domingo, 8 de julho de 2012

MENTIRAS BRANCAS

É difícil acreditar que um homem está a dizer a verdade
quando você sabe que mentiria se estivesse no lugar dele.
-- Henry Mencken --


As "palavras certas" para que se estabeleça um bom convívio social são cada vez mais "pura mentira". Apresentar a verdade em doses reduzidas facilita a vida e faz das pessoas seres bem menos complexos. Aqueles que sempre dizem a verdade são considerados irremediavelmente ingênuos. (Sem contar que facilmente ganham inimigos, né? Nem todo mundo está disposto a conhecer a verdade de todas as situações). Os americanos chamam essa "forma elaborada" de comunicação social de "mentiras brancas" - aqui no Brasil, tenho certeza que você já ouviu alguém dizer que contou apenas uma meia-verdade ou uma mentirinha sincera.
Existem inúmeras pesquisas e estudos sobre a mentira, tenta-se explicá-la, procura-se a sua origem, mas em geral ela é considerada inofensiva, e até mesmo, uma necessidade da vida. Filósofos, cientistas políticos e psicólogos há alguns anos ocupam-se em entender o seu mistério. Um estudo da Universidade da Virgínia aponta que as pessoas mentem a fim de manter uma boa atmosfera ou de se apresentar sob perspectivas mais favoráveis. E adivinha: cônjuges e familiares são as vítimas de dois terços de todas as mentiras.
Entretanto, pela lógica, uma meia verdade é uma mentira completa, mas com um detalhe interessante - a meia verdade parece mais inocente, pois se utiliza muitas vezes de fatos ou argumentos reais, porém com uma lógica distorcida, não abordando a questão por completo.
Howard Gardner, psicólogo da Harvard School of Education, afirma que o sucesso profissional de um executivo depende em 80% da sua inteligência social. O talento para enganar no ambiente corporativo é um fator tão útil como a perspicácia, intuição, criatividade e diplomacia.
Desde cedo, as crianças aprendem que é melhor não dizer àquela tia antipática que acham o beijo lambuzado dela nojento ou que o presente inútil do padrinho não servirá para nada. A educação diplomática e a lei do silêncio sobre os inconvenientes familiares são modelos e treinamento para as mentiras diárias no futuro.
A criança diplomática um dia cresce, desenvolve sua inteligência e então, descobre quão refinadamente é possível lograr os outros em proveito próprio. Cria-se o ciclo da falsidade: embora condenemos a mentira, não são raras as vezes em que esticamos um pouquinho a verdade quando as circunstâncias permitem. É muito fácil racionalizar e justificar uma mentira inocente. Por outro lado, algumas coisas são tão repulsivas e nojentas que instintivamente as evitamos e sentimo-nos revoltados só de pensar em entrar em contato com elas, mesmo que alguém nos tente convencer com benefícios e agrados.
Amar realmente a verdade exige não apenas que evitemos o mal, mas que o desprezemos. É vergonhoso ver como lidamos levianamente com o conceito "mentira" ou com ela própria em nossa dia-a-dia. Em troca de poder, estabilidade ou aceitação, muitos preferem mentir.
O teste de fogo para uma vida com menos mentira é o quanto somos capazes de desprezar a falsidade e nos livrarmos dela. Não precisamos de uma vida “100% sincera”, mas não podemos também conviver com a mentira como fator de esperteza, ventura e sucesso. Viver em verdade é saber que podemos errar, mas que também podemos recomeçar!

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