou o nome de Fiat Mio. Trata-se de um novo modelo de carro da montadora italiana e que foi projetado a partir das inúmeras sugestões enviadas por usuários e não usuários, por engenheiros e não engenheiros. As opiniões foram coletadas por intermédio de um site colocado no ar justamente para este fim.
Já pensou se todo o produto pudesse ser produzido a partir de nossas necessidades? É o futuro chegando e o cliente sendo efetivamente o fator causador das demandas. Como muitos já costumam dizer o crowdsourcing é o reflexo da força das multidões gerando soluções ao mundo moderno.
É claro que em um texto sobre esse assunto, não poderia deixar de falar em Marina Miranda, na Mutopo e no "Fashionlab". Desenvolvido a partir de uma parceria de jovens empreendedores com a empresa Metagov, o projeto funciona como um espaço criativo de moda. Por lá, designers de todas as partes do mundo podem enviar criações para cases de pequenas, médias e grandes marcas, como estamparias, moda praia e até uniformes empresariais. Aberto a empresários e profissionais, o sistema socializa o mercado da moda, aliando talento e oportunidade. Por meio do "Fashionlab", empresas abrem projetos de acordo com suas necessidades.
Em contrapartida, profissionais podem desenvolver design, que serão analisados e votados pelas empresas. As melhores ações recebem prêmios em dinheiro e os estilistas têm a oportunidade de alavancar a carreira, tendo um portfólio adotado por grandes marcas. Com foco na premiação aos talentos profissionais, o sistema pode se tornar uma nova forma de negócio e carreira, tendo colaboradores se dedicando em parte integral aos seus projetos. Em suma, o "Fashionlab", lançado em 21 de maio de 2011, já está fazendo o sucesso de veteranos, graças ao crowdsourcing.
E aí? Sua empresa está pronta para um novo modelo de produção desenvolvido com inteligência e conhecimentos coletivos ou vai continuar batendo a cabeça para os mesmos velhos problemas aparentemente sem solução?
Partilhar conhecimentos e recursos em rede pode ser a mais poderosa ferramenta de inovação e criação de uma vasta gama de bens e serviços que todos podem opinar e usar. Se juntos somos capazes de corrigir os erros uns dos outros, juntos também poderemos produzir resultados mais fiáveis do que projetos ou produtos concebidos isoladamente. As pessoas querem participar, faça sua empresa lucrar com isso!

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicada no caderno Diário Empresarial
16 de junho de 2011

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