sábado, 29 de outubro de 2011

ALÉM DA BOA INTENÇÃO

“As empresas são agentes sociais no processo de desenvolvimento, cuja dimensão não se restringe apenas a uma determinada sociedade, cidade ou país, mas envolve o modo como se organizam e principalmente atuam, por meio de atividades essenciais”. A frase, de autoria de Herbert de Souza demonstra com clareza a responsabilidade das empresas – ouso dizer, de toda a comunidade – no combate às desigualdades e no melhor aproveitamento do potencial humano em prol do desenvolvimento do nosso país.
Estar presente nos bastidores do 14ª edição do Teleton, transmitido pelo SBT na sexta (21/10) e sábado (22/10), me deu a clara dimensão da forma como isso pode acontecer. A maratona beneficente em prol da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) arrecadou R$ 26.802.633,00 graças a ampla participação de empresas - de vários portes e segmentos -, artistas, atletas, sociedade civil e, inclusive, talvez, com sua. Com isso, duas novas unidades da instituição serão construídas: uma em Campina Grande (PB) e outra em Vitória (ES). A AACD erguerá as novas sedes e o governo ficará responsável por sua manutenção.
Betinho ficaria orgulhoso ao acompanhar tamanha integração.
Não gostaria de discutir o viés aparentemente eleitoreiro e promocional que os momentos finais da maratona Teleton adotou nos últimos anos. O que importa é a participação ativa de vários elementos da sociedade na promoção de um mundo menos desigual.
Entretanto, um Teleton não basta! O processo deve se multiplicar.
Empresas são cada vez mais cobradas pelo papel que desempenham em favor das diferentes comunidades onde atuam. Alcance das metas, controle do endividamento e obtenção de lucro não são mais suficientes. Avaliar a saúde dos números não reflete a saúda da empresa. Ainda que a remuneração do capital e a satisfação dos acionistas continuem tendo grande importância, noções como cidadania corporativa e responsabilidade social vêm se incorporando, em velocidade exponencial, ao dia-a-dia dos negócios modernos, nas economias mais avançadas.
O mundo mudou. Empresas não são mais, exclusivamente, agentes econômicos – de geração de empregos ou de riquezas –, mas têm, sobretudo, o compromisso de se constituir em um veículo igualmente social e ambiental. Qualidade de produtos e serviços, por exemplo, não garantem competitividade; tais atributos são uma exigência natural frente à velocidade das informações, das inovações tecnológicas e o fenômeno online que transformou o comportamento e as exigências dos consumidores.
O mercado sinaliza e as empresas que definirem suas estratégias a partir deste sinal ganharão em imagem, reputação e boas relações. Ou você acredita que a “tropa do cheque” no Teteton tem apenas boa intenção?

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no Caderno Opinião - MogiNews
29 de outubro de 2011

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