sábado, 18 de fevereiro de 2012

NÃO ESTOU LOUCA

Enquanto nossos vereadores discutem o aumento de seus próprios salários e congressistas ainda duvidam da legalidade de um projeto como o Ficha Limpa, os Estados Unidos da América mais uma vez assumem a liderança para um tema fundamental ao fomento ao empreendedorismo: reforma tributária.
Em setembro do ano passado, quando apresentava uma proposta de corte no orçamento do país, o presidente Barack Obama afirmou que os ricos e as empresas deveriam pagar uma "parte mais justa" dos impostos. Uau! Estaria o presidente americano apresentando sinais de loucura às vésperas de sua reeleição?
Na verdade, Barack Obama não goza apenas de sua mais plena capacidade como ainda repercute algo que milionários norte-americanos, europeus e asiáticos vêm repetindo há anos: ricos e corporações multinacionais devem pagar mais impostos do que pobres e pequenas empresas.
Pronto. Vocês agora estão pensado: “Pobre, Ana Maria... Enlouqueceu.”
Se isso é verdade, posso ser internada junto a um dos milionários mais conhecidos da economia. Bill Gates, co-fundador da Microsoft, é um dos defensores desta proposta. Ele afirma que os mais ricos, entre os quais ele próprio se inclui, devem ser “convocados” a dar uma contribuição maior num momento tão difícil para milhões de pessoas no mundo todo.
E isso não vale apenas para aumentar a arrecadação num momento de crise americana; vale também para o nosso país que, ano após ano, mantém o alto custeio da máquina administrativa às custas dos impostos e taxas pagos pela sociedade. Talvez, se os mais ricos pagassem mais impostos, poderíamos caminhar no sentido de um maior equilíbrio social e de fomento à geração de novos negócios.
Em artigo publicado no ano passado no New York Times, Warren Buffett, outro multimilionário norte-americano e megainvestidor, afirmou que o governo deveria parar de “mimar os ricos” aumentando as taxas sobre suas fortunas assim como sobre os lucros das grandes corporações. Na França, 16 milionários que representam as maiores fortunas do país encaminharam ao governo um pedido para aumentar os impostos dos mais ricos a fim de reduzir os impactos para a crise européia. É claro que essa não seria a salvação da lavoura, mas trata-se de uma importante medida que pode fazer parte de uma reforma mais ambiciosa sobre os gastos e receitas do Estado. Entre as empresas que defendem a idéia estão: L’Oréal, Accor, Danone e Peugeot-Citroen.
Ou seja: não estou louca.
Nos últimos dez anos, o Brasil tem sido apontado como um dos lugares onde mais surgiram bilionários. No entanto, também continuamos sendo “exemplo” de um país desigual e com uma das piores estruturas tributárias do mundo. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), quem ganha até dois salários mínimos (R$ 1.020) compromete 48,9% de sua receita com impostos e taxas em geral, enquanto os que recebem mais de 30 mínimos (R$ 15.300) sentem o impacto de uma carga tributária de 26,3%. Além disso, a tributação sobre a produção de bens e serviços chega a quase 49% enquanto os impostos sobre renda e patrimônio correspondem a pouco mais de 23%. Quanto mais você acumula, menos você paga! Contudo,  o quilo de feijão, a passagem de metrô, o litro da gasolina, o livro, o cafezinho e a entrada de cinema têm o mesmo preço para mim, pra você, pro Silvio Santos ou para o Eike Batista. 
Se desejamos sentir os efeitos de um desenvolvimento mais sustentável (e mais sustentado também) precisamos lutar para tirar a reforma tributária do mundo dos sonhos e aplicá-las em nossas vidas reais. E, uma das formas de tornar esse sonho realidade e resolver a equação da desigualdade tributária é diminuir os impostos indiretos sobre os produtos e aumentar a tributação que incide sobre a renda e o patrimônio. Parece que na próxima visita de Barack Obama por aqui, tem muito louco merecendo uma lição!

Fonte: Declaração de Jorge Abrahão
Presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social

Um comentário:

  1. Aninha,

    Excelente reflexão, lembrei de uma citação sua que adoro "Oferecer um tratamento diferenciado aos que são realmente diferentes é um meio de oferecer igualdade de direitos" é o fundamento perfeito para a reforma tributária-trabalhista que o ambiente empreendedor brasileito precisa.

    Saudações empreendedoras
    BB

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