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sábado, 9 de fevereiro de 2013

NÃO ME LEVE A MAL


Sei que hoje é Carnaval e que essa é uma das maiores festas populares brasileiras, mas não pretendo falar sobre as comemorações, sobre os negócios que os empreendedores podem aproveitar durante os quatro dias ou sobre a prevenção que todos devemos tomar para aproveitar a festa sem prejudicar a saúde.
Quero falar da força que o brasileiro tem para a mobilização por festas populares e da fraqueza que tem de lutar por causas sociais. A internet durante toda essa semana tentou se mobilizar para 1.360.000 assinaturas (1% do eleitorado nacional), levar uma petição a ser encaminhada ao Congresso e exigir que os Senadores escutem a voz do povo que os elegeu, exigindo o impeachment do Presidente do Senado, Renan Calheiros. Ele acaba de ser eleito presidente com 56 votos secretos. Uma tremenda vergonha, pois não podemos saber nem ao menos qual é a opinião do representante do nosso Estado.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O PAÍS DA CLASSE MÉDIA

"Só um economista imagina que um problema de economia é estritamente econômico."
-- Celso Furtado --


Nas últimas semanas me atrevi a revisar algumas obras de Celso Furtado. Talvez por minha paixão pela Economia Criativa, talvez pela necessidade de manter a mente ativa ou então, simplesmente saudade de boas obras intelectuais. O mais interessante é perceber o quanto tudo parece tão atual. Enquanto falamos na superação do subdesenvolvimento e na construção de um país de classe média, Celso Furtado rejeita a visão que sempre imperou em relação as teorias do desenvolvimento de que a força expansiva do desenvolvimento é dada pela canalização da capacidade da criação tecnológica como caminho para o processo de acumulação. Uau! Isso tudo em semana de Campus Party Brasil. Quando um bando de nerds se une e acredita que juntos poderão salvar o país de todas as suas misérias.

sábado, 19 de maio de 2012

ACESSO A INFORMAÇÃO

“Não há nada de errado com aqueles que não gostam
 de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam.”
-- Platão --


O gosto pela política não é sinônimo de desejo por poder, mas sim de participação na tomada das decisões que influenciam diretamente nossas vidas. Gostar de política é atuar e aproveitar a possibilidade de transformar positivamente - e de maneira correta-, a realidade. De que adianta reclamar, se cada um de nós não se apropria dos espaços sociais que nos são garantidos pela própria constituição?
Na última semana, entrou em vigor a Lei de Acesso à Informação (12.527), sancionada em novembro do ano passado, mas que ainda enfrentava uma boa resistência. Ela obriga o poder público em todas suas esferas - municipal, estadual e federal - a fornecer informações solicitadas por cidadãos, empresas e entidades da sociedade civil organizada. Não tenho dúvidas de que este é um marco da organização do Estado brasileiro e um avanço democrático, além contribuir para o controle social de governos e ajudar no planejamento e decisões sobre as oportunidades de negócios e fomento ao empreendedorismo sustentável.

sábado, 11 de dezembro de 2010

PAPELZINHO

Foto externa da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes
A eleição da mesa diretiva da Câmara de Vereadores de Mogi das Cruzes foi decidida no “papelzinho”. O empate de 8 a 8 entre os votos dos 16 representantes legislativos é um convite a reflexão sobre burocracia, liderança e gestão.
Fique claro que não pretendo discutir o resultado da eleição da Casa de Leis mogiana nem as escolhas político-partidárias de cada vereador. O foco está no processo que traz como saldo “vencedores e vencidos” e no regimento interno que leva a política legislativa pelo caminho da simplicidade e da sorte.
Uma eleição que produza vencedores e vencidos – nenhuma novidade e nem exclusividade do mundo político – resulta em idéias vitoriosas ou idéias moribundas. Aos primeiros, fica o sentimento de triunfo e alívio. Aos segundos, a decepção. E, aos demais, a ansiedade pelos dias que virão. Afinal, quais serão os novos objetivos e estratégias?
A nova governança chega repleta de vontade num imenso reservatório de idéias, algumas pouco práticas, outras repletas de nobres propósitos, mas todas invariavelmente custosas de serem implementadas em função do sentimento de derrota dos vencidos.
A democracia por meio do voto obrigatório pode até funcionar quando falamos em grandes amostras. Contudo, para uma gestão eficiente de pequenos grupos, a melhor alternativa é a busca pelo consenso. Não significa buscar unanimidade, mas sim dar a todos a responsabilidade pelo êxito do grupo e pela busca conjunta de soluções de forma aberta e transparente.
Consenso é um duro aprendizado de respeito não apenas à hierarquia e às normas, mas principalmente à opinião do outro. Quando as pessoas se sentem ouvidas e respeitadas, elas se integram e se comprometem com os resultados do grupo. Ao líder caberá foco e gestão para monitoramento das propostas e dos resultados.
Conduzir grupos em que o princípio do consenso não funcione significa produzir idéias fracas e interesses unicamente pessoais.
Mudar não é simples, mas aquilo que parece um pouco mais complicado e trabalhoso pode trazer conseqüências muito mais apaziguadoras do que o sentimento de conquista (ou de perda) gerado por um “papelzinho”.
Tenho certeza que muitos destes pensamentos já estão integrados a prática de uma nova maioria que parece reunir condições para realizar uma administração bem sucedida.
A burocracia dos regimentos internos deve ser respeitada, mas não pode ser eternizada. Se uma norma maltrata em demasia os princípios básicos da democracia e liderança, ela precisa ser revista.
Sob uma perspectiva individual, o mundo sempre estará repleto de contradições teóricas, desajustes práticos e comportamentos irracionais. Ainda assim, é preferível buscar o consenso a conviver com a falsa segurança dos regimes fechados, fadados mais cedo ou mais tarde ao fracasso de sua gestão.

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no caderno Opinião - MogiNews
11 de dezembro de 2010 

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

ESPERA-SE EQUILÍBRIO

O entusiasmo tem um papel muito importante no mundo dos negócios, assim como acontece nos esportes, na política, em praticamente todas as atividades. Ele é a mola propulsora que leva a uma melhor canalização da energia das pessoas em prol da criatividade e do sucesso. Porém, como quase tudo na vida, tem seu lado negativo e pode ser observado na raiz de grandes fracassos.
No último domingo, vivemos um momento histórico. Independente de qualquer ideologia política trata-se da primeira vez em que uma mulher é eleita democraticamente ao cargo máximo do executivo brasileiro. Motivo legítimo para euforia, entusiasmo e comoção nacional.
Os desafios da primeira presidenta eleita no Brasil, Dilma Rousseff, vão além de dar continuidade ao projeto do governo de seu antecessor.
A discussão não é sobre como mudar o time que está ganhando, mas sim como dar sustentabilidade ao ciclo de crescimento com estabilidade, baixa inflação e criação de postos de trabalho.
Uma vez que as micro e pequenas empresas representam mais de 98% dos estabelecimentos formais e vivemos uma realidade de alta informalidade no país, o compromisso do novo governo com o fortalecimento do Micro Empreendedor Individual e com um ambiente mais competitivo às micro e pequenas empresas pode ser um importante caminho para acelerar ainda mais a economia e aumentar a competitividade brasileira. (veja os textos Formalização em Alta e Economia Subterrânea publicados aqui no Lounge)
Temos que pensar em logística, em meio ambiente, na efetivação da lei de resíduos sólidos, em segurança, em saúde e em educação. Devemos virar o holofote para questões como poupança pública, papel do Estado, qualidade da força de trabalho, financiamento dos investimentos, pesquisa e inovação.
Pela extensão da pauta, nem com todo o entusiasmo possível, o governo sozinho será capaz de executá-la. Não há capacidade financeira nem gerencial para agir com a velocidade necessária. Haverá necessidade de parcerias com a iniciativa privada e muitas oportunidades poderão surgir para empresas que estejam prontas para participar de subcontratações e licitações.
Uma forma interessante de alinhar o aumento da competitividade empresarial com o aumento da competitividade nacional. Entretanto, não dá para aumentar a competitividade de um país sem que sejam feitas as reformas políticas, tributárias e trabalhistas necessárias; acompanhadas por sérios investimentos em educação.
Afinal, são as pessoas que fazem toda a diferença. Não dá para ser competitivo sem capital humano e social.

Desenvolvimento não dá por entusiasmo ou por conseqüência da estabilidade econômica do passado. Espera-se desse novo governo o equilíbrio no sentido de melhorar a qualidade de vida das pessoas e propiciar um novo conceito de desenvolvimento que articule a dinamização do crescimento econômico com outros fatores como o capital humano, o capital social, o capital empresarial e o capital natural.
Desejo sorte! E você? O que espera do novo governo?

ANA MARIA MAGNI COELHO 
Publicado no Diário Empresarial - O Diário de Mogi 
04 de novembro 2010

sábado, 18 de setembro de 2010

PÃO E CIRCO


Entre náuseas provocadas ao assistir participantes desesperados por R$ 500 mil se alimentarem de baratas e minhocas em “Hipertensão”, novo reality show global, e náuseas provocadas pelo horário político gratuito da televisão, não posso me furtar a compartilhar a sensação que me provoca ver o desespero dos candidatos para chamar nossa atenção em busca do seu “ordenado suado” para os próximos anos.
O programa eleitoral "gratuito" custa R$ 850 milhões aos cofres do governo a fim de compensar as emissoras pela queda de arrecadação, um pouco mais do que os participantes comedores de baratas lutam para ganhar.
Lamento tanto um quanto o outro programa de televisão. Dá vontade de desistir de tudo ao ver que, decorrido meio milênio de história, o Brasil continua escravo de oportunistas prontos a levar vantagem pela humilhação de outros cidadãos.
Seria essa a tão sonhada emancipação e autonomia política exaltada em 7 de setembro de 1822?
A resposta não exige esforço e deve doer a alma de muitos daqueles que ainda sonham e lutam por este ideal.
Assistir a propaganda eleitoral me dá a sensação de que mudamos para o país das maravilhas. Imagens mostram campos cultivados. Crianças estudam em escolas repletas de computadores. Não se fala em assaltos, balas perdidas, trânsito ou impostos abusivos. Palhaços fazem suas propagandas. Bailarinas dançam no horário nobre. A impressão é que logo seremos recebidos por Alice, o Coelho Branco e o Chapeleiro Maluco e tudo isso à custa do cofre público e de nossa própria passividade.
No início era divertido, mas hoje o programa me dá náuseas. Se um candidato a qualquer cargo político já exerce cinismo antes de ser eleito, imagino o que ele seria capaz de fazer depois de eleito.
O que podemos fazer?
Um monte de coisas: evitar a conivência e a omissão, exercitar o pensamento crítico, conversar com seus filhos, fazê-los entender que essa não é a vida política que pode mudar nosso país... E votar! Não podemos apenas silenciar.
No fundo, todos nós sabemos a cartilha de cor, mas nem sempre a praticamos.
A representação democrática de um povo é o espelho de sua qualidade e inteligência. Eleger políticos mais qualificados passa pela renovação dos valores de cidadania de nossos eleitores. Por isso, é preciso levar informações esclarecedoras para aqueles cuja circunstância de vida os mantém no cabresto da ignorância e sujeitos a sucumbir aos apelos das trocas em favor de migalhas de ocasião. Política não é responsabilidade apenas daqueles que se elegem. É de cada um de nós enquanto cidadãos.
Pense na urna como seu controle remoto. Você pode escolher em qual reality show pretende viver pelos próximos quatro anos. Só não esqueça que nesse programa não há jogo de faz de conta. O melhor é escolher um bom representante para você!

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no Caderno Opinião - MogiNews
18 de setembro de 2010
Inspirado em blog da Dad no Correio Braziliense

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

VOLTA ÀS AULAS: PASSADO OU FUTURO?!?

Tema recorrente em qualquer mesa em que haja mais de uma mãe ou pai presentes, a volta às aulas é alívio e preocupação. Não apenas pelas despesas com material, uniforme ou matrícula, mas principalmente pela qualidade do ensino oferecido.
Uma pesquisa divulgada pela UNESCO derrubou um antigo mito que eu mesma sempre ouvia nas minhas aulas de Pedagogia: dois terços dos problemas de rendimento escolar são provenientes da forma de ensinar, e não das condições econômicas do país, dos problemas emocionais do estudante ou da falta de estrutura familiar, como se acreditava até então. O fato é que o mundo tem mudado em uma velocidade muito mais rápida do que as escolas.
Alunos vivem imersos em um mundo marcado pela tecnologia e pelo excesso de informação. Precisam dominar habilidades muito além dos conhecimentos tradicionais e transformar sua curiosidade em protagonismo. Mais do que decorar fatos históricos da 1ª Guerra Mundial é preciso que entendam as implicações dos fatos no mundo em que vivem, que aprendam a resolver problemas, interpretar textos e imagens.
Para isso, as escolas precisam oferecer temas transversais que formem cidadãos aptos a fazer as perguntas certas e não apenas que saibam procurar as respostas prontas que satisfaçam o professor na prova, os pais em casa ou o ENEM para passar no vestibular. Isso não tem nada a ver com Educação!
Na sociedade do conhecimento, a Internet derruba as paredes da sala de aula e permite ao aluno-protagonista contestar as informações transmitidas pelo professor, que deixa de ser o dono da verdade e passa a ter um papel de conselheiro e facilitador do processo de conhecer!
São, por isso, ainda mais importantes do que no passado, quando tinham como papel a pura e simples entrega de informação para o aluno. Para mim, professores são os arquitetos do futuro, estimulando os alunos a trabalhar sozinhos, descobrir o conhecimento e resolver problemas! Mas precisam ser capacitados para essa nova forma de educar.
É preciso, portanto, re-imaginar a educação desde o fundamental até a formação de professores buscando a excelência, a erradicação da exclusão social, a transformação das vidas e do futuro de nossas crianças. Dotar as gerações atuais e futuras com as competências necessárias para competir em um mundo mais digital e mais colaborativo é fundamental para o nosso futuro.Um processo de educação mais empreendedora pode estimular o crescimento econômico de nosso país e o desenvolvimento de um conceito muito mais abrangente de cidadania em que os jovens saibam questionar o mundo, sintam-se confortáveis para quebrar paradigmas e entendam que o melhor caminho é não ter nenhum caminho pronto, mas sim conhecimentos e atitudes que lhe permitam construir suas próprias estradas!

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no caderno Opinião - Mogi News
30 de janeiro de 2010

domingo, 5 de julho de 2009

A CONQUISTA DA CIDADANIA

Essa semana vivi um dos momentos mais importantes da minha carreira profissional... Recebi no dia 03 de julho, o título de CIDADÃ MOGIANA.

Um reconhecimento do meu trabalho à frente do SEBRAE-SP e principalmente à minha paixão por essa cidade onde encontrei a Realização profissional + Felicidade em família + Paz de espírito.
O artigo dessa semana, publicado no Mogi News fala um pouco do que entendo por CIDADANIA... Compartilho com vocês...



A CONQUISTA DA CIDADANIA

"Eu preciso participar das decisões que interferem na minha vida. Um cidadão com um sentimento ético forte e consciência da cidadania não deixa passar nada, não abre mão desse poder de participação." (Herbert de Souza, o Betinho)

O conceito de cidadania tem origem na Grécia clássica, sendo usado, então, para designar os direitos relativos ao indivíduo que vivia na pólis e dela participava ativamente, tanto nos negócios quanto nas decisões políticas.
A cultura e a história da colonização do nosso país ainda colocam em nosso povo algumas barreiras para a vivência da cidadania. Somos filhos e filhas de uma nação nascida sob o signo da cruz e da espada, acostumados a apanhar calados, a dizer sempre “sim senhô!” sem prerrogativa a qualquer questionamento.
Passos importantes já foram dados: o processo de transição democrática, o voto direto, a Constituição de 1988... Mas, ainda há um longo caminho a percorrer: desigualdades e exclusão social, posse e uso da terra, desemprego, analfabetismo, etc
Precisamos ampliar a visão sobre cidadania. Não basta votar (de forma obrigatória) e pagar impostos. Cidadania é uma tarefa que não termina. Não é como um dever de casa, onde faço a minha parte, apresento e pronto, acabou!
Não basta que ela nos seja dada, pois, na verdade, cidadania está no exercício e conquista de nossa própria capacidade de participação e intervenção social na busca por mais direitos, maior liberdade, melhores garantias individuais e coletivas de viver, tomar decisões e empreender.
O maior patrimônio brasileiro está no seu povo que tem usado a criatividade e a inovação para superar suas deficiências e gerar oportunidades. Os talentos e competências dos recursos humanos disponíveis são o principal diferencial para crescermos de verdade. Ser cidadão não requer nenhum sacrifício, basta termos consciência de que somos sujeitos de direitos e deveres olhando para os aspectos simples de nosso bairro, cidade, comunidade e agindo naquilo que está ao nosso alcance. Nós somos os protagonistas tanto da nossa vida como da sociedade e a construção da sociedade em que desejamos viver está em nossas mãos. Afinal, quem não participa deixa aos outros a decisão de seu futuro, acabando por ser dominado.
Esse é o meu primeiro dia como legítima cidadã mogiana. Uma cidadania que esteve e está em permanente construção, pois enquanto seres inacabados que somos, sempre deveremos buscar, descobrir, criar e, com maturidade, tomar consciência ampla de nossos direitos e deveres, pois não há uma única tarefa a entregar: nossos filhos merecem um mundo mais justo e novos desafios surgirão, demandando novas conquistas e, portanto, mais cidadania.
Obrigada, Mogi das Cruzes pela confiança!
ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado em 04 de julho de 2009
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