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segunda-feira, 25 de abril de 2011

FELIZ AQUELE QUE TRANSFERE O QUE SABE E APRENDE O QUE ENSINA

“Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar. Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”
(Cora Coralina)

Fotos: Fabiane Mello - Colégio Brasilis

Na última semana, fui surpreendida com um convite do Colégio Brasilis para ser jurada da VII Noite Poética com os alunos do Ensino Fundamental II e Médio. A iniciativa foi idealizada há oito anos e é realizada pelos professores do colégio junto aos seus alunos contextualizando conceitos e prática literária.
Em 2011, os alunos pesquisaram sobre a vida e a obra de Cora Coralina e criaram suas poesias tendo como tema a humildade, a vida, o amor e a maternidade. Na noite poética, os pré-selecionados apresentam suas poesias para uma comissão de jurados e também para seus pais, colegas e convidados.
Sem dúvida, um raro momento entre as prioridades de jovens e adolescentes do século XXI. Entre Tablets, Celulares, Nintendos DS ou PlayStations, lá estavam eles versando e recitando palavras de amor, homenagens à vida e a sorte.

“O amor existe desde o nascer. É algo bom de viver! Com ele, aprendemos a crescer.” (Maitê Piccolomini Bertaiolli – 5ª série)

“Vou falar de mulher humilde, com dificuldades, mas feliz. Usarei a arte de cozinhar para somente poder alegrar.” (Vinicius Zagne Dal Col - – 5ª série)

“Algumas pessoas esquecem que têm uma vida. Não aproveitam, não se cuidam e destróem a vida dos outros” (Karen Emi Nakiri Nicoliche – 5ª série)

“Mãe é uma antiga amiga, dá carinho, atenção e amor. Você nunca estará sozinho ao sentir o seu calor” (Bruna Nakamura Yamanaka – 6ª série)

“Amor... Algo que ninguém imagina, escolhe, sente ou prevê. Sensação que todo mundo já teve, tem ou vai ter” (Giovanna Maria de Melo Modesto – 6ª série)


“A vida é muito boa como o amor de uma família. A vida é um tesouro, um vasto mar de maravilha” (Guilherme Augusto Ferraz do Amaral – 6ª série)

Um dia antes da noite poética, recebi em casa uma delicada e bem cuidada apostila com as 14 poesias classificadas e passei boa parte da noite buscando classificá-las em critérios como criatividade, coerência, vocabulário, fluência/unidade rítmica e mensagem do texto. Ah! Que dificuldade... Confesso que deixei para dar as notas pessoalmente. E não me arrependo.
Uns após os outros, poetas e intérpretes subiam ao palco do Theatro Vasques, o teatro municipal de Mogi das Cruzes, e transformavam as doces palavras escritas no papel em um momento mágico. Alguns gaguejavam, outros esqueciam os versos ou faziam novas poesias na simplicidade de suas rimas, e os mais ousados... Ah, os mais ousados pareciam recitar em grande sarau.

“Aquele dia chegou... O dia de encarar meus medos e planejar o futuro. O dia de parar de sonhar e começar a realizar. O dia para sentir falta da velha vida que se encerra aqui. Adeus infância!” (Luiza de Oliveira Passos Jesus – 7ª série)

“Há pessoas que reclamam não sei exatamente do que. Há pessoas que aclamam que seja boa enquanto durar. Te apresento, esta é a vida.” (Ligia Mota Santos – 7ª série)

“Enquanto tiver forças mostrarei o meu valor e com minha humildade encontrarei o meu amor” (Marcos Vinicius Neri Jacoski – 7ª série)

“Seu rumo, sua decisão... Quer fazer história ou calar-se na solidão?” (Guilherme Pinheiro dos Santos – 8ª série)

“A amizade é um tipo de amor. Um amor mais doce e um mais salgado. Com você perto de mim vira um amor colorido e engraçado” (Vitória Carlos Piassa – 8ª série)

“Durante a vida fiz várias escolhas, tanto boas quanto ruins; mas de nenhuma me arrependo, foram as escolhas que fiz” (Júnia Prado Mangini – 8ª série)

A escola preparou a decoração e o ambiente para a noite com muito cuidado: uma linda lua emoldurava o palco, danças e músicas distraíam o público enquanto nós, jurados, resolvíamos as dúvidas sobre os critérios e as categorias da VIII Noite Poética do Colégio Brasilis.
Quisera ter premiado a todos e justamente por não poder fazê-lo, faço questão de trazer ao Lounge Empreendedor trechos pequenos de todos concorrentes. A vida é mesmo assim quando se resolve competir. Uma hora a gente ganha e em outras, apenas faz parte. Uma linda parte...

“Há um lugar aonde vou quando estou triste. É um lugar dentro de mim que nunca viste e que inventei para guardar o que sentisse” (Fernanda Figueira Tavares – 1º ano EM)

“Tempo, ah o tempo! Dá o chão, dá as asas... Prende, liberta... Faz rir, faz chorar. Tempo, ah o tempo! Esse sim é paradoxo!” (Natália Lemes Ribeiro dos Santos – 2º ano EM)

“Perdida no mundo, um coração sozinho. Vida liberta, vida sem colo, sem carinho. Estrela cadente: uma oração. Apareceu um mocinho. Roubou meu coração e entreguei minha vida em suas mãos” (Pamela Kaori Kabaya – 3º ano EM)

Um dos detalhes mais bem cuidados da noite foi a presença da única filha de Cora ainda viva e autora da biografia romanceada "Cora Coragem Cora Poesia”, Vicência Bretas Tahan.
Tive a grata satisfação de sentar praticamente ao seu lado durante toda a noite e de vê-la se preocupar os critérios do julgamento das poesias ou com a premiação de todos os ganhadores com livros sobre a obra de sua mãe.
Entretanto, a maior emoção estava por vir...
Aquela aparentemente frágil senhora recitou sem microfone e com muita emoção, “ESTAS MÃOS” de Cora Coralina encerrando a noite poética em 2011:


“Olhe para estas mãos
de mulher roceira,
esforçadas mãos cavouqueiras.

Pesadas, de falanges curtas,
sem trato e sem carinho.
Ousadas e grosseiras.

Mãos que varreram e cozinharam
Lavaram e estenderam
roupas nos varais.
Pouparam e remendaram.
Mãos domésticas e remendonas.

Íntimas da economia,
do arroz e do feijão
da sua casa.

Do tacho de cobre.
Da panela de barro.
Da acha de lenha.
Da cinza da fornalha.

Que encestavam o velho barreleiro
e faziam sabão.
Minhas mãos doceiras…

Jamais ociosas.
Fecundas, Imensas e ocupadas,
Mãos laboriosas.

Abertas sempre para dar,
ajudar, unir e abençoar.
Mãos de semeador…

Afeitas à sementeira do trabalho.
Semeando sempre.
Jamais para elas
os júbilos da colheita.

Mãos tenazes e obtusas,
feridas na remoção de pedras e tropeços,
quebrando as arestas da vida.

Mãos alavancas
na escava de construções inconclusas.
Mãos pequenas e curtas de mulher
Que nunca encontrou nada na vida.

Caminheira de uma longa estrada.
Sempre a caminhar.
Sozinha a procurar, o ângulo prometido,
a pedra rejeitada.”

E assim eu também finalizo esse longo, mas adorável post no Lounge Empreendedor. Poesia traz felicidade!
Fica a lição do Colégio Brasilis: estimular a cultura e a poesia é um caminho para formação de jovens diferenciados. Crer na possibilidade de retomar valores de tempos antigos também é inovar nas propostas pedagógicas e oferecer um caminho sólido na formação de cidadãos.
Parabéns a todos os envolvidos: alunos, professores, coordenadores e mantenedores. Tenho orgulho em ser um pouco “Brasilis” também.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

ARQUITETOS DE UM FUTURO MELHOR


Boa noite, senhoras e senhores: pais, alunos, professores, mantenedores e toda equipe do Colégio Brasilis.

Gostaria muito de agradecer o convite para, junto ao meu marido, representar os pais dos alunos que hoje conquistam uma nova etapa em suas vidas. Mais do que uma honra é uma grande responsabilidade, pois certamente somos famílias bem diferentes. Entretanto temos uma característica que nos une: lidamos com filhos, enteados ou afilhados que já não são mais tão crianças nem tão poucos adultos. São apenas jovens... Humanos que como quaisquer outros têm suas aflições e felicidades, dias de paz ou de eterno conflito. Conflito consigo mesmo, com as provas, com as roupas, com as namoradas ou pior: conosco, pais e mães que hoje se emocionam em vê-los conquistar mais essa etapa.
Para uma geração que vive no Twitter ou no Facebook e que está ligada 24 horas nos 7 dias da semana, ser pai, mãe, avô ou professor é uma tarefa cada vez mais difícil.
É preciso muita serenidade e equilíbrio.
Ser liberal, sem ser permissivo.
Buscar autoridade e não apenas poder.
Proteger, mas não sufocar.
E principalmente, não ultrapassar nossos próprios limites para ser apenas uma mãe “legal”.
Costumo dizer que ser mãe é dar filhos de presente ao mundo!
E hoje me sinto assim: abrindo um laço importante do meu melhor pacote de presente ao mundo!
Minha família está em Mogi das Cruzes há 4 anos e quando chegamos, talvez por ser pedagoga, um dos meus maiores desafios era escolher uma boa escola que reconhecesse nosso filho não apenas como mais um, mas como “O” aluno capaz de superar seus próprios limites e de se tornar um cidadão solidário, decente, preocupado com as pessoas e com preservação dos recursos naturais... Um “arquiteto de um futuro diferente”.
Arquiteto, na verdade não sabemos... Não podemos definir qual será a escolha profissional do Marcello, afinal hoje ele encerra apenas um ciclo.
Em 2011, inicia-se a jornada do Ensino Médio. Pensaremos em profissões depois, mas já temos certeza de estarmos contribuindo muito para um mundo melhor.
Os últimos anos não foram fáceis: o ensino é forte de verdade, provas três por semana, aulas de plantão durante as tardes, pesquisas até altas horas para descobrir a área do triângulo retângulo ou a formação geográfica e seus impactos nos continentes, mas chegamos aqui.
E todos vocês também chegaram. 
Aos educadores e toda equipe do colégio Brasilis, agradecemos pelo carinho e pela competência em nos auxiliar na formação das futuras gerações desenvolvendo em nossos filhos as competências necessárias para que possam competir em um mundo mais digital e mais colaborativo. Cada um deles deverá estar pronto a empreender e questionar os tradicionais modelos, entendendo que o melhor caminho é não ter nenhum caminho pronto, mas sim conhecimentos e atitudes que lhes permitam construir suas próprias estradas.
Aos pais e responsáveis, aproximem-se sempre do processo de formação de seus filhos. Conheçam seus interesses, valorizem mais seus acertos do que suas dificuldades e quando um erro acontecer, (e eles irão acontecer, tenham certeza!) critiquem a situação e nunca a capacidade ou inteligência destes nossos presentes que entregaremos ao mundo. Estímulos de amor, no falar ou no agir, um abraço ou um beijo nunca são demais para a educação.
Aos formandos, SUCESSO! Hoje acaba um ciclo, mas começa outro. Suas histórias estão apenas começando. Unam seus laços cada vez mais, lembrem-se das amizades, das brincadeiras, das festas juninas no pátio do Brasilis, das viagens ao sítio em Taiaçupeba, das aulas de vôlei, dos dedos quebrados no futebol e conquistem o mundo!
Quando o "sinal" bater, encontrarem os caminhos para o destino que quiserem, pois vocês estão preparados! O saber não é um estoque de conhecimento estático. Ele deve contribuir para a formação de pessoas mais autônomas, mais criativas e capazes de liderar seu próprio potencial.
Cuidar das sementes hoje garantirá os melhores frutos no amanhã!
Tenho certeza que temos sentados nas filas desse auditório um belíssimo jardim!
Parabéns a todos e uma boa noite

ANA MARIA MAGNI COELHO
Mãe "paraninfa" e orgulhosa
Texto produzido para a colação de grau da 8ª série
Formandos 2010 - Colégio Brasilis
14 de dezembro de 2010
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