quinta-feira, 25 de junho de 2009

ADEUS CHARLIE BROWN

Quem nunca se inspirou em Charlie Brown, personagem do desenho animado do Snoopy, para demonstrar sua frustração no ambiente de trabalho que atire a primeira pedra.
Todo profissional sabe que, às vezes, a sensação de esgotamento com relação ao cotidiano das organizações beira o limite do suportável e então a situação “mas que puxa!” parece tornar as coisas ainda mais difíceis.
Quando falta motivação, as pessoas passam a relacionar o trabalho com uma questão de dureza e de complicação, quando na verdade ele deveria ser visto com satisfação e alegria. E pior: essa sensação pode vir acompanhada de intolerância, desencadeando brigas e discussões entre as equipes.
Poderia enumerar diversos fatores responsáveis em deixar nossos colaboradores sem energia, ausência de férias, problemas de saúde ou de relacionamento, mas a falta de motivação é um problema singular e subjetivo que envolve o profissional e a gestão de sua vida e sua carreira.
Para encontrar a tal motivação responda à pergunta: seu trabalho te dá significado?
Uma pessoa que gosta do que está fazendo é naturalmente motivada. Pense nas crianças... Você não precisa motivar crianças! Elas já acordam super motivadas porque o dia é emocionante para elas, sempre há um novo aprendizado.
No ambiente organizacional, o termo motivação nos remete a duas idéias diferentes, mas relacionadas. Do ponto de vista do indivíduo, a motivação é um estado interno que conduz à busca de objetivos. A motivação pessoal afeta a iniciativa, a direção, a intensidade e a persistência de esforço. Um trabalhador motivado segue em frente, concentra os esforços na direção correta, trabalha com intensidade e mantém o esforço. Já do ponto de vista do líder, a motivação é o processo de fazer com que as pessoas persigam objetivos e atinjam resultados que auxiliem a organização. Os dois conceitos possuem um importante significado em comum. A motivação é o dispêndio de esforços para atingir resultados.
A simples análise do termo nos ensina que motivação é termos um motivo para agir (motivo + ação = motivação!). Ora, então é muito simples, afinal cada um de nós está cheio, pleno de motivos!
Mas quais seriam os motivos comuns em uma equipe? O grande desafio do líder é fazer com que cada pessoa crie os seus motivos para lutar por um objetivo comum e criar um ambiente em que as pessoas estejam realmente compromissadas umas com as outras para somarem esforços e, assim, conseguirem alcançar suas metas.
Hoje as pessoas dedicam grande parte de suas vidas às empresas onde trabalham, constroem um estilo de vida, seu sistema de valor e seu interesse central de vida em torno de seu trabalho. Só isso já deveria mantê-las motivadas a se dedicar ao máximo às metas dessa organização, mas o desafio da motivação abrange muitas formas complexas do comportamento humano.
Seria ótimo se pudéssemos colocar tais complexidades do comportamento humano e a dinâmica organizacional dentro de um tubo de ensaio e num simples instante entendêssemos todas as suas variáveis criando uma atmosfera de motivação e respeito mútuo.
Acho engraçado quando as pessoas me perguntam se o SEBRAE-SP tem algum "curso de motivação pessoal”, pois não consigo enxergar meios de motivar as pessoas através de uma receita pronta e padronizada, uma frase ou uma história bonita. Motivação é um processo, não um evento isolado onde se aperta um botão e pronto...
Os principais aspectos da motivação para realização envolvem o auto-conhecimento e enfatizam a prontidão de uma pessoa para confrontar-se com um desafio e lidar adequadamente com ele, aceitar sua responsabilidade pessoal entendendo o impacto sobre responsabilidade partilhada, calcular riscos, resolver problemas e satisfazer necessidades, sejam elas fisiológicas, fundamentais à existência, de segurança, sociais, de estima ou de auto-realização.
Quando você contrata alguém para a sua empresa, normalmente esta pessoa entra naturalmente motivada, disposta a contribuir, rezar o terço da organização e com grandes expectativas de crescer. Isso porque percebe que suas necessidades foram atendidas, afinal ou ela estava infeliz no seu trabalho anterior ou estava desempregada.
Mas então, a falta de perspectiva de futuro, uma rotina enfadonha do trabalho, a falta de reconhecimento e, até mesmo, a falta de conhecimento da empresa onde passa a trabalhar começam a transformar a forma como essa pessoa se relaciona com a empresa.
Lembro-me de uma das formações da seleção brasileira de futebol que fazia referência ao “quadrado mágico”. Lá não deu grandes resultados, mas para um bom ambiente que inspire a motivação das pessoas nas organizações acredito no meu próprio quadrado mágico: respeito, comunicação, transparência e feedback.
Esse é o desafio de qualquer liderança, reforçar continuamente os comportamentos e as atitudes positivas dos funcionários através do respeito, comunicação assertiva, transparência e feedback.
Manter a motivação em alta não é fácil e exige a mesma atenção que damos ao caixa das nossas empresas; mas se, ainda assim, os Charlie Brown sobreviverem é a hora de procurarem outros desenhos a estrelar!

Ana Maria Magni Coelho
Artigo publicado na Revista Arena Empresarial
Edição 03 - junho/julho 2009

3 comentários:

  1. Parabéns pelo texto, Ana!
    Estou fazendo parte de uma comunidade que dialoga sobre esse tema. O endereço é novolhar.ning.com .
    Gostei da parte que diz respeito à motivação como um processo pessoal. Acredito que a motivação é o impulso essencial de cada um e cada uma. O grande problema é não saber qual é esse impulso, qual é ésse propósito que me faz viver-trabalhar feliz. E, como essa não é uma resposta tã simples de se encontrar (muitas pessoas passam a vida procurando encontrá-la), talvez uma boa pista fosse fazer perguntas, tais como "o meu trabalho me faz sentir feliz e realizado"? "qual o meu propósito nesta vida"? "que tipo de trabalho pode contribuir para a realização deste propósito"? "como eu poderia trabalhar com algo que me faz feliz e me gere sustentabilidade financeira"?
    Bem, podemos não encontrar respostas para estas e outras questões, mas só o fato de fazer esta pergunta para nós mesmos, já é um bom caminho para chegar mais perto de si mesmo e poder viver-trabalhar mais feliz.
    Valeu!
    Abraços!

    Renato Milsoni

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  2. Pois é, Renatinho...
    Dizem que o mais importante na vida não é encontrar todas as respostas, mas saber fazer as melhores perguntas.
    Esse é o principal fundamento da nossa constante trans-FORMAÇÃO.
    Romper com situações que geram estabilidade, mas não geram motivação talvez seja uma das ações mais difíceis na vida.
    É duro perceber que é hora de trocar de emprego, acabar com um casamento falido, emagrecer, mudar nossos hábitos e formas de pensar.
    Mas esse é o tema do artigo de amanhã...rs...
    Um beijo!
    E continue deixando seus comentários.
    Aninha

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  3. Ana

    acabei de ler dois textos e cairam muito bem para algumas situacoes que estamos vivenciando.

    Creio que esse espaco, que vc criou, vem em boa hora para podermos discutir e trabalhar ainda mais os conceitos que pretendemos utilizar no dia-a-dia.

    Sucesso!!!
    Bjs

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