quarta-feira, 31 de agosto de 2011

PEQUENAS DÍVIDAS, GRANDES FAMÍLIAS

Uma recente pesquisa divulgada em 29 de agosto pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) apontou que o porcentual de famílias endividadas na cidade de São Paulo caiu de 47,3% em julho para 45,1% em agosto. Em números absolutos, significa dizer que 1,62 milhões de famílias tinham algum tipo de dívida em agosto, o menor patamar desde junho de 2010. 
A pesquisa considera endividada aquela família que possui contas ou dívidas contraídas com cheque pré-datado, cartão de crédito, carnê de lojas, empréstimo pessoal, compra de imóvel e prestação de carro e de seguros. (Ops! Será que há alguma família completamente livre de tudo isso? Se existir, eu respeito muito!)
Na avaliação da Fecomercio, a redução no nível de endividamento é resultado do nível alto de emprego e do conseqüente aumento da renda familiar. O estudo mostra também queda no porcentual de famílias paulistanas com contas atrasadas em agosto na comparação com julho. No período, o recuo foi de 15% para 12%. Em paralelo, o porcentual de famílias que afirmou não ter condições de pagar suas dívidas caiu de 6% para 5,5%.
Entre os consumidores com contas em atraso, 51,8% deles têm atrasos há mais de 90 dias, 23,1% têm contas atrasadas por até 30 dias e 21,6% do total de famílias estão com dívidas atrasadas entre 30 e 90 dias. Ou seja, está mesmo na hora de repensar os modelos de compra e consumo que levam as pessoas a esse patamar.
Imaginem que 18,8% das famílias paulistanas comprometem mais de 50% de seu orçamento mensal com dívidas. Certamente a dor de cabeça e as preocupações devem ser muito grandes quando o salário começa a acabar, mas o mês ainda tem algumas semanas pela frente.
Não posso afirmar com precisão, mas no acompanhamento de alguns de meus clientes de coaching e também de empreendedores em estágio inicial, percebo que o desequilíbrio financeiro é uma das principais fontes de preocupação, estresse, depressão e ansiedade.
Ansiedade que fomenta a irritabilidade, estimula a angústia, reduz o prazer de viver e gera um universo de doenças psicossomáticas e solidão. Alteração de humor, baixa auto-estima, tensão emocional, aperto no tórax, enxaquecas, dores musculares, fadiga excessiva, sono perturbado, transtornos alimentares, podem ser resultado de fluxos financeiros mal administrados.
Você já parou para refletir de onde vêm suas dores? Já parou para conversar com seus funcionários sobre suas finanças pessoais?
Por mais que não queira se “intrometer” na vida pessoal da sua equipe, problemas financeiros tendem a reduzir sua performance no trabalho e consequentemente, os resultados esperados para a própria empresa.
E quando os problemas financeiros passam a afetar também a vida conjugal de seus funcionários? Como se comportar se a sua própria vida estiver afetada pelo endividamento familiar? Será que isso não impactará em seu desempenho?
Muitos casais, mesmo mantendo o amor, chegam a se separar quando não conseguem administrar juntos as finanças do lar. O amor romântico, aquele que a tudo resiste e que transcende completamente questões materiais e temporais, não se basta por si só.
Na vida real, dados como os da pesquisa da Fecomércio podem ser os responsáveis por mais abalos em casamentos e relações afetivas do os contos de fadas nos fizeram acreditar desde a nossa infância.
Estilos diferentes para gerenciar o dinheiro, ou de se organizar financeiramente, podem dar origem a pequenas tensões que, aos poucos, vão ganhando a intensidade de um abalo sísmico. E aí, o dinheiro (ou melhor, a falta dele) leva inúmeras famílias a se romperem.
Em alguns casos, os problemas financeiros que começam de uma forma leve e discreta assumem tamanha dimensão que uma recuperação da paz e da harmonia conjugal será pouco provável, mesmo quando "a chuva passar".
Entretanto, na maioria dos casos, com um pouco de boa vontade e controle é possível colocar a casa, as finanças e o relacionamento em ordem.
André Massaro, educador financeiro e especialista em finanças pessoais, autor dos livros "MoneyFit" e "Por dentro da bolsa de valores" (Matrix Editora) destaca alguns pontos interessantes a serem observados pelos casais que podem fazer a diferença entre um casamento próspero e bem-sucedido e uma relação fadada a engrossar as estatísticas de divórcios e separações.

1º - Definam os valores do casal
Valores são os princípios que servem de "guia" para o casal. Conceitos como "amizade", "companheirismo", "fidelidade" etc. são exemplos de valores. Aspectos financeiros e materiais também devem ser contemplados nos valores do casal. Conceitos como "liberdade de tempo", "segurança financeira" e "abundância material" são valores que expressam nossa postura com relação ao dinheiro e a nossos recursos. O casal deve ter uma visão muito clara de seus valores, inclusive aqueles que dizem respeito ao dinheiro. Se um dos membros do casal acha importante ter abundância, e o outro se contenta com uma "vidinha tranqüila", então isso terá que ser equalizado.
2º - Estabeleçam os objetivos do casal
Uma vez estabelecidos os valores do casal, deve-se começar a definir aquilo que o casal quer, observando que objetivos e valores não podem ser conflitantes. O tipo de casa onde se deseja morar, a quantidade de filhos que se quer ter, como vão criá-los, se terão um imóvel de lazer, se vão viajar todo ano, etc. Isso deve fazer parte da lista de objetivos.
3º - Conheçam a si mesmos
Cada membro do casal deve ter uma visão muito clara sobre seus respectivos "eus financeiros", ou seja, que tipo de pessoa eles são com relação ao dinheiro. Quanto ganham e até onde estão dispostos a ir para ganhar mais e, mais importante, qual é o padrão de gastos de cada um. A atitude das duas partes do casal deve ser coerente com os valores e com os objetivos.
4º - Façam uma "reunião financeira" mensal
Estabelecem um dia fixo (algo como "toda primeira segunda feira do mês" ou "todo dia 10 do mês") e façam uma reunião para avaliar como anda a vida e o desempenho financeiro do casal. Façam uma reunião "séria", como se fosse um compromisso profissional, e deixando de lado qualquer assunto que não tenha a ver com as finanças do casal. Se quiserem, discutam o resto depois.
Avaliem o que está sendo feito e vejam se os valores, objetivos e "eus financeiros" estão sendo corretamente observados.
5º - Definam responsabilidades
Dividam as responsabilidades financeiras de acordo com as habilidades, capacidades e gostos de cada um. Esqueçam conceitos como "isso é coisa de homem" e "aquilo é coisa de mulher". Se a mulher tem maior potencial de gerar dinheiro, através de sua atividade profissional, e se o homem é mais eficiente objetivo na hora de fazer compras no supermercado, explorem isso.
6º - Planejem as finanças, mas não deixem de viver o presente
Façam um planejamento cuidadoso dos gastos, mas não permitam que esse planejamento faça de suas vidas um inferno. Abra espaço para o prazer, e não se esqueçam do romantismo...

Se você conseguiu se identificar com parte do texto ou, se além disto tudo, ainda é sócio(a) de sua esposa(o) e juntos administram as finanças da empresa, que tal compartilhar sua estratégia para gestão das finanças domésticas?
Sua idéia pode orientar outros leitores por aqui...

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