Se você tem menos de 30 anos talvez não se lembre do célebre comercial do cigarro Vila Rica, onde o tricampeão Gérson falava a famosa frase: "... porque você tem que levar vantagem em tudo, certo?". Ainda que não se lembre da propaganda, tenho certeza que já ouviu alguém utilizando a "Lei de Gérson" para simbolizar o oportunismo e a falta de escrúpulos típicos de uma grande parcela de nossa sociedade. Ou seja, atribuiu-se à Lei de Gérson uma das razões para nosso subdesenvolvimento e estão aí o Mensalão, crescimentos patrimoniais inexplicáveis, os jatinhos da FAB para Fernando de Noronha e muitas outras coisas que - infelizmente - não me deixam mentir.
Um espaço reservado para você que deseja ler e compartilhar experiências sobre empreendedorismo, liderança, inovação, sustentabilidade, gestão, comportamento humano e educação! Entre e sinta-se a vontade...
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sábado, 16 de fevereiro de 2013
VOCÊ CONHECE GERSON?
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Ana Maria Coelho
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19:58
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domingo, 8 de julho de 2012
MENTIRAS BRANCAS
É difícil acreditar que um homem está a dizer a verdade
quando você sabe que mentiria se estivesse no lugar dele.
-- Henry Mencken --
As "palavras certas" para que se estabeleça um bom convívio social são cada vez mais "pura mentira". Apresentar a verdade em doses reduzidas facilita a vida e faz das pessoas seres bem menos complexos. Aqueles que sempre dizem a verdade são considerados irremediavelmente ingênuos. (Sem contar que facilmente ganham inimigos, né? Nem todo mundo está disposto a conhecer a verdade de todas as situações). Os americanos chamam essa "forma elaborada" de comunicação social de "mentiras brancas" - aqui no Brasil, tenho certeza que você já ouviu alguém dizer que contou apenas uma meia-verdade ou uma mentirinha sincera.
Existem inúmeras pesquisas e estudos sobre a mentira, tenta-se explicá-la, procura-se a sua origem, mas em geral ela é considerada inofensiva, e até mesmo, uma necessidade da vida. Filósofos, cientistas políticos e psicólogos há alguns anos ocupam-se em entender o seu mistério. Um estudo da Universidade da Virgínia aponta que as pessoas mentem a fim de manter uma boa atmosfera ou de se apresentar sob perspectivas mais favoráveis. E adivinha: cônjuges e familiares são as vítimas de dois terços de todas as mentiras.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
NEGÓCIOS INCLUSIVOS
“Ainda não apareceu o Gandhi da sustentabilidade nem o Mandela da biodiversidade.
Não apareceu nenhum Martin Luther King para a mudança do clima.
Mas para tais questões, não basta um no mundo.
Tem que ter aos milhões, em todas as atividades.”
-- Fernando Almeida --
Presidente executivo do CEBDS
Se você tem mais de 30 anos, irá se lembrar do início do processo de globalização vivido nas décadas finais do século XX quando grandes mudanças ocorreram no mundo do trabalho, por conta de alterações nos processos produtivos, nas tecnologias e nas relações de trabalho, provocadas pelas novas formas de organização dos mercados globais.
Desemprego, trabalho precário, informalidade, terceirização e transferência de setores e empresas para países e regiões com menores gastos e menos direitos trabalhistas passaram a representar riscos para o trabalho decente e a geração de empregos formais. Entretanto, a construção de uma sociedade fundamentada no empreendedorismo, na valorização do capital intelectual, na liberdade e na justiça não pode manter a situação dos "sem emprego".
sábado, 3 de março de 2012
PARA ALÉM DO DESENVOLVIMENTO
"Se a educação sozinha não pode tranformar a sociedade,
tampouco sem ela a sociedade muda."
Paulo Freire
Mais importante do que enfrentar a crise econômica que está assustando trabalhadores, empresários e governos é aproveitar essa oportunidade para uma retomada duradoura do nosso desenvolvimento. Novos patamares. Novos desafios. Novas perspectivas.
Tudo tecnicamente impossível se não levarmos em conta um fator preponderante: a educação. O nível de inserção na economia globalizada, seja em qual for o nível, é dependente dos índices de crescimento econômico e tecnológico, que, por sua vez, dependem dos investimentos em capital humano.
Não consigo imaginar nenhum caminho para o desenvolvimento econômico que não passe obrigatoriamente pela geração de emprego, renda e pela abertura de oportunidades às pessoas para que elas possam empreender, crescer e conquistar melhor qualidade de vida.
Simples? Não tanto quanto parece. Para investir no capital humano, enfrentamos um grande problema, já que a educação brasileira ainda tem dificuldades com a qualidade de ensino, evasão escolar, distorção entre série e idades e analfabetismo funcional. Se adolescentes chegam às universidades com baixíssima capacidade de interpretação de textos, como poderão interpretar sua própria realidade?
sábado, 25 de fevereiro de 2012
BRASIL, MOSTRA A TUA CARA!
Um homem rasga alguns papéis no carnaval e vai preso. Políticos rasgam nosso dinheiro em corrupção e são (re)eleitos. Um jovem mata uma criança, não presta socorro (e nem depoimento), mas tem sua identidade protegida. Rachas matam adolescentes nas estradas e avenidas das grandes cidades.
Queria evitar a polêmica do carnaval 2012 na coluna desta semana, mas não posso. Há fatos que me doem na alma. Não sou advogada, e muito menos juíza, para ponderar sobre os direitos dos infratores, mas sou mãe e educadora.
Tenho um filho com a mesma idade do menino que causou o acidente com o jet-sky na praia de Guaratuba, litoral de São Paulo, matando um menina de 3 anos. Sinto as dores das duas mães. Não posso julgar, mas ao acompanhar a cobertura da imprensa sobre o inquérito policial, me preocupo com os valores que criamos e multiplicamos pelas novas gerações. Instituimos a filosofia do "isso não vai dar em nada" e pior: nos acomodamos a ela!
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Ana Maria Coelho
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07:50
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sábado, 28 de janeiro de 2012
EDUCAÇÃO PARA O FUTURO
"Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo.
E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que
a justiça social se implante antes da caridade."
Paulo Freire
A educação brasileira melhorou muito nos últimos anos, mas continua uma catástrofe. Bons exemplos estão espalhados por vários lugares, mas a falsidade de uma aparente “educação para todos” cria ilusões acerca dos caminhos necessários para a conquista de novos patamares.
Mais do que acesso é preciso que os interessados na discussão perguntem-se “quais os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para o fomento de uma educação empreendedora e sustentável?, que processos educacionais podem ajudar a construí-los?”
Se desenvolvimento sustentável é ser solidário com as gerações futuras, não há solidariedade maior do que a de prover crianças, jovens e os que ainda virão ao mundo de saberes necessários para a construção de uma nova realidade mais empreendedora, justa e responsável.
sábado, 14 de janeiro de 2012
ENDIVIDAMENTO EMOCIONAL
Matrícula da escola, material escolar, IPTU, IPVA, aumento nas tarifas da conta de água, fatura do cartão de crédito com as compras do Natal... Ufa! Será que o bolso aguenta?!?
Tradicionalmente um mês de muitas despesas extras, janeiro requer planejamento e monitoramento para evitar o pagamento de um alto preço em seu orçamento (e às vezes, em sua saúde) por todo o novo ano.
Embora o endividamento seja considerado um fenômeno relativamente novo em nossa sociedade, o significativo aumento de pessoas endividadas traz uma nova dinâmica a economia. Poucas famílias, mesmo as consideradas mais esclarecidas, têm o hábito de parar e pensar no quanto de sua receita está comprometida com dívidas ao longo dos meses. Esta falta de reflexão conjunta acaba conduzindo a tomada de decisão sobre novas questões financeiras de forma errônea: por impulso, por compulsão e, principalmente, pelo significado que determinados produtos têm para cada um.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
ADOLESCENTES VERSUS OBSOLECENTES
Por Luiz Algarra*
Nós nos esforçamos, por tantos anos, para manter nosso foco, que agora estamos estranhando o modo multitarefa como nossos jovens vivem e, já começamos a falar em mal funcionamento das novas gerações.
Durante um tempo, as pessoas mais velhas se referiram à informática (lembram desse termo?) como algo importante que merecia ser aprendido. Hoje, apontam para os jovens e dizem que há algo errado numa geração sem foco, dominada pela tecnologia digital, com um enorme déficit de atenção e pouca profundidade temática. Nossos filhos não estão se encaixando em nossas projeções e por isso estamos pensando que pode haver algo de errado com eles.
Creio que estamos chegando a um ponto importante da história do uso da tecnologia, no qual os jovens conectados passam a disputar mercado com seus preceptores e por isso passam a ser repelidos com uma série de rótulos. Por que o abismo tecnorrelacional entre as gerações vem se acentuando? Porque, para muitos de nós com mais de quarenta anos, a intensidade e variedade dos objetos de linguagem já atingem uma velocidade quase insuportável.
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Ana Maria Coelho
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20:24
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sábado, 15 de outubro de 2011
FATOS DA SEMANA E O FUTURO
"Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda."
(Paulo Freire)
(Paulo Freire)
Compra de carros importados contrabandeados, feriado nacional em homenagem à padroeira do Brasil, greves nos correios e nos bancos, protestos da sociedade civil em todo o país em marchas contra a corrupção, censura a programas e artistas da TV. Se você não teve assunto durante essa semana, certamente estava vivendo em outro planeta.
Por outro lado, se acredita que irá ler aqui uma nova visão sobre os crimes de contrabando, lavagem de dinheiro, direitos trabalhistas ou programas de televisão, pode interromper sua leitura, pois não pretendo atualizá-lo caso você realmente tenha estado em Marte nos últimos dias.
Na verdade, fiquei pensando em como poderia utilizar tais assuntos para uma homenagem diferente ao dia que não poderia dar um desfecho melhor a essa semana: o Dia do Professor!
Professores que junto às famílias têm grande responsabilidade pela transformação dessa realidade nacional. Até quando ficaremos calados frente a escândalos de corrupção? Até quando aceitaremos a demagogia de muitos em nome da democracia? Até quando esqueceremos que a base de toda transformação passa pela educação?
segunda-feira, 9 de maio de 2011
FILHOS DA VIDA QUE ANSEIA POR SI MESMA
"Estou aqui, vivendo, e não me podem extrair o usufruto da vida porque, através da minha palavra atuante, sobreviverei mesmo após a morte. Vim aqui para ser por todos e com todos, e o que faço hoje na minha solidão ecoará amanhã entre todos os homens.
O que digo hoje com apenas meu coração será dito amanhã por milhares de corações."
Há um mês, ouvi pela primeira vez um poema de Gibran Kahlil Gibran.
Confesso que não conhecia esse artista que nasceu no Líbano no final do século XIX e que me encantei com seus escritos - profundos e repletos de sensibilidade e espiritualidade.
No mundo ocidental, esse poeta, filósofo e artista chegou a ser chamado de "o Dante do século XX". Para seus admiradores do Oriente Médio, ele é o Amado Mestre.
Um Mestre que na semana do Dia das Mães, merece ser lembrado pela obra escrita em 1923.
~ Os Filhos ~
(Do Livro "O Profeta")
Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos."
E ele falou:
Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis dar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na direção do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável."
Os vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da vida que anseia por si mesma...
Esse é o reencontro do homem com o que ele tem de melhor em si mesmo. A vida que anseia por si mesma!
E como é difícil a missão de entregar à vida aquilo que ela deseja... Qual é a mãe ou pai que não pensa no dia em que seus filhos deixarão seus cuidados?Preferia que pudessem viver eternamente debaixo de minhas asas, sendo muito bem cuidados. Acontece que os filhos crescem e têm sua vida própria. E minhas próprias asas, então, precisarão reaprender a voar. Criá-los para o mundo significa aceitar que um dia eles irão sair de casa pra viver em outro lugar, enfrentando os desafios que a vida nos impõe. Para isso, espero entregar filhos felizes, honestos e prontos a viver exatamanete aquilo que a vida quer... (Ops! Lembrei do post de @Samegui - Você compartilha nas redes sociais sua receita de vida?)
Assim como no mundo empreendedor, a independência acontece aos poucos. Preparamos as "flechas" e o mundo se encarrega de cuidar do alvo.
Nas atividades mais simples do dia-a-dia, eles nos mostram que cada aprendizagem os preenche de competências e capacidades para seguir adiante... A iniciativa para começar, as tentativas, a frustração frente ao erro, a perseverança para tentar de novo, saber buscar ajuda, tentar e tentar quantas vezes forem necessárias até atingir o êxito e poder curtir a vitória!
Permanecer estável, ser "arco" capaz de estimular hábitos de independência desde cedo ajuda nossas crianças a tornarem-se adolescentes mais seguros e, posteriormente adultos, mais responsáveis, bem resolvidos, organizados e empreendedores.
Acredito que é isso que a vida anseia de nós!
ALÉM DO PORTUGUÊS E DA MATEMÁTICA
A palavra empreendedorismo, apesar de tão em voga, ainda é um ponto de interrogação para muitos. Tem gente que não sabe o que significa, tão pouco como usar ou desenvolver. É por isso que o conceito, que conseguiu, com o passar dos anos, ultrapassar as fronteiras do mundo corporativo, ganhou outros e novos espaços, inclusive, as salas de aula.
Analistas no assunto entendem que todos nós temos um “que” empreendedor; basta reconhecê-lo, lapidá-lo e colocá-lo em prática, da mesma maneira que é fato que há os que não são autodidatas no assunto. Aí é que entram os facilitadores e, agora, felizmente, os professores e ações específicas que permitem que, em tenra idade, o ser humano faça vale o seu lado especialmente arrojado.
Tomar decisões estratégicas, traçar planos, estabelecer e cumprir metas, organizar recursos e montar e administrar um negócio, independentemente de sua natureza, é o que se pode aprender numa aula sobre empreendedorismo – disciplinas, aliás, que farão, muito em breve, parte dos currículos de alunos, do 1º ao 5º ano, de Mogi das Cruzes, por meio do programa “Jovens Empreendedores”.
A iniciativa, que será desenvolvida pela Secretaria Municipal de Educação em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP) de São Paulo, tem tudo para ser frutífera e conquistar o sucesso alcançado pelo Colégio Magister, que fica na Zona Sul da capital. Na instituição de ensino paulistana, estudantes dos 8ºs e 9ºs anos não têm diretamente aulas sobre empreendedorismo, mas têm a possibilidade de participarem de uma ação complementar que os colocam em contato com alunos mais novos, do 1º ao 5º ano, como “ajudantes empreendedores”.
Numa espécie de trabalho voluntário, os participantes da atividade, com a devida autorização de seus pais e sob coordenação de um professor, prestam orientação às crianças. No começo, ajudam com os materiais, verificam bilhetes na agenda e até questões sobre a higiene dos mais novos. A responsabilidade aumenta ao passo em que há crescimento na ação por parte do voluntário e a sua adaptação. Logo, ele passa a auxiliar na parte pedagógica, exercitando algo que acho incrível: o aprender ao ensinar. Funciona assim: se um aluno mais novo estiver apresentando dificuldades nas aulas de Matemática, por exemplo, o estudante voluntário vai ajudá-lo, tendo em mente que não deve resolver as contas por ninguém. Deve, sim, ensinar o caminho das pedras, de maneira empreendedora e eficaz ao seu “aprendiz”.
O aluno que participa deste programa em São Paulo não deve ter problemas com notas, nem com frequência e só pode “faltar” no “trabalho” por três vezes – desde que justificáveis. Fica claro que, além de aprender noções sobre empreendedorismo, o voluntário se apropria do que significa comprometimento e como deve exercitar o respeito com o outro. Inclusive, caso precise se ausentar do programa, não pode, simplesmente, não ir no dia seguinte. As normas da atividade, como em qualquer empresa, exigem que o estudante se despeça das crianças que assiste – o que nos remete ao amadurecimento.
Não tenho dúvidas que estes jovens, tanto os do colégio de São Paulo quanto os que terão aulas de empreendedorismo em Mogi das Cruzes, terão uma visão muito mais dilatada no futuro quanto ao mercado de trabalho e se sairão melhores que outros durante a gestão de crises e na apresentação de soluções.
É importante que outras escolas sigam o exemplo e promovam esta construção de alteridade em seu processo pedagógico. Esses programas concretizam o teórico, possibilitam o desenvolvimento de uma série de competências - além das disciplinas tradicionais -, bem como habilidades imprescindíveis que farão toda a diferença no futuro – que, a cada dia, torna-se menos distante!
quinta-feira, 5 de maio de 2011
CAMINHOS PARA MELHORAR O APRENDIZADO
Estar exposto às salas de aula faz alguma diferença aos alunos nos dias de hoje?
Com essa pergunta, o Instituto Ayrton Senna em parceria com o movimento Todos pela Educação lançou no dia 28 de abril, Dia da Educação, o projeto “Caminhos para melhorar o aprendizado”.
Fiquei vidrada em cada slide que era apresentado pela Barbara Burns, do Banco Mundial e pelo pesquisador Ricardo Paes de Barros.
Sob sua coordenação, as principais conclusões de 165 estudos nacionais e internacionais com base empírica e tratamento estatístico dos impactos de políticas de Educação no aprendizado dos alunos foram disponibilizadas no site do projeto “Caminhos para melhorar o aprendizado”. O objetivo é contribuir para a implementação de políticas públicas possíveis e positivamente impactantes no aprendizado dos brasileiros.
Um pergunta que não me sai da cabeça desde que assisti o lançamento do portal: o que realmente deve mover as transformações da educação brasileira: PAIXÃO ou RAZÃO?
Durante muitos anos, apaixonados pelo processo educacional defenderam mudanças educacionais com base em suas vivências, a partir de sua vocação.
Ótimo. Serviram para semear o terreno.
Hoje é preciso tratar o tema com insumos estatísticos e estudos que sirvam como amostra comparativa. É preciso trazer RAZÃO para a discussão dos processos educacionais com PAIXÃO, como disse Ricardo Paes de Barros.
Não adianta um forte investimento na educação nacional se não pudermos transformar gastos em resultados. Ter materiais e recursos dentro das escolas não é suficiente para produzir aprendizagem. Precisamos ir além da estrutura. Vários estudos do Banco Mundial, mostram que as práticas básicas brasileiras ainda estão longe dos padrões de excelência mundiais. Nossos professores ainda perdem muito em processos burocráticos dentro da sala em troca de oferecer espaço de aprendizagem as crianças e adolescentes. Dessa forma, entregaremos burocratas ao futuro!
As escolas precisam de professores que dediquem seu tempo aos processos de aprendizagem e não as chamadas para presença ou as cópias da lousa. Precisamos mudar!
A melhoria da qualidade do ensino no Brasil depende de um compromisso ético da sociedade, de muita vontade política e de maior competência técnica do professor.
É verdade que somos um dos países que mais tem crescido em alguns critérios de avaliação educacional. Entretanto, ainda estamos muito mal. Por mais gols que o time da educação nacional venha fazendo, nossa base de comparação é muito inferior. Crescemos, mas crescemos pouco! Precisamos sair da terceira para a segunda divisão mundial. Nosso atraso é de 28 anos com relação ao Chile, por exemplo. E o Chile não é a Finlândia, certo?
No século passado, o Brasil conseguiu colocar mais de 90% das crianças e adolescentes em idade escolar na escola, mas a qualidade de ensino se deteriorou bastante. O binômio qualidade-quantidade nos conduz, então, a uma importante reflexão. Não basta uma grande expansão quantitativa do acesso, é preciso também direcionar esforços para cinco outras variáveis que o estudo apresenta:
1) recursos da escola;
2) plano e práticas pedagógicas;
3) gestão da escola;
4) gestão da rede de ensino; e
5) condições das famílias.
Não adianta pensarmos em fatores associados, mas em fatores determinantes quando o assunto é educação. Os caminhos para melhorar o aprendizado são longos e complexos. Para usar uma linguagem esportiva, mais uma vez (Ayrton Senna sempre nos inspira a isso): a melhoria da educação não é uma corrida de 100 metros rasos é uma maratona! Longa, exaustiva, mas cuja sensação de conquista é insuperável.
Educação não é apenas uma política social, mas sim uma política estratégica para o desenvolvimento econômico e político de uma nação. Por isso, requer mudanças profundas na relação educador/ educando, na formação do professor, na revisão de conteúdo, método e de gestão do sistema de ensino. É uma grande tarefa que o Brasil tem para as próximas décadas. E ninguém pode ficar de fora.
É preciso repensar, reinventar a relação escola, família e comunidade.
Nenhuma pesquisa, sozinha, será capaz de desenhar um plano pedagógico que construa a escola perfeita, mas pode contribuir positivamente na ampliação da vontade política para deliberação de políticas públicas mais impactantes no setor.
Alguns caminhos apresentados pela pesquisa e divulgados pelo movimento Todos Pela Educação/Instituto Ayrton Senna falam sobre:
1 - Qualidade do professor
Segundo Paes de Barros, os estudos realizados na última década deixam claro que a qualidade do professor tem grande impacto sobre o desempenho educacional dos alunos. Um aluno que tem um bom professor (um docente entre os 20% melhores da rede) pode aprender durante um ano letivo 68% a mais do que se tivesse um professor ruim (entre os 20% piores da rede).
2 - Tamanho da turma
As evidências apontam que uma redução média de 30% no tamanho da turma leva a um aumento de 44% no que tipicamente um aluno aprende ao longo de um ano. O impacto da redução da quantidade de alunos por turma depende do tamanho original do grupo. Reduzir uma turma grande gera mais impacto sobre o aprendizado do que fazer o mesmo em uma turma que já é pequena.
Além disso, os efeitos variam de acordo com o ano escolar. Estudos apontam que para o 6º ano do Ensino Fundamental, por exemplo, os resultados são significativos em classes que tenham mais de 30 alunos. Para o Ensino Infantil, por exemplo, os efeitos dessa redução já começam a aparecer a partir de 20 alunos.
3- Composição das turmas
Se as escolas devem agrupar os alunos em turmas homogêneas ou heterogêneas é um tema controverso, sobretudo porque cada tipo de composição de turmas tem suas vantagens e desvantagens.
A escola tem como objetivos desenvolver habilidades principalmente em duas dimensões: cognitiva (que chamamos aqui de aprendizado) e social e de cidadania. Como o recorte desse projeto é o de estudar o impacto no aprendizado, os estudos indicam que, mantendo-se constante a qualidade do professor e do material didático, o fato de estar em uma turma homogênea aumenta o aprendizado, tanto no Ensino Fundamental como no Médio. O ganho no desempenho médio equivale a 35% do que um aluno aprende tipicamente em um ano.
4 - Calendário escolar
Há evidência científica de que não cumprir os dias letivos previstos pode aumentar a taxa de repetência, especialmente dos alunos de pior desempenho. Uma das explicações para esse resultado é que, para cumprir o currículo estipulado em um ano letivo mais curto, o professor aumenta o ritmo das aulas, passando maior volume de conteúdo em menos tempo, o que prejudica o aprendizado, principalmente, o dos alunos que apresentam maior dificuldade. Outra explicação é que o currículo é apenas parcialmente cumprido.
Os estudos – a literatura disponível concentra-se nos primeiros anos do Ensino Fundamental – apontam que, levando-se em conta um absenteísmo médio de 5% em relação ao calendário anual, um dia que o professor deixa de faltar aumenta a proficiência do aluno o equivalente a 4% do aprendizado médio anual. Em ambientes onde a taxa de absenteísmo é mais alta, o impacto na proficiência de um dia a mais de aula pode ser ainda maior.
Quer saber mais? Acesse o site do projeto “Caminhos para melhorar o aprendizado”.
Tenho certeza que um país mais empreendedor depende de uma educação mais integrada e eficiente. Não adianta ambiente e recursos. As escolas precisam desenvolver competências e uma cultura mais empreendedora para podermos acelerar na corrida da educação mundial.
Afinal, de que adianta ter vontade se você não acreditar que pode?
Afinal, de que adianta ter vontade se você não acreditar que pode?
“Todo mundo conhece a parábola do besouro, que é absolutamente verdadeira: é um inseto que, pelas leis da aerodinâmica não conseguiria voar, mas como não tem a menor idéia disso, ele voa (...)”
Foi com essa frase que Viviane Senna terminou o encontro no dia 28. Eu tenho certeza que podemos!
segunda-feira, 25 de abril de 2011
FELIZ AQUELE QUE TRANSFERE O QUE SABE E APRENDE O QUE ENSINA
“Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar. Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”
(Cora Coralina)
![]() |
Fotos: Fabiane Mello - Colégio Brasilis |
Na última semana, fui surpreendida com um convite do Colégio Brasilis para ser jurada da VII Noite Poética com os alunos do Ensino Fundamental II e Médio. A iniciativa foi idealizada há oito anos e é realizada pelos professores do colégio junto aos seus alunos contextualizando conceitos e prática literária.
Em 2011, os alunos pesquisaram sobre a vida e a obra de Cora Coralina e criaram suas poesias tendo como tema a humildade, a vida, o amor e a maternidade. Na noite poética, os pré-selecionados apresentam suas poesias para uma comissão de jurados e também para seus pais, colegas e convidados.
Sem dúvida, um raro momento entre as prioridades de jovens e adolescentes do século XXI. Entre Tablets, Celulares, Nintendos DS ou PlayStations, lá estavam eles versando e recitando palavras de amor, homenagens à vida e a sorte.
“O amor existe desde o nascer. É algo bom de viver! Com ele, aprendemos a crescer.” (Maitê Piccolomini Bertaiolli – 5ª série)
“Vou falar de mulher humilde, com dificuldades, mas feliz. Usarei a arte de cozinhar para somente poder alegrar.” (Vinicius Zagne Dal Col - – 5ª série)
“Algumas pessoas esquecem que têm uma vida. Não aproveitam, não se cuidam e destróem a vida dos outros” (Karen Emi Nakiri Nicoliche – 5ª série)
“Mãe é uma antiga amiga, dá carinho, atenção e amor. Você nunca estará sozinho ao sentir o seu calor” (Bruna Nakamura Yamanaka – 6ª série)
“Amor... Algo que ninguém imagina, escolhe, sente ou prevê. Sensação que todo mundo já teve, tem ou vai ter” (Giovanna Maria de Melo Modesto – 6ª série)
“A vida é muito boa como o amor de uma família. A vida é um tesouro, um vasto mar de maravilha” (Guilherme Augusto Ferraz do Amaral – 6ª série)
Um dia antes da noite poética, recebi em casa uma delicada e bem cuidada apostila com as 14 poesias classificadas e passei boa parte da noite buscando classificá-las em critérios como criatividade, coerência, vocabulário, fluência/unidade rítmica e mensagem do texto. Ah! Que dificuldade... Confesso que deixei para dar as notas pessoalmente. E não me arrependo.
Uns após os outros, poetas e intérpretes subiam ao palco do Theatro Vasques, o teatro municipal de Mogi das Cruzes, e transformavam as doces palavras escritas no papel em um momento mágico. Alguns gaguejavam, outros esqueciam os versos ou faziam novas poesias na simplicidade de suas rimas, e os mais ousados... Ah, os mais ousados pareciam recitar em grande sarau.
A escola preparou a decoração e o ambiente para a noite com muito cuidado: uma linda lua emoldurava o palco, danças e músicas distraíam o público enquanto nós, jurados, resolvíamos as dúvidas sobre os critérios e as categorias da VIII Noite Poética do Colégio Brasilis.
Quisera ter premiado a todos e justamente por não poder fazê-lo, faço questão de trazer ao Lounge Empreendedor trechos pequenos de todos concorrentes. A vida é mesmo assim quando se resolve competir. Uma hora a gente ganha e em outras, apenas faz parte. Uma linda parte...
Uns após os outros, poetas e intérpretes subiam ao palco do Theatro Vasques, o teatro municipal de Mogi das Cruzes, e transformavam as doces palavras escritas no papel em um momento mágico. Alguns gaguejavam, outros esqueciam os versos ou faziam novas poesias na simplicidade de suas rimas, e os mais ousados... Ah, os mais ousados pareciam recitar em grande sarau.
“Aquele dia chegou... O dia de encarar meus medos e planejar o futuro. O dia de parar de sonhar e começar a realizar. O dia para sentir falta da velha vida que se encerra aqui. Adeus infância!” (Luiza de Oliveira Passos Jesus – 7ª série)
“Há pessoas que reclamam não sei exatamente do que. Há pessoas que aclamam que seja boa enquanto durar. Te apresento, esta é a vida.” (Ligia Mota Santos – 7ª série)
“Enquanto tiver forças mostrarei o meu valor e com minha humildade encontrarei o meu amor” (Marcos Vinicius Neri Jacoski – 7ª série)
“Seu rumo, sua decisão... Quer fazer história ou calar-se na solidão?” (Guilherme Pinheiro dos Santos – 8ª série)
“A amizade é um tipo de amor. Um amor mais doce e um mais salgado. Com você perto de mim vira um amor colorido e engraçado” (Vitória Carlos Piassa – 8ª série)
“Durante a vida fiz várias escolhas, tanto boas quanto ruins; mas de nenhuma me arrependo, foram as escolhas que fiz” (Júnia Prado Mangini – 8ª série)
A escola preparou a decoração e o ambiente para a noite com muito cuidado: uma linda lua emoldurava o palco, danças e músicas distraíam o público enquanto nós, jurados, resolvíamos as dúvidas sobre os critérios e as categorias da VIII Noite Poética do Colégio Brasilis.
Quisera ter premiado a todos e justamente por não poder fazê-lo, faço questão de trazer ao Lounge Empreendedor trechos pequenos de todos concorrentes. A vida é mesmo assim quando se resolve competir. Uma hora a gente ganha e em outras, apenas faz parte. Uma linda parte...
“Há um lugar aonde vou quando estou triste. É um lugar dentro de mim que nunca viste e que inventei para guardar o que sentisse” (Fernanda Figueira Tavares – 1º ano EM)
“Tempo, ah o tempo! Dá o chão, dá as asas... Prende, liberta... Faz rir, faz chorar. Tempo, ah o tempo! Esse sim é paradoxo!” (Natália Lemes Ribeiro dos Santos – 2º ano EM)
“Perdida no mundo, um coração sozinho. Vida liberta, vida sem colo, sem carinho. Estrela cadente: uma oração. Apareceu um mocinho. Roubou meu coração e entreguei minha vida em suas mãos” (Pamela Kaori Kabaya – 3º ano EM)
Um dos detalhes mais bem cuidados da noite foi a presença da única filha de Cora ainda viva e autora da biografia romanceada "Cora Coragem Cora Poesia”, Vicência Bretas Tahan.
Tive a grata satisfação de sentar praticamente ao seu lado durante toda a noite e de vê-la se preocupar os critérios do julgamento das poesias ou com a premiação de todos os ganhadores com livros sobre a obra de sua mãe.
Entretanto, a maior emoção estava por vir...
Aquela aparentemente frágil senhora recitou sem microfone e com muita emoção, “ESTAS MÃOS” de Cora Coralina encerrando a noite poética em 2011:
Tive a grata satisfação de sentar praticamente ao seu lado durante toda a noite e de vê-la se preocupar os critérios do julgamento das poesias ou com a premiação de todos os ganhadores com livros sobre a obra de sua mãe.
Entretanto, a maior emoção estava por vir...
Aquela aparentemente frágil senhora recitou sem microfone e com muita emoção, “ESTAS MÃOS” de Cora Coralina encerrando a noite poética em 2011:
“Olhe para estas mãos
de mulher roceira,
esforçadas mãos cavouqueiras.
Pesadas, de falanges curtas,
sem trato e sem carinho.
Ousadas e grosseiras.
Mãos que varreram e cozinharam
Lavaram e estenderam
roupas nos varais.
Pouparam e remendaram.
Mãos domésticas e remendonas.
Íntimas da economia,
do arroz e do feijão
da sua casa.
Do tacho de cobre.
Da panela de barro.
Da acha de lenha.
Da cinza da fornalha.
Que encestavam o velho barreleiro
e faziam sabão.
Minhas mãos doceiras…
Jamais ociosas.
Fecundas, Imensas e ocupadas,
Mãos laboriosas.
Abertas sempre para dar,
ajudar, unir e abençoar.
Mãos de semeador…
Afeitas à sementeira do trabalho.
Semeando sempre.
Jamais para elas
os júbilos da colheita.
Mãos tenazes e obtusas,
feridas na remoção de pedras e tropeços,
quebrando as arestas da vida.
Mãos alavancas
na escava de construções inconclusas.
Mãos pequenas e curtas de mulher
Que nunca encontrou nada na vida.
Caminheira de uma longa estrada.
Sempre a caminhar.
Sozinha a procurar, o ângulo prometido,
a pedra rejeitada.”
E assim eu também finalizo esse longo, mas adorável post no Lounge Empreendedor. Poesia traz felicidade!
Fica a lição do Colégio Brasilis: estimular a cultura e a poesia é um caminho para formação de jovens diferenciados. Crer na possibilidade de retomar valores de tempos antigos também é inovar nas propostas pedagógicas e oferecer um caminho sólido na formação de cidadãos.
Parabéns a todos os envolvidos: alunos, professores, coordenadores e mantenedores. Tenho orgulho em ser um pouco “Brasilis” também.
Fica a lição do Colégio Brasilis: estimular a cultura e a poesia é um caminho para formação de jovens diferenciados. Crer na possibilidade de retomar valores de tempos antigos também é inovar nas propostas pedagógicas e oferecer um caminho sólido na formação de cidadãos.
Parabéns a todos os envolvidos: alunos, professores, coordenadores e mantenedores. Tenho orgulho em ser um pouco “Brasilis” também.
Postado por
Ana Maria Coelho
às
02:18
2 comentários:
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domingo, 17 de abril de 2011
UM BOM PROFESSOR, UM BOM COMEÇO
Todos sabem que a educação é a base de tudo: é a base para um país melhor, mais justo, mais ético e com pessoas cientes dos seus direitos e deveres. O alicerce do desenvolvimento de uma sociedade é uma educação de qualidade e universalizada. Parece papo de pedagoga, eu sei... Mas você tem que concordar que miséria, violência e desigualdades sociais são filhas da falta de educação de um país.
Sou filha de professora, diretora de escola e supervisora de ensino e justamente por isso, reconheço todos os avanços da educação nos últimos anos. Entretanto, mesmo com todas as conquistas, o Brasil ainda vive uma realidade triste nesse setor. Escolas desestruturadas, falta de acesso para todas as crianças e professores ganhando salários aviltantes e sendo humilhados por adolescentes cujos pais terceirizam a atividade de educar as escolas.
É triste pensar que apenas 5% dos melhores alunos que se formam no ensino médio desejam trabalhar como professores da educação básica, principalmente se considerarmos a importância que um bom professor exerce em nossas vidas. Um professor que ajude, de fato, no aprendizado, que abra possibilidades e auxilie na escolha entre esta ou aquela profissão contribuindo para a formação do caráter e valores dos jovens e crianças.
É impossível querer erradicar a pobreza, acabar com a violência e com as desigualdades sociais usando qualquer caminho que não seja a educação. A vida traz de volta aquilo que a gente oferece a ela. É a lei da ação e reação, “gentileza gerando gentileza”.
Enquanto não houver uma política séria que valorize os professores e ofereça uma educação básica de qualidade, continuaremos a viver em um país cheio de contrastes onde a violência cresce a passos largos e invade justamente o muro das escolas.
Sob a afirmação de que “a base de toda conquista é o professor”, na última terça (12 de abril) aceitei o convite de Samantha Shiraishi e acompanhei o lançamento da nova campanha de mobilização do movimento Todos pela Educação sob o slogan "Um bom professor, um bom começo". Durante um café da manhã com @samegui, @gnsbrasil, @andersoncosta e a querida amiga @AnaAragao diretamente de Recife, me apaixonei pela campanha.
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| Eu, @samegui, @AnaAragao, @gnsbrasil e @andersoncosta |
As peças são muito envolventes e fazem com que pensemos em quais foram aqueles professores que marcaram nossa educação e nossas escolhas. Lembrei-me da Vera Lúcia (professora na 3ª série e professora de português alguns anos depois), do Gilmar (professor de Matemática no Ensino Médico), da Carmem Lúcia (de História e Educação Moral e Cívica) e claro, da tia Leda que foi a responsável por me auxiliar no processo de alfabetização no Colégio Imperatriz Leopoldina.
Ah!!! Quantas boas lembranças passam por recordações de bons professores... Isso sem contar aqueles que viraram amigos na faculdade, conselheiros e orientadores além dos nossos TCC.
Ah!!! Quantas boas lembranças passam por recordações de bons professores... Isso sem contar aqueles que viraram amigos na faculdade, conselheiros e orientadores além dos nossos TCC.
Tenho muita satisfação em oferecer espaço no Lounge Empreendedor para mais essa causa da qual me orgulho em fazer parte!
Como escreveu Samantha Shiraishi no A Vida Como a Vida Quer, eu me senti parte dessa turma.
"Esta sensação de pertencimento é um direito que todos temos. Mas para pertencer, é preciso primeiro saber ser – descobrir em nós o potencial para sermos quem podemos ser. Isso quem nos dá, depois dos nossos pais e ancestrais nos darem vida, é um bom professor" - Lindo, Sam!
O Todos pela Educação é um movimento apartidário que congrega sociedade civil, gestores públicos de Educação, iniciativa privada e especialistas com a missão de contribuir para a garantia do direito de todas as crianças e jovens a uma Educação de qualidade até 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil. Afinal, não dá para pensar em independência sem pensar em educação!
Ou tomamos uma decisão firme para concretização do direito de aprender de todos os jovens e crianças, ou então continuaremos incentivando projetos paliativos e avaliações infundadas que apenas empurram o problema da falta de valorização dos bons profissionais do magistério para a frente.
"Educadores, onde estarão? Em que covas terão se escondido? Professores, há aos milhares. Mas professor é profissão, não é algo que se define por dentro, por amor. Educador, ao contrário, não é profissão; é vocação. E toda vocação nasce de um grande amor, de uma grande esperança.” (Rubem Alves).
Eu tenho esperança! E você?
Leve adiante essa idéia e conte aquilo que #1BomProfessorMeEnsinou.

Ana Maria Magni Coelho
Publicado em 16 de abril de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
TODOS PELA EDUCAÇÃO
“Educar é uma arte. Mas também é um trabalho de grande impacto social, com repercussão direta no desenvolvimento do País, pois seria impensável uma nação sem escolas, sem estudo e sem professores.”
(Célio Muller na revista PROFISSÃO MESTRE de Outubro /2006)
Nessa manhã, participarei junto a outros blogueiros de um café da manhã para o lançamento da nova campanha do movimento Todos Pela Educação: “Um bom professor, um bom começo”.
O Todos Pela Educação é um movimento da sociedade civil, apartidário, que reúne lideranças sociais, educadores, gestores públicos e representantes da iniciativa privada, com o objetivo de ajudar o Brasil a garantir educação pública de qualidade para todas as crianças e jovens.
Não há dúvida de que a educação brasileira necessita de transformações e de políticas públicas que atendam as necessidades de toda a população de forma verdadeira. Contextualização de conteúdos, temas transversais e abandono definitivo do antigo diário de classe... Isso sem contar a universalização do acesso mantendo toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola.
Aliás, você conhece as 5 Metas do Todos Pela Educação?
É muito comum ouvirmos falar que o Ensino Fundamental está universalizado. Entretanto, trata-se de uma falácia.
Nem mesmo nas cidades mais desenvolvidas, conseguimos atingir 100% das crianças e jovens nas escolas. O que dizer, então, nas cidades do interior do país, dos sertões e periferias?
E mais: matricular uma alta quantidade alunos não basta para garantir a universalização do ensino. É preciso auxiliá-los à conclusão de seus estudos para que possam assim desenvolver competências que os preparem ao mercado de trabalho, seja como empregados ou empreadores.
Meu sonho por formação é contribuir para esse novo mundo da educação no nosso país. Costumo dizer que sou pedagoga por formação e educadora por opção e por isso, tenho o meu coração cheio de esperanças e fé em compromissos como o Todos pela Educação.
Se desejamos um país diferente, menos corrupto, mais inovador, ético e desenvolvido, precisaremos de adultos com novos comportamentos, mais empreendedores e seguros. Melhorar a qualidade da educação básica é apenas o primeiro passo.
Para isso, valorizar o bom profissional da educação é fundamental. É preciso conhecer suas limitações e potencialidades a fundo, saber como usá-las, quando e de que forma.
Uma reportagem, de Fábio Takahashi (Folha- 09/06/2008) destaca uma importante limitação na busca pela valorização do professor brasileiro: “O Brasil atrai para o magistério os profissionais que possuem mais dificuldades acadêmicas e sociais. Apenas 5% dos melhores alunos que se formam no ensino médio desejam trabalhar como professores da educação básica”
Uau! Um dado que precisa ser repensado por todos nós!
Precisamos recuperar a dignidade e o orgulho daqueles que têm a responsabilidade de formar o futuro do nosso país (sem a menor conotação piegas na afirmação).
Dinheiro, sem dúvida, é fundamental. Mas não trata-se apenas de aumentar salário ou de oferecer um bom plano de carreira. É preciso prover o profissional de educação com estrutura física, tecnológica e intelectual para um melhor desempenho em sala de aula. Inclusão digital, vida cultural, troca de informação entre docentes de várias instituições e regiões do país, capacitação constante, livros e periódicos de qualidade... Há um cardápio à disposição do Poder Público em suas diversas esferas.
O Brasil precisa valorizar o bom professor!
“Um bom professor é um bom profissional. Educação não é (nem pode ser!) diferente de qualquer outra área. Um bom profissional precisa ser dedicado, deve se fazer presente, tem que ser compromissado, tem que ter interesse contínuo por aprimoramento e deve demonstrar força de vontade, interesse e iniciativa em buscar soluções aos problemas que surgem no seu cotidiano de trabalho."
(Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação)
segunda-feira, 4 de abril de 2011
PROFESSORES EMPREENDEDORES
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Nelson Almeida - Agência Luz |
Se você acompanha o Lounge Empreendedor, sabe da minha paixão pela mistura Empreendedorismo + Educação.
Já publiquei vários textos sobre o assunto e tenho absoluta certeza que esse é o caminho mais certeiro para uma transformação real na cultura do emprego no Brasil.
Pensando nisso, há 2 anos eu esperava viver as emoções e conquistas que o programa de Educação Empreendedora vem me trazendo em Mogi das Cruzes.
Estamos no meio de uma iniciativa pioneira ao capacitar, em um curto período e de forma simultânea, todos os professores da rede municipal de ensino.
Creio que trabalhar o ensino do empreendedorismo de forma transversal, levando aos alunos não apenas teoria, mas também a contextualização com a sua realidade é a possibilidade para gerar mudanças efetivas em seu comportamento no futuro e de causar influência direta em suas próprias famílias no presente. Quem nunca ouviu falar em crianças influenciando diretamente seus pais, avós, padrinhos ou vizinhos?
Com o programa Jovens Empreendedores Primeiro Passos, espero vê-las desenvolvendo seus sonhos e metas para que possam conquistar novo espaços no cenário nacional. E espero também que os professores tenham a oportunidade de desenvolver novas competências, não apenas enquanto durar a capacitação, mas em suas próprias vidas.
Esmeralda Rodrigues, 45 anos, é professora há mais de 20 e atualmente leciona em uma escola municipal do bairro Novo Horizonte, em Mogi das Cruzes.
Ela começa a se preparar para um novo desafio profissional quando a partir do segundo semestre de 2011, levará a seus alunos, além do conteúdo tradicional, noções de comportamento e cultura empreendedora. Na visão da professora Esmeralda, que gostou do primeiro dia de curso, não se trata de ensinar à garotada como abrir um negócio altamente lucrativo ou a ganhar mais dinheiro do que trabalhando como empregado no setor público ou privado. “Pelo que percebi, o conteúdo que vamos trabalhar tem mais a ver com uma mudança de comportamento. O aluno não só aprenderia, desde cedo, que é possível planejar e desenvolver um empreendimento próprio, mas também a ganhar maior autonomia e controle sobre a própria vida. Um exemplo seria estimular o cultivo de verduras no quintal de casa, para consumo da família, utilizando tempo e espaço que provavelmente estavam ociosos”, afirma.
| Esmeralda Rodrigues Foto: Nelson Almeira / Luz |
É isso mesmo, Esmeralda!!! Cidadãos mais autônomos no futuro!
| Maria Vitória Lopes Foto: Nelson Ameida / Luz |
Maria Vitória Lopes, 46 anos, professora nos bairros de Varinhas e Jardim Santos Dumont, vai mais adiante: “acho que poderemos levar às crianças uma orientação positiva, que, na contramão do consumismo desenfreado de hoje, mostre que é importante saber fazer reservas e gerenciar recursos. Penso que isso tem a ver com empreender de forma consciente, consumir de forma consciente e pensar em negócios que não sejam apenas lucrativos, mas sustentáveis”.
Uau, Vitória! Será lindo perceber nas crianças mogianas tamanha transformação.
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| Maria Geny Foto: Nelson Almeida / Luz |
Para a secretária de Educação de Mogi das Cruzes, profª Maria Geny Borges Ávila Horle, a iniciativa vai além de uma iniciativa pontual, por isso vinha sendo discutida desde 2009 para que fosse implantada com responsabilidade. A cidade já tem, inclusive, um decreto municipal que prevê a aplicação do empreendedorismo em toda a rede de ensino fundamental municipalizada, o que abrange 77 escolas, 486 profissionais e um universo de 16,7 mil alunos do primeiro ao quinto ano e a mais 460 estudantes da EJA (Educação de Jovens e Adultos).
Tem como não dedicar o coração a uma causa como essa?
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