quinta-feira, 24 de novembro de 2011

SÉCULO DAS MULHERES

Sempre resisto à tentação sexista de separar homens e mulheres quando o assunto é competência, mas o fato é que carregamos um passivo histórico quando falamos em igualdade de gêneros. Apesar das discussões políticas, midiáticas e acadêmicas sobre oportunidade e equidade travadas nas últimas décadas, muitas ideias sexistas ainda permeaim a cultura brasileira e explicam parte das diferenças socias, econômicas, ocupacionais e comportamentais entre os gêneros.
Minha alegria é saber que cada vez mais as mulheres estão presentes em quase todas as atividades humanas, inclusive em algumas antes exclusivas do universo masculino, como na chefia de governos. É o caso do Brasil, que em 2010 elegeu sua primeira presidenta da República, Dilma Rousseff, a qual desde então vem trabalhando para ampliar a participação das mulheres em diversos escalões de seu governo. Já são dez ministras em 38 Ministérios. Um bom número, não acham?
No entanto, há ainda barreiras que precisam ser transpostas para que o país possa viver uma verdadeira democracia de gênero. No campo da economia, a participação feminina é uma foto de grandes disparidades.
Ao redor do mundo, estima-se que cerca de 1 bilhão de pessoas vivam em pobreza extrema, 70% das quais são mulheres. Além disso, mais de 70% dos 33 milhões de refugiados em todo o planeta são mulheres. Um triste número, não acham também? 
Um estudo da revista inglesa The Economist concluiu que a ascensão das mulheres na sociedade contribuiu mais para o crescimento global da economia nos últimos dez anos do que o desenvolvimento da China. Muitas regiões do mundo poderiam aumentar seu PIB se reduzissem as desigualdades nas taxas de emprego de homens e mulheres. No Brasil, essa evolução vem sendo registrada desde os anos 1970. Naquela época, as mulheres representavam 20% dos trabalhadores do país, passando a 44% no final da primeira década do século XXI. Registre-se ainda que, hoje, 35% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres.
Não é mais possível fecharmos os olhos a essa realidade.
Com o objetivo de trabalhar para reduzir as desigualdades de gênero no mercado de trabalho, mais de 50 organizações, empresas, organismos governamentais e ONGs, se uniram no Movimento Empresarial pelo Desenvolvimento Econômico da Mulher, também chamado de +Mulher 360 (http://movimentomulher360.com.br).
A idéia é integrar um conjunto de ações que gerem impacto na qualidade de vida das mulheres focando quatro pilares essenciais:
Dentro das empresas – fomentando iniciativas para a inclusão de mulheres, desenvolvimento profissional e formação de lideranças femininas;
Nas cadeias de suprimentos – estimulando ações voltadas para a ampliação da participação feminina em toda a cadeia produtiva;
Inclusão social – incentivando a valorização das mulheres como agentes de transformação por meio de ações de investimento social privado, e;
Comunicação – qualificando a imagem da mulher na sociedade, ressaltando seu papel transformador.
Não precisamos apenas de uma boa lingerie ou um polpudo cartão de crédito para conquistarmos nosso espaço. É preciso um olhar ampliado sobre nossas competências e conquistas. Devemos nos beneficiar da maior escolaridade feminina e experimentar, na prática, o desenvolvimento que essa inclusão pode proporcionar ao Brasil e ao mundo. Talvez nem todos saibam, mas hoje 80% das decisões de compra são tomadas por mulheres. 
Por isso, e preciso acelerar as transformações e tratar o problema não como uma questão pontual ou sexista, mas como um desequilíbrio do sistema, que faz com que algumas empresas não percebam o valor da liderança feminina.
Ampliar a participação feminina no mundo do trabalho e reduzir a desigualdade de tratamento e renda entre homens e mulheres é um passo importante para a construção de uma economia justa e mais responsável.
O Walmart Brasil, que capitaneia o movimento empresarial +Mulher 360, adotou algumas medidas bem objetivas que podem inspirar você a avaliar quais seriam as oportunidades em seu próprio negócio. A companhia, eleita a maior multinacional de 2010, assumiu o compromisso de dobrar o volume de compras de mulheres fornecedoras de fora dos Estados Unidos, treinar 60 mil mulheres que trabalham em empresas fornecedoras do Walmart ou em produção rural para que possam assumir postos executivos, oferecer vagas para 200 mil mulheres em todo o mundo, aumentar a igualdade de gênero em toda a sua cadeia de suprimento e apoiar programas de responsabilidade social em todo o mundo com mais de US$ 100 milhões. 
É claro que você não precisa repetir os mesmos números para fazer a sua parte, mas que tal pensar no assunto e pensar em ações para o seu negócio, seu bairro e sua cidade?

Fonte:
Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social

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