sábado, 10 de novembro de 2012

ACORDEI RICA

Há riqueza bastante no mundo para as necessidades do homem,
 mas não para a sua ambição.
-- Mahatma Gandhi --


Calma! Para aqueles leitores que sabem onde eu moro nem adianta fazer fila na porta de casa, pois não ganhei na mega-sena e nada mudou na minha conta corrente. Na verdade, assim como eu, milhões de brasileiros acordaram ricos graças a uma nova divisão de classes apresentada pelo governo federal.
A divisão da população brasileira em classes socioeconômicas é baseada no Critério de Classificação Econômica Brasil, levantamento feito pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep). Essa classificação surgiu em 1997 para medir o poder aquisitivo das pessoas, avaliando os bens da família e o grau de escolaridade do chefe da casa. Aposto que alguém já passou na sua casa perguntando quantas televisões, quantos banheiros, quantas geladeiras você possui. Na prática, os itens possuídos por sua família valem pontos e definem a que classe ela pertence.
Não sei se é surpresa para alguns, mas o Censo, do IBGE, na verdade, nunca definiu classe, o que ele aponta é a renda das famílias brasileiras. O que define a classe são as classificações como as informadas pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE).
De acordo com a SAE, a classe média brasileira foi fatiada em três subclasses definidas pela renda familiar mensal per capita. Agora, a categoria classe média é formada por baixa classe média, com renda entre 292 reais e 441 reais; média classe média, formada por uma renda per capita de 442 reais a 641 reais; e alta classe média, com renda entre 642 reais e 1.019 reais. Com esta configuração, o governo estima que a chamada classe média é representada por 54% da população brasileira neste ano. Em 2001, essa parcela era de 37% do total. A classe alta também foi subdividida em duas categorias: a baixa classe alta, com renda entre 1.020 reais e 2.480 reais, e a alta classe alta, com proventos superiores a esse valor.
Na classe pobre, os limites também mudaram. São considerados extremamente pobres aqueles com renda de até 81 reais. Os pobres, mas não extremamente, ficam situados entre 82 reais e 162 reais. Na categoria denominada vulnerável, entram as pessoas que ganham entre 163 reais e 291 reais.
Levando em consideração que ao responder o Censo muitos distorcem quanto ganham e que este enquadramento não reflete o real poder de compra no mercado não vivemos um oceano azul tão tranquilo quanto o governo espera que acreditemos. Mantenha os olhos bem abertos.
Milhões de brasileiros migraram para as classes A, B e C nos últimos anos. De acordo com o Ministério da Fazenda, até o ano da Copa do Mundo, em 2014, o Brasil teria 56% de sua população inserida na classe C, mas com esse último “milagre” da economia já chegamos quase a esse número. Seria este realmente um avanço econômico e social para o nosso país? Será desta forma que avançaremos na erradicação da pobreza?
Há um conceito no dicionário de Sociologia, muito complexo, que fala sobre classes sociais – na verdade tenta traduzir seu conceito como “um agrupamento legalmente aberto, solidário, antagônico, multivinculado ao ocupacional e econômico...”. Essa expressão é bastante estudada, uma vez que é ouvida repetidamente no meio sociológico e também econômico; mas em nenhum deles encontra-se um consenso, por isso, falamos em um conceito bastante relativo. Complicado, não?
Tão complicado que parece permitir que sejamos enganados com tanta facilidade. Será?!?

Um comentário:

  1. Ótima dica oferecida pelo Roberto Ambrósio no facebook que complementa muito bem o tema da Classe Média brasileira. Obrigada, meu amigo!
    http://www1.folha.uol.com.br/poder/874777-e-um-erro-falar-que-existe-nova-classe-media-diz-sociologo.shtml

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