terça-feira, 1 de março de 2011

VALOR ECONÔMICO


Muitas pequenas empresas ainda sofrem com a falta de crédito específico para elas. Embora tenham operações bem mais simples que empresas de captal aberto, as MPEs têm demonstrado ser um segmento muito interessante para os bancos e operadores de crédito.
Uma pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de 2006 apontou que 36% das MPEs tomaram empréstimos bancários durante um período de cinco anos.
Não é a toa que o BNDES pretende ampliar o acesso às linhas disponíveis para essa modalidade empresarial.
Veja a matéria publicada no Valor Econômico em  28/02/2011.

 
Empréstimos do BNDES vão crescer 10%

Depois de praticamente dobrarem em 2010 - mais 91% -, os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) devem aumentar cerca de 10% neste ano. A projeção é do superintendente da área de operações indiretas do banco, Claudio Bernardo de Moraes. Ele atribui a menor taxa de crescimento principalmente ao aumento da base de comparação ocorrido em 2010. Em valores absolutos, a expectativa é de que os empréstimos fiquem próximos a R$ 50 bilhões. "O banco tem como foco apoiar cada vez mais esse conjunto de empresas", diz Moraes, destacando a capacidade de geração de empregos como um dos maiores motivadores.
Embora não disponha de um dado preciso, o superintendente estima que o BNDES responda por aproximadamente 25% do total de financiamentos destinados às micro, pequenas e médias empresas no País. Considerando apenas operações com mais de 48 meses, a participação sobe para cerca de 80%. "Quando se trata de recursos para investimentos, o banco é o grande suporte", destaca Moraes, que afirma haver uma tendência de expansão do BNDES nesse segmento. Ele cita a intenção da presidenta Dilma Roussef de criar um ministério específico para as pequenas e médias empresas.
"Vamos ser cada vez mais pressionados a lançar produtos para esse universo", diz, antecipando que um dos segmentos contemplados será o de Arranjos Produtivos Locais (APLs), que empregam mais de 2 milhões de pessoas em cerca de 2 mil municípios brasileiros. Em 2010, o BNDES financiou o maior estudo já realizado no país sobre APLs.
Nos últimos dez anos, os financiamentos do banco às MPMEs cresceram mais do que os desembolsos para as grandes empresas. De 2001 a 2010, enquanto as liberações anuais para as companhias de grande porte aumentaram 532%, o montante destinado às MPMEs subiu 690%, saltando de R$ 5,8 bilhões para R$ 45,7 bilhões. O maior crescimento se deu entre as micro e pequenas empresas (faturamento de até R$ 16 milhões), com alta de 1.135%. Já as empresas de médio porte (faturamento entre R$ 16 milhões e R$ 90 milhões) apuraram aumento de 766% nos desembolsos, enquanto as pessoas físicas, também consideradas no grupo, receberam, em 2010, 266% a mais do que haviam recebido em 2001. Com isso, o segmento de MPME ampliou de 22,9% para 27,1% sua participação nos desembolsos totais do BNDES. "É estratégico para a instituição e socialmente justo que o banco consiga alocar cada vez mais recursos de seu orçamento para esse conjunto de empresas", afirma Moraes.
Em 2010, o aumento dos desembolsos deveu-se principalmente pelo Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que respondeu por mais de 60% dos financiamentos às MPMEs. Lançado em julho de 2009 como medida anticíclica para manter a economia aquecida durante a crise financeira mundial, o PSI pratica taxas anuais de 5,5% e alavancou sobretudo a linha de financiamento Finame, voltada para a compra de máquinas e equipamentos. Além dela, o BNDES oferece dois grandes produtos para as micro, pequenas e médias empresas: o BNDES Automático - que abrange várias linhas para projetos de até R$ 10 milhões, inclusive uma para capital de giro - e o Cartão BNDES, que funciona como um cartão de crédito e permite às empresas fazerem compras em um portal mantido pelo banco de fomento. Em todos esses instrumentos o BNDES opera com agentes financeiros repassadores.
"Os bancos consideram esse segmento como um dos mais promissores, porque as grandes empresas conseguem, mal ou bem, acessar outras fontes de crédito que não o setor bancário. As micro, pequenas e médias ainda são muito dependentes dos bancos. Não conseguem lançar uma debênture ou buscar novas fontes de recurso", afirma.
Segundo Moraes, mais de 4 milhões de micro e pequenas empresas no Brasil não são tomadoras habituais de crédito. Uma das dificuldades na obtenção de financiamentos públicos é a ausência de certidões e documentos necessários para contratar operações.
"O potencial é enorme" salienta Moraes, acrescentando que a formalização da economia também tende a elevar a demanda por crédito. Para ele, o BNDES tem a meta de capturar, anualmente, pelo menos 50 mil empresas que jamais tenham obtido recursos do banco. Em 2010, foram cerca de 55 mil, boa parte delas através do cartão BNDES, que tem na praticidade, na ampla rede de distribuição (mais de 75% dos municípios brasileiros) e na competitividade de suas taxas (menos de 1% ao mês) os principais chamarizes dos empresários. "O cartão tem ampliado a fronteira do crédito. É um instrumento disponível nos rincões mais remotos do País".

(Fonte: Valor Econômico - 28/02/2011)

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