sábado, 16 de junho de 2012

HIGHLANDERS

“Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma.
Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse.”
-- Friedrich Nietzsche --


Nos filmes de cinema sobre o personagem Highlander, um guerreiro escocês que se tornou imortal no iniciodo século XVI, o protagonista Connor MacLeod atravessa as eras combatendo o mal e fazendo justiça sem sentir a passagem do tempo. O herói não envelhece nunca, seu corpo simplesmente não degenera. A única forma de morrer é ser decapitado por um inimigo.
Diante desse enredo fictício, o senso comum nos leva a pensar que um exercito de Highlanders seria praticamente imbatível diante de uma armada equivalente de mortais e que tê-los por perto seria o equivalente a certeza eterna de que o bem sempre pode vencer o mal. Será?
Imagine que as pessoas não envelhecessem e não tivessem medo de se tornar obsoletas. Imagine uma empresa controlada sempre por uma mesma direção. Imagine um país que se mantenha sempre nas mãos das mesmas pessoas. Será que seríamos os mesmos? Será que a seleção natural que nos acompanha nos processos de mudança não são fundamentais para que possamos continuar a evoluir? Como seria um mundo controlado sempre por Highlanders?
Segundo André Martins, um pesquisador brasileiro vinculado à FAPESP, as novas gerações de uma população que se permite envelhecer se adaptam mais rapidamente às mudanças. Uma simulação computacional feita por ele indica que tornar-se senil e morrer acelera a adaptação do novo ao ambiente, enquanto que aqueles que nunca envelhecem e por isso, não mudam perdem conhecimento e espaço nesse novo cenário. Precisamos deixar a vida correr, precisamos mudar, precisamos viver...
Quantas pessoas (e empresas) se apegam tanto às suas crenças que parecem desejar a imortalidade? Envelhecer e evoluir pode ser uma vantagem evolutiva num mundo que se renova numa velocidade tão atroz. Na simulação, assim como nos processos sociais, a vitória da população que envelhece - e que, por isso, se transforma - está em sua maior capacidade de se moldar a alterações do habitat e gerar mais rapidamente soluções adaptadas ao ambiente do que os competidores dotados de uma biologia imune aos efeitos da senescência. Ser imortal pode não ser tão encantador quanto nos filmes de vampiros ou nas series de TV.
As condições em que as pessoas e as empresas competem na natureza ou no mercado mudam muito rapidamente. Quem ficar parado, de alguma forma, já está perdendo... Se nos deixarmos levar pelo conceito da imortalidade, podemos perder o tempo da inovação, da construção de novas soluções e da abertura de novos caminhos. Vencer o mal é preciso, mas isso não é uma tarefa apenas para Highlanders ou para super-heróis. Se na batalha final, você mesmo não souber como responder aos desafios impostos pela vida e como combater (e se defender de) outros "imortais", você também pode perder, literalmente, a sua cabeça.



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