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sábado, 24 de novembro de 2012

CRIADOR E CRIATURA

A mudança é a lei da vida. 
E aqueles que apenas olham para o passado ou 
para o presente irão com certeza perder o futuro.
-- John Kennedy --


Quando olhamos ao nosso redor e vemos o estado atual em que se encontra a segurança, a educação ou qualquer aspecto da sociedade que seja caro a você, mas cujo resultado não esteja alinhado às suas expectativas, é natural que nos domine um profundo sentimento de impotência.
É como se desejássemos em um passe de mágica transformar a realidade em uma sociedade mais justa, amorosa, humana e totalmente harmoniosa. Entretanto, para que alcancemos esse anseio aparentemente distante, só existe um caminho: mudar a nós mesmos. E isso não é retórica de quem não tem o que fazer e vem escrever para vocês todos os sábados!
Enquanto não atingimos um profundo conhecimento acerca de nós mesmos e do quanto nossa realidade interior se reflete em nossos atos, nada poderá acontecer. Responsabilizar o “mundo”, o “governo”, a “sociedade” ou as “pessoas” por todas as dores do mundo é fechar os olhos para os reais impactos de nossas próprias escolhas sobre os destinos de nossa vida. Exceto você, não existe mundo! Pense nisso!

terça-feira, 8 de março de 2011

DEPOIS DO CARNAVAL



Terminado o Carnaval, eis que nos encontramos com os seus melancólicos despojos: pelas ruas desertas, os pavilhões, arquibancadas e passarelas são uns tristes esqueletos de madeira; oscilam no ar farrapos de ornamentos sem sentido, magros, amarelos e encarnados, batidos pelo vento, enrodilhados em suas cordas; torres coloridas, como desmesurados brinquedos, sustentam-se de pé, intrusas, anômalas, entre as árvores e os postes. Acabou-se o artifício, desmanchou-se a mágica, volta-se à realidade.
À chamada realidade. Pois, por detrás disto que aparentamos ser, leva cada um de nós a preocupação de um desejo oculto, de uma vocação ou de um capricho que apenas o Carnaval permite que se manifestem com toda a sua força, por um ano inteiro contida.
Somos um povo muito variado e mesmo contraditório: o que para alguns parecerá defeito é, para outros, encanto. Quem diria que tantas pessoas bem comportadas, e aparentemente elegantes e finas, alimentam, durante trezentos dias do ano, o modesto sonho de serem ursos, macacos, onças, gatos e outros bichos? Quem diria que há tantas vocações para índios e escravas gregas, neste país de letrados e de liberdade?
Por outro lado, neste chamado país subdesenvolvido, quem poderia imaginar que há tantos reis e imperadores, princesas das Mil e Uma Noites, soberanos fantásticos, banhados em esplendores que, se não são propriamente das minas de Golconda, resultam, afinal, mais caros: pois se as gemas verdadeiras têm valor por toda a vida, estas, de preço não desprezível, se destinam a durar somente algumas horas.
Neste país tão avançado e liberal — segundo dizem — há milhares de corações imperiais, milhares de sonhos profundamente comprimidos mas que explodem, no Carnaval, com suas anquinhas e casacas, cartolas e coroas, mantos roçagantes (espanejemos o adjetivo), cetros, luvas e outros acessórios.
Aliás, em matéria de reinados, vamos do Rei do Chumbo ao da Voz, passando pelo dos Cabritos e dos Parafusos: como se pode ver no catálogo telefônico. Temos impérios vários, príncipes, imperatrizes, princesas, em etiquetas de roupa e em rótulos de bebidas. É o nosso sonho de grandeza, a nossa compensação, a valorização que damos aos nossos próprios méritos...
Mas, agora que o Carnaval passou, que vamos fazer de tantos quilos de miçangas, de tantos olhos faraônicos, de tantas coroas superpostas, de tantas plumas, leques, sombrinhas...?
"Ved de quán poco valor
Son las cosas tras que andamos
Y corremos..."
dizia Jorge Manrique. E no século XV! E falando de coisas de verdade! Mas os homens gostam da ilusão. E já vão preparar o próximo Carnaval...


Texto de Cecília Meireles
Extraído do livro "Quatro Vozes"
Editora Record - Rio de Janeiro, 1998, pág. 93

domingo, 13 de fevereiro de 2011

VANILLA SKY


Nem só da realidade vive o homem. Ele também se alimenta de sonhos e de esperanças. Afinal, como viver o dia a dia sem tê-lo sonhado? É bem verdade que aprendemos a adaptar nossos sonhos, mas isso não é de todo mau, pois "viver é adaptar-se", como minha avó, com toda a sua sapiência, diria, ou, ainda, como Titãs e Roberto Carlos afirmariam - "É preciso saber viver".
E vale qualquer tipo de sonho: a dois, individual, ou, simplesmente, aquele sonhado com amigos, parentes e colegas de trabalho. Sonhar não paga imposto, como diriam outros. Pena que nos dias de hoje poucos tenham tempo para sonhar, de olhar para o céu para tentar descobrir outra constelação que não as 88 oficiais (já fiz isso só pelo prazer de "ter" uma nova estrela), ou, ainda, para imaginar.
Sim, imaginar a essência, se aprofundar sobre a história de cada constelação, como a de Andrômeda, que na mitologia representa a princesa Andrômeda, filha de Cassiopéia; a Ursa Major, também conhecida como Ursa Maior ou Grande Urso; a de Orion, que significa Grande Caçador; o Crux, ou Cruzeiro do Sul; ou, ainda, a Coma Berenices, que significa a cabeleira de Berenice.
Diz a história que, para que o seu marido retornasse vivo da guerra, a rainha Berenice prometeu seus longos cabelos à Afrodite. Como a deusa da mitologia grega atendeu ao seu pedido, Berenice cortou a cabeleira oferecendo-a em um altar. No dia seguinte, os fios haviam sumido. Então, o astrônomo da corte concluiu que Afrodite ficou tão encantada com a oferenda que a levou para o céu. Nesta oportunidade, cabe explicar que astronomia, ciência que estuda o movimento dos planetas, não tem nada a ver com astrologia, estudo dos horóscopos zodiacais.
Mas, voltando aos nossos sonhos... Quem não sonha em estar num lindo lugar, quem sabe em Paris, com vista preciosa do Museu dOrsay, ou ainda da Torre Eiffel? Também vale a vista do Serro Catedral, em Bariloche, na Argentina, com direito a nariz gelado e cheiro de alfazema. E por falar em cheiros, que tal o aroma de eucalipto e de araucária em Campos do Jordão?
Vale também apreciar a formação de nuvens no céu, imaginando suas formas ou desvendando seus três tipos básicos: Cirros (formadas por cristais de gelo, leves e delicadas, que podem estar a até 4,5 mil metros de altura), Cúmulos (mais comuns e que se assemelham a algodão doce), e Estratos (composição sólida e escura).
E como é gostoso olhar para o céu e deixar a imaginação ganhar asas. Ou vai me dizer que você, leitor, nunca viu um elefante ou uma xícara no azul infinito? Pode ter visto, ainda, um grande coração, ou uma tartaruga gigante... Mas existe outra forma de desprender os pés do chão e se deixar levar, almejando dias melhores. Experimente num ato de grande desprendimento jogar um aviãozinho de papel no ar! Infelizes e loucos, afinal, são os que não se entregam ao simples, à imaginação e aos seus sonhos!

Jeruza Reis é advogada e vereadora em Poá.
Texto extraído do jornal Diário do Alto Tietê

quinta-feira, 15 de abril de 2010

PLANEJE À LAPIS


Começar um novo dia é sempre uma aventura. Talvez ontem não tenha sido exatamente como você pensou que seria e ter a chance de retomar projetos ainda não concluídos é uma ótima oportunidade de rever suas prioridades.
Para isso, abra os olhos para a realidade.
O avião vai atrasar. O pneu do carro vai furar. Um grande pedido será cancelado. A fila não anda. O trânsito está ruim. A chuva não pára de cair. O computador trava. O celular não tem sinal. A caixa de e-mail está lotada.
Por outro lado, o valor das ações subiu. Um antigo cliente retornou. O carro “esgotado” que você queria chegou e é exatamente da cor que você esperava. O chefe reconsiderou seu pedido e lhe deu um aumento. Ou seja: as coisas mudam!
E isso não é bom ou ruim, é apenas a realidade!
E para fatos da realidade que peguem você de surpresa não há ação possível senão parar e (re)planejar. Seu desempenho virá de sua própria capacidade de fazer uma nova idéia se concretizar e ser bem sucedida mesmo a partir do inesperado.
Você já deve ser ouvido que a única certeza do planejamento é que as coisas nunca acontecerão exatamente da forma como foram planejadas. E se você não se preparar para as surpresas, ficará refém daquilo que o ambiente poderá causar.
Estabelecer uma meta, mas só verificar sua conclusão no final do prazo estabelecido, pode não trazer o resultado que você espera. É importante contar com projeções de curto prazo e acompanhar seus indicadores constantemente. Inevitavelmente, você irá perceber que as coisas acontecem de maneira diferente daquilo que você previu. A maior falha de um bom planejamento é não estar preparado para as falhas que certamente acontecerão.
Por isso, se seus planos não estiverem acontecendo como você idealizou, não tenha medo em estabelecer novas direções. Analise as causas e busque dar aos problemas exatamente o valor que eles possuem. Problemas nos negócios costumam ser como slides de biologia. Se você colocar sob a lente de um microscópio, pequenos pontos ficam enormes, complexos e ameaçadores quando são, na verdade, simples “amebas” dispostas a alterar a forma e o caminho que você precisará percorrer. Somente ao enxergar os problemas sob sua real dimensão, é possível perceber novas possibilidades e preparar as possíveis revisões de seu planejamento levando em conta os resultados obtidos até o momento e as mudanças do ambiente.
Pense que você será muito mais astuto se conseguir corrigir os desvios ao longo do percurso, pois, mais importante que simplesmente chegar ao destino é ter a certeza de ter percorrido o melhor caminho.

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado em O Diário Empresarial
16 de abril de 2010

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