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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

NÃO É O DINHEIRO, ESTÚPIDO


Extrai esse texto de Nizan Guanaes da coluna econômica do Jornal do Comércio do Rio Grande do Sul. Nizan Guanaes é publicitário e presidente do Grupo ABC.

"Sou, com frequência, chamado a fazer palestras para turmas de formandos. Orgulha-me poder orientar jovens em seus primeiros passos profissionais. Há uma palestra que alguns podem conhecer já pela web, mas queria compartilhar seus fundamentos com os leitores da coluna.
Sempre digo que a atitude quente é muito mais importante do que o conhecimento frio. Acumular conhecimento é nobre e necessário, mas sem atitude, sem personalidade, você, no fundo, não será muito diferente daquele personagem de Charles Chaplin apertando parafusos numa planta industrial do século passado.
É preciso, antes de tudo, se envolver com o trabalho, amar o seu ofício com todo o coração.
Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência.
Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido ou um grande canalha. Napoleão não conquistou a Europa por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.
E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. Tudo o que fica pronto na vida foi antes construído na alma.
A propósito, lembro-me de um diálogo extraordinário entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar dos leprosos, diz: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo". E ela responde: ‘Eu também não, meu filho'.
Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar têm trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.
Meu segundo conselho: pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si. Era muito difícil viver numa nação onde a maioria morria de fome e a minoria morria de medo. Hoje o país oferece oportunidades a todos.
A estabilidade econômica e a democracia mostraram o óbvio: que ricos e pobres vão enriquecer juntos no Brasil. A inclusão é nosso único caminho.
Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: Seja quente ou seja frio, não seja morno que eu vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laodiceia. É preferível o erro à omissão; o fracasso ao tédio; o escândalo ao vazio. Porque já li livros e vi filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso (ou narra e fica muito chato!).
Colabore com seu biógrafo: faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido. Tenho consciência de que cada homem foi feito para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro.
Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, caminhando sempre com um saco de interrogações numa mão e uma caixa de possibilidades na outra.
Não dê férias para os seus pés. Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: ‘Eu não disse? Eu sabia!'.
Toda família tem um tio batalhador e bem de vida que, durante o almoço de domingo, tem de aguentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo o que faria, apenas se fizesse alguma coisa.
Chega dos poetas não publicados, de empresários de mesa de bar, de pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta à noite, todo sábado e todo domingo, mas que na segunda-feira não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.
Só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama ‘sucesso'. Seja sempre você mesmo, mas não seja sempre o mesmo.
Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se. Eu era gordo, fiquei magro. Era criativo, virei empreendedor. Era baiano, virei também carioca, paulista, nova-iorquino, global. Mas o mundo só vai querer ouvir você se você falar alguma coisa para ele. O que você tem a dizer para o mundo?"

sábado, 4 de setembro de 2010

SOBRENOME


Nome, Sobrenome. É assim que qualquer pessoa pode ser identificada em suas comunidades e territórios, sejam países, cidades, clubes ou qualquer outro de sua preferência.
Empresas são também “territórios” sociais. Espaços que passam a oferecer aos seus colaboradores um sobrenome tal qual a primeira comunidade em que o ser humano se insere: a família.
Na medida em que o tempo passa, você deixa de ser apenas você para assumir cada vez mais o sobrenome da sua empresa. “Oi, aqui é a Maria, da empresa ABC”.
O novo sobrenome passa a transcender a questão do emprego e o trabalho assume um significado existencial. Significa integrar-se numa outra família, ter irmãos, sentir orgulho das conquistas comuns e defender essa comunidade.
É como se a perda do sobrenome deixasse o indivíduo a mercê de ser quem efetivamente é.
As escolhas corporativas passam a ser expressões de sua própria personalidade, quando na verdade não passam de armadilhas do papel que você representa. O crescimento profissional, a boa situação financeira e os compromissos sociais aos poucos ocupam o espaço de uma vida pessoal e espiritual equilibrada.
Acreditar apenas em um papel, qualquer que seja, significa mentir a si mesmo. As responsabilidades, sofrimentos e conquistas ligadas a ele são apenas ilusórios.
Responda com sinceridade: você é sua empresa ou sua essência?
Não há problema algum em aceitar o sobrenome de uma empresa que você respeita e admira, mas é importante encontrar o equilíbrio entre ter sucesso e realizar-se pessoalmente. Do contrário, você pode se tornar um executivo subalterno de seu próprio sobrenome.
Busque pontos de convergência entre a necessidade da sua empresa (sucesso profissional) e a sua própria necessidade pessoal (realização). Equilibre as demandas de curto prazo e os objetivos de longo prazo. Estabeleça um balanceamento eficaz entre seus sonhos e suas conquistas.
É preciso abrir mão de pensamentos, emoções e convicções antigas e dar espaço a novas escolhas. A ilusão de uma vida apenas de papéis pode levar a estagnação da alma.
Liberdade significa interpretar intencionalmente qualquer papel sem ser prisioneiro dele. Não significa mentir, mas sim entender que essa é uma opção estratégica. Uma tarefa que não pode ser conduzida sem uma cooperação total e despojada entre profissionais e empresas.
Para as empresas, ter um time qualificado e motivado carregando sua marca com orgulho em seu sobrenome é uma de suas maiores vantagens competitivas.
Para os profissionais, saber quais são as conquistas que efetivamente importam em sua vida é uma forma de entender a força de um sobrenome, mas principalmente a importância da liberdade.
O doce da vida não é apenas viver, mas ousar ser aquilo que você é por dentro.

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no Caderno Opinião - MogiNews
04 de setembro de 2010
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