quinta-feira, 29 de março de 2012

COMUNIDADES CRIATIVAS

"Uma comunidade mundial só pode existir com comunicação mundial que
significa algo mais que extensas instalações de software espalhadas sobre o globo.
Significa compreensão comum, uma tradição comum, idéias comuns e ideais comuns."
- Robert Hutchins -


Com a aproximação da Conferência das Nações Unidas pelo Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20 (leia mais sobre ela aqui), somos bombardeados diariamente com assuntos que giram em torno da sustentabilidade e sobre seus impactos diretos tanto em termos ambienteis quanto em termos sociais. Seja no ambiente organizacional, nas pautas de jornais e revistas, nas campanhas dos pré-candidatos às eleições 2012 ou nos demais agentes da sociedade e da internet, o tema ganhou força novamente.
Aqui mesmo no Lounge Empreendedor foram publicados textos sobre sustentabilidade, inovação e responsabilidade social e sobre sua importância na competitividade e no sucesso empresarial em termos de desenvolvimento de novos produtos, serviços e em modelos de gestão e de negócios.
Bem, até aqui é o discurso de sempre, correto? 
Mas o que muitos desprezam é que não importa qual o tipo de iniciativa, seja ela social, ambiental, ético ou qualquer que seja, sempre serão necessárias interações humanas. Não há sustentabilidade possível sem que sejam consideradas as pessoas. Podemos criar as melhores práticas empresariais ou propor políticas públicas abrangentes e inclusivas, mas se não tocarmos os valores e crenças das pessoas nada disso fará sentido.
O fortalecimento de uma comunidade criativa e empreendedora é o principal fator de indução para a sustentabilidade real. Não podemos nos deixar iludir! Existem tentativas permanentes de utilizar a questão do verde para empurrar para debaixo do tapete aquilo que emerge no cenário social, empresarial e político. Apenas uma comunidade criativa e consciente de seu papel é capaz de promover um novo desenho para os assuntos da responsabilidade socioambiental, dos negócios e da inovação. 
Nesse momento da leitura, você pode estar se perguntando: “Ok, Ana Maria, seu discurso é lindo, mas como construímos uma comunidade assim?”. 
Mobilizando pessoas reais para solucionar (ou amenizar) problemas reais. Quando tornamos o discurso menos teórico e contextualizamos a questão na realidade social, quebramos a aparente inércia e criamos ambiente para o protagonismo e o controle social do tripé da sustentabilidade (social + ambiental + econômico) cujo alicerce deve estar ancorado nos valores das pessoas.
Quer entender como funciona?
Consideremos a questão ambiental, que atualmente representa uma das maiores preocupações do planeta. Há 15 anos, esta questão era uma preocupação “latente” apenas das autoridades internacionais, ou seja, todos sabiam de sua existência, mas a sociedade mão tinha o problema como “nosso” e permitia-se usufruir da inércia social diante do tema. Com o passar dos anos, diversas organizações ao redor do mundo iniciaram ações de conscientização, desastres ecológicos começaram a acontecer e, com isso, criou-se uma maior visibilidade para a questão perante os agentes sociais. Bem, o resto muitos já sabem: conferências, encontros e debates, com especial destaque para a Eco 92 até o Protocolo de Kyoto. É assim que a mobilização acontece.
Problemas reais contextualizados originam um estímulo inicial conduzido por um agente social, seja uma organização ou entidade qualquer. Esse estímulo, por sua vez, desencadeia a mobilização de mais agentes sociais (governo, empresas, associações e a própria sociedade) que formam uma rede de inovação social, onde todos interagem e criam resultados coletivos para e com sociedade.
Esse novo jeito de viver, solucionar problemas e de empreender gera comunidades criativas que promoverão ganhos capazes de garantir a manutenção de suas próprias atividades e benefícios mútuos e sustentáveis para si, para o mundo e para toda a rede.

ANA MARIA MAGNI COELHO
Caderno Diário Empresarial - O Diário de Mogi
Publicado em 29 de março

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